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Startup brasileira é pioneira no uso de computação quântica no país

Publicado em 24 agosto 2021

Iniciativa é uma das poucas existentes no país; Tecnologia quântica tem sido utilizada em grandes empresas

Já imaginou um computador radicalmente diferente dos tipos digitais que encontramos hoje em dia? Esta é a aposta da startup brasileira DOBSLIT, que utiliza elementos de computação quântica para analisar, através de computadores, situações reais e responder questões que podem surgir no cotidiano.

Para solucionar as questões que surgem no cotidiano, as máquinas precisam de alta potência e processadores poderosos, que não estão presentes na imensa maioria dos equipamentos presentes no Brasil. A computação quântica atua nesse segmento e utiliza como fonte de informações os qubits, ou bits quânticos, unidades integradas que tratam a informação de forma global. Na informática tradicional, são usados os bits, que são unidades de informação fragmentadas, sendo que cada bit armazena informações de forma isolada.

Através da alocação de elétrons, um bit convencional, chamado binário, é capaz de assumir uma única informação como positiva ou negativa, ou ainda 0 ou 1. Já o bit quântico assume esses mesmos valores, mas suas informações podem ser sobrepostas umas às outras. Enquanto a base binária soma a informação de cada bit, uma sobreposição de qubits resulta na multiplicação de suas possibilidades. Por exemplo, 1 bit equivale a 1 qubit e armazena uma única informação. Mas enquanto 2 bits juntos armazenam apenas duas informações, 2 qubits armazenam 4 informações diferentes, do mesmo modo que 3 bits armazenam 3 informações contra 8 informações armazenadas por 3 qubits.

Assim, ao invés de tratar as informações de maneira isolada, o qubit integra as informações de todos os dados, criando novas dimensões para o processamento e tornando capaz a resolução de problemas que não foram programados. Os computadores quânticos, portanto, podem rodar vários cálculos ao mesmo tempo, com múltiplas fontes de dados, com uma escala enorme.

“Essas máquinas não possuem memória de trabalho para armazenar as inúmeras combinações de problemas do mundo real, pois estes precisam analisar cada combinação, uma após a outra, o que gera um grande uso de tempo. É justamente nesse ponto que utilizamos a computação quântica”, informa Rogerio Ruivo, da startup Dobslit.

A tecnologia é uma realidade já inserida em muitas startups do exterior, notadamente em países como Estados Unidos, Alemanha e França, e chega agora ao Brasil.

AÇÕES

As tecnologias quânticas estavam restritas apenas aos laboratórios de grandes empresas e universidades e ganharam espaço entre as startups no Brasil. Elas envolvem propriedades da física quântica aplicadas diretamente à solução de problemas.

A computação quântica comercial, é um tema recente no Brasil que vem ganhando cada vez mais espaço. A Fapesp, por exemplo, já estuda a criação de uma Iniciativa Quântica no país, aos moldes das já existentes em muitas partes do mundo.

São poucas startups brasileiras, entretanto, que atuam no setor, sendo uma dessas a Dobslit, que iniciou as atividades nesse ano. Formado por Carlos Speglich e por Rogerio Ruivo, conta ainda com a colaboração do Prof. Dr. Celso J. Villas-Boas, docente da Universidade Federal de São Carlos. Ela desenvolve serviços de Computação Quântica para empresas, nos quais indústrias do setor elétrico, segurança da informação, mercado financeiro, dentre outras, podem se beneficiar.

“Nosso trabalho é realizar um inventário em cada empresa, normalmente junto ao setor de P&D ou inovação, para descobrir processos e oportunidades de implementar os algoritmos que rodam nos computadores quânticos já existentes, criando aplicações criativas. Para as empresas, isso se traduz em posicionar-se privilegiadamente ao já fazer uso dessa tecnologia, que no Brasil ainda é pouco conhecida por gestores e até por quem lida diretamente com inovação corporativa.”, comenta Ruivo.

Para Eduardo Cicconi, gerente do Supera Parque, é uma iniciativa importante que dá seus primeiros passos com o apoio especializado do parque tecnológico. “Estamos orgulhosos por apoiar, com nosso programa de membership, o projeto que tem tecnologia com potencial de revolucionar processos nas empresas”, comenta.

“Já estamos em contato com vários clientes, dos variados segmentos pois são numerosos casos de uso/benefícios. Por exemplo, estamos iniciando um trabalho de simulação com a Embrapii. Simulação com computadores quânticos, é uma área que pode acelerar a descoberta de novos materiais e medicamentos, por exemplo. A Roche é uma empresa que já usa essa tecnologia”, finaliza Ruivo.

Participante do Programa de Membership do Supera Parque de Ribeirão Preto, a startup também está construindo uma parceria de cooperação em Computação Quântica com o Senai Cimatec. Eles inauguraram o primeiro simulador de Computador Quântico da América Latina em parceria com a francesa Atos.