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SP: secretário da Agricultura reúne-se com Conselho Técnico-Científico do IZ

Publicado em 18 julho 2016

Nova Odessa/SP - O Secretário da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, se reuniu com o Conselho Técnico-Científico do Instituto de Zootecnia (IZ/Apta), par debater sobre os programas de pesquisa, resultados e projetos futuros. A reunião ocorreu, na última terça-feira  (12), na sede do Instituto, em Nova Odessa, com a diretoria geral, os cinco diretores dos Centros de Pesquisas Tecnológicas em Bovinos de Corte, Bovinos de Leite, Nutrição e Pastagem, Reprodução e Genética, e Zootecnia Diversificada – ovinhos, suínos e aves, além de Assessores e os diretores Administrativo e Comunicação.


A reunião traçou as ações, envolvendo as inovações tecnológicas existentes e as futuras propostas para difusão no agronegócio. Arnaldo Jardim conversou com os diretores sobre projetos de pesquisas em andamento, que visam atender aos produtores rurais com tecnologias que vão desde as técnicas de produção e até as tecnologias eletrônicas – aplicativos para dispositivos movéis que dinamizam o dia a dia do produtor.

Os dirigentes de cada Centro de Pesquisa explanaram sobre as atividades desenvolvidas nos projetos de pesquisas, a estrutura de trabalho, equipe de apoio, e sobre as fontes de recursos financeiros para cada projeto e a arrecadação com produtos e serviços por Fundações de Amparo à Pesquisa, Agências de Fomento e Fundo Especial de Despesas do Instituto.

Os diretores ressaltaram sobre os trabalhos desenvolvidos dentro do Programa Propasi – Programa de Produção Animal em Sistemas Integrados – atuando de forma direta e com pesquisas básicas para dar suporte aos Sistemas.

“Os trabalhos de pesquisa do IZ estão fundamentados nos Programas Institucionais, como o Propasi, que tem por objetivo identificar e avaliar sistemas integrados de produção em suas diferentes formas ou entre si, demonstrando viabilidades técnica, econômica e ambiental”, enfatizou Renata Helena Branco Arnandes, diretora do IZ.

Assim como, o “Programa Leite Mais” do IZ, que visa o desenvolvimento de um produto que agregue qualidade, sustentabilidade e bem-estar animal e humano. No "Leite Mais", o novo foco das pesquisas está voltado para segurança alimentar, sustentabilidade e produção do leite com proteína A2, que agrega valor ao leite bovino e ao consumidor, por não causar uma série de problemas à saúde humana, como o constatado no leite com proteína A1.

O Centro Avançado de Pesquisa em Bovinos de Corte, por exemplo, que viabiliza soluções sustentáveis para a cadeia produtiva de corte e tem como base de trabalho o melhoramento genético de bovinos das raças Zebuínas e Caracu, trabalha com zootecnia de precisão. Atualmente, são 20 projetos com financiamentos vigentes. A arrecadação de recursos pelo Fundo Especial de Despesas, fundações e fomento de 2015 atingiu cerca de R$ 2 milhões.

Os diretores apresentaram as ideias de futuras parcerias para atender às demandas dos setores privados por inovações tecnológicas. A pesquisadora do Centro de Nutrição Animal e Pastagens, Flávia Maria de Andrade Gimenes, salientou as parcerias por meio dos registros e proteção de novos cultivares de plantas forrageiras, já em andamento, como a macrotiloma, soja perene e calopogônio. “Outra oportunidade e potencial para inovação tecnológica está na geração e disseminação de aplicativos para gerenciamento remoto, como manejo de pastagens”, destacou.

A diretora do IZ disse que ainda há muito trabalho pela frente. “Nesse momento a Instituição passa por uma série de mudanças e quebras de paradigmas, estamos indo no caminho ceto com pesquisas focadas em sustentabilidade e eficiência nos sistemas produtivos.”

“Hoje, todas as pesquisas conduzidas no IZ estão de acordo com a missão institucional, e a criação dos programas de pesquisa e sustento para as pesquisas que virão daqui por diante”, reforçou Renata.

