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Jornal O Imparcial (Araraquara, SP)

Spin off do CDMF lança máscara respiratória com propriedades bactericidas e antivirais

Publicado em 21 abril 2020

A Nanox Tecnologia, spin off do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) apoiada pelo programa PIPE da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), acaba de lançar, em parceria com a empresa ELKA e a IEC Partners, uma máscara respiratória com propriedades bactericidas, antifúngicas e antivirais.

Tais propriedades são resultantes da adição de nanopartículas de prata e sílica aos polímeros dos quais a nova máscara é feita. Embora ainda não exista comprovação da ação das partículas contra o vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19, elas podem evitar a infecção cruzada com outros patógenos, como bactérias e fungos oportunistas, responsáveis pelo agravamento de quadros de Covid-19 e, também, agir contra outros tipos de vírus, aumentando a segurança para seus utilizadores.

O equipamento, batizado de OTO, é uma alternativa às máscaras N-95 indicadas para utilização pelos profissionais de saúde em ambientes hospitalares e tem a vantagem de poder ser reutilizada após ser higienizada com água e sabão e com a troca de seu elemento filtrante. Esses elementos são descartáveis, do tipo PFF2. O material da máscara é um polímero liso e flexível.

A máscara deve ter sua produção em escala iniciada no princípio de maio com uma produção estimada em 200 mil unidades por mês que, de acordo com a demanda, poderá ser ampliada para até 1 milhão de unidades por mês. A expectativa é fornecer principalmente para serviços hospitalares e até 10% de sua produção deverá ser doada pelas empresas.

Mais informações estão disponíveis em: https://www.otomask.com.br/

Outras aplicações

A Nanox Tecnologia também aplicará essas nanopartículas em filmes plásticos para revestimento de superfícies e equipamentos hospitalares ou, ainda, de uso doméstico constante.

O pesquisador Gustavo Simões, diretor da Nanox, aposta na capacidade oxidativa dessas nanopartículas em destruir a camada lipídica do novo coronavírus, o Sars – CoV – 2.

O diretor do CDMF, professor Elson Longo, informa que a capacidade antiviral desses materiais está sendo testada, e os resultados iniciais indicam elevada eficácia contra o novo coronavírus. “Outras empresas estão em contato conosco para desenvolver produtos com a aplicação de nanopartículas de prata”, disse Longo.

CDMF

O CDMF é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e recebe também investimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN).

A eficiência de nanopartículas de semicondutores e prata como antimicrobiano já comprovadas em estudos do CDMF, agora, diante da pandemia, estão sendo testadas contra o vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19.

Pesquisadores do CDMF, em parceria com um grupo da Universitat Jaume I (UJI), da Espanha, coordenado por Juan Andrés Bort, professor da UJI, iniciaram uma série de testes para avaliar a possibilidade de utilização de nanopartículas de prata no combate ao novo coronavírus, uma vez que são apontadas na literatura como sendo eficientes contra outros tipos de vírus.

O pesquisador Rafael Ciola, Pós – Doutorando no Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), atualmente em missão na Universitat Jaume I (UJI), na Espanha, integra esforços de pesquisas sobre a COVID – 19. Junto a outros pesquisadores brasileiros e espanhóis, o pós- doutorando vai analisar possíveis efeitos de óxidos metálicos como inibidores dos mecanismos de ligação do novo coronavírus, o Sars-CoV-2, às células hospedeiras. A pesquisa de Ciola conta com auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

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