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G1

Startup de SP desenvolve pele em laboratório que pode substituir animais em testes de cosméticos

Publicado em 05 dezembro 2020

Por EPTV 2

Atenta ao uso de animais em testes de cosméticos, uma startup de Ribeirão Preto (SP) desenvolve uma pele artificial para uso em pesquisas laboratoriais. O material pode ajudar pesquisadores a avaliar a segurança e a eficácia de filtros solares e produtos antienvelhecimento, por exemplo, sem cobaias.

O material desenvolvido compreende duas camadas da pele – a epiderme e a derme. Ele pode começar a ser vendido para laboratórios em breve, segundo Franciane de Oliveira, diretora científica da Eleve Science, encubada no Supera Parque com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp).

"Estamos estudando as possibilidades mercadológicas. A gente priorizou realizar todas as validações necessárias, porque, além de ser muito longo, é um estudo caro que precisa muito bem validado e justificado para atingir o mercado", diz Franciane.

O material já se provou eficaz na verificação da proteção oferecida por filtros solares e da ação de substâncias antienvelhecimento, tanto na derme quanto na epiderme, junto ou separadamente, de acordo com a pesquisadora Ana Luiza Porte, responsável pelo projeto.

"Os testes servem para ver se um produto é irritante, se reverte os efeitos do envelhecimento, se aumenta produção de colágeno, se diminui rugas, se tem atividade antioxidante. A gente tem como avaliar todas essas características", explica Luiza.

Pele artificial

A pele, que está em desenvolvimento desde 2016, é feita a partir de células que são retiradas de pele humana. O material biológico é cultivado em laboratório e cresce em camadas, até a formação de uma camada de pele semelhante à do corpo humano.

"Temos vários tamanhos de pele, a depender do teste. Tem modelos que são só da epiderme, que é a camada mais superficial da pele e, por isso, ela é quase imperceptível e transparente, mas também temos a pele completa, com espessura maior", diz Ana Luiza.

O objetivo dos pesquisadores é fazer com que os laboratórios não usem mais animais em laboratórios para testes. No Brasil, não há lei federal que proíba a prática, mas há estados em que o uso de animais para fins como estes não é permitido.

A maquiadora Fabiana Martins Massi, que trabalha apenas com produtos veganos há cerca de três meses, reconhece a importância de estudos para evitar efeitos colaterais nas pessoas, mas não é a favor de testes em animais.

"Estes testes são questionáveis, primeiro pela crueldade que eles causam ao animal, e pela questão de biocompatibilidade. Apesar de a gente ter algumas semelhanças com os animais, nosso sistema imune é diferente, então não necessariamente o que funcionar no animal vai funcionar no ser humano.