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SPB: Uma revolução no uso de TIC no sistema financeiro

Publicado em 22 abril 2009

A preparação para ativar o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), inaugurado em 22 de abril de 2002, começou três anos antes - 1999, quando o mundo também passava por uma grave crise financeira.

O SPB foi inspirado no modelo existente nas grandes economias dos Estados Unidos, Europa e Japão - acertar os pagamentos a cada transação pelo sistema RGTS, sigla em inglês para Liquidação Bruta em Tempo Real. Na prática, isso significa que a cada ordem de pagamento é conferido o saldo do banco e, se houver recursos, a transferência é realizada. Do contrário, não.

"O modelo implantado é de mensagens. Os bancos mandam mensagens que serão recebidas, processadas e entendidas. Nós vamos mandar uma mensagem para o outro banco dizendo que houve uma operação desse formato", resume o chefe adjunto da área de infraestrutura tecnológica do Departamento de Tecnologia da Informação do Banco Central (Deinf), Marcelo Yared.

Para chegar a esse modelo, os técnicos do BC visitaram outros bancos centrais. Depois, conversaram com os 'clientes'. "Chamamos os bancos e começamos a ver como resolver o problema do ponto de vista tecnológico", lembra Yared.

"Houve um conjunto de discussões antes de se chegar à norma, um trabalho cooperativo entre, na época, 187 instituições distintas (hoje há 136 bancos comerciais no país). Ou seja, tivemos que organizar e sincronizar os esforços de 187 áreas de TI distintas, de 187 áreas de negócios distintas", conta.

A mudança, naturalmente, envolveu melhorias nas redes então implantadas. "Do ponto de vista de infraestrutura tecnológica, tivemos que melhorar e ampliar todo o parque de TI. Isso porque da mesma forma que há a garantia de que o usuário cursou um pagamento e espera que daqui a duas horas, conforme norma, esse dinheiro tem que estar lá, significa que dentro dessas duas horas a infraestrutura tecnológica tem que suportar isso", observa Yared.

Na prática, porém, a troca de informações se dá muito mais rapidamente do que o previsto na regra, como explica Haroldo Cruz, chefe adjunto do Deinf, na área de desenvolvimento e integrante da equipe que desenhou o SPB. "O tempo de processamento de uma ordem de pagamento no sistema, o tempo entre um banco mandar para nós e avisarmos outro banco que o pagamento foi feito, é de 10 a 15 milissegundos", revela.

Para isso, portanto, foi preciso ampliar a infraestrutura existente. Até 2001, o CPD do Banco Central ocupava uma pequena parte da sede. "Tínhamos uma estrutura contingenciada, dois computadores que faziam a função de Sisbacen. Verificamos que do ponto de vista das boas práticas e das necessidades desse tipo de sistema, isso não era suficiente", recorda Marcelo Yared.

O BC, assim, construiu um novo CPD, longe da sede, mas interligado por um conjunto de fibras óticas para efetivar a comunicação entre os dois centros de processamento de dados por caminhos distintos. Para conversar com os bancos, o sistema utiliza uma rede similar à internet, com tecnologia MPLS (Multi Protocol Label Switching) e protocolo TCP/IP, duplicada com dois fornecedores (Telmex e RTM/Embratel).

"Fomos à FAPESP e à RNP e pegamos um bloco da internet e colocamos [o sistema] lá dentro. Se um dia nós quisermos colocar essa rede na internet, simplesmente colocamos um equipamento roteador entre uma e outra e todo o endereçamento funciona automaticamente. É uma intranet com endereços de internet", explica Marcelo Yared.