O coordenador da Agencia Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Orlando Melo de Castro, disse que conhecia grande parte das informações destacadas, mas que foi prazeroso ver a evolução do IZ  nos últimos anos, e saber que pode crescer mais.

Ele disse que ficou muito satisfeito com a reunião, a oportunidade possibilitou verificar o crescimento do IZ, por meio dos resultados alcançados, pela captação de recursos apresentadas, pelos projetos em andamento e pela inserção em fomento, “isso nos anima e faz acreditar em novos investimentos”.

Conforme afirmou Orlando, há um arsenal de amparo legal que permite as parcerias, a serem trabalhadas no tripé orçamentário. “É possível, até mesmo, conseguir bolsas financiadas por empresas parceiras para desenvolver os projetos. Até mesmo somar as competências entre Instituições.”

Diferencial

A grande expressão é a proteína animal, disse Orlando ao destacar também as áreas de genética, sanidade, reprodução, nutrição e pastagens. “A proteína animal é um setor estratégico para o IZ trabalhar, com uma enorme demanda de mercado.”

“A área de leite também evoluiu bastante, em recursos, melhoria de rebanho, preocupação com o sistema de produção e disponibilizar uma genética melhorada, que certamente, agrega valor ao produto final e seus derivados, esse é o diferencial do IZ. O Centro de Leite realmente será uma referência, tem tudo para crescer, e em breve terão novilhas e tourinhos para disponibilizar em 2018, tornando-se a sustentabilidade do Centro de Leite”, detalhou Orlando.

“Vejo que ainda tem um espaço grande para crescer com a iniciativa privada, seja na área de insumos ou na pesquisa. O potencial dos pesquisadores e infraestrutura existente aqui incentiva a busca de maior crescimento, esse espaço merece ser explorado ainda mais, para atender novos parceiros e inovações”, refletiu o coordenador.

O coordenador também esclareceu a dúvida dos diretores sobre a venda das áreas dos Institutos de Pesquisa. “Temos que esclarecer que das 300 áreas, 11 serão alienadas. Contudo, apenas quatro serão integrais, como prevê os levantamentos desde 2012 – Itapeva, Centro de Engenharia em Jundiaí, Gália e Brotas, pois são onde realmente não há mais atividade em andamento. Já as outras fazendas de pesquisa terão apenas áreas parciais à venda.”

“O Governador Alckmin sinalizou, precisamente, que ocorrerá o retorno desse capital para as Instituições, e já estamos tratando sobre o quanto desse capital retornará e de que forma. Esse montante permitirá manter programas de investimento e modernização de áreas que são relevantes e que temos grande expertise e competência. Temos que considerar este fato”, sublinhou Orlando.

Agricultura harmônica

O secretário da Agricultura e Abastecimento disse que ficou entusiasmado com o que ouviu, voltará mais vezes e agradeceu o aprendizado adquirido na reunião. “Nessa passagem pela Secretária venho analisando e construindo o caminho. Estou animado com o trabalho que realizo e pretendo continuar para colaborar com a pesquisa.”

“Com certeza, teremos que praticar uma agricultura harmônica com o meio ambiente, que é uma determinação do Governador Geraldo Alckmin e também uma escolha imposta pela sociedade. Ou o Brasil faz isso, ou vamos continuar vistos com preconceito pelo mundo urbano com relação ao mundo rural, visto com alto grau de produção predatória dos recursos naturais”, declarou.

“Estamos mudando essa visão com alguns trabalhos já implantados pela Secretaria de Agricultura. Com a integração lavoura-pecuária-floresta, acredito que seja uma demonstração de que todos estão sintonizados nessa linha estratégica. Já conseguimos balanços importantes com essa linha. Os Sistemas Integrados de Produção Sustentável do IZ segue essa proposta, e isso é extremamente relevante”, reforçou.

Arnaldo Jardim ainda considerou importante o enfoque e observou que todos os trabalhos estão sintonizados com os Sistemas Integrados de Produção – pecuária sustentável, diminuição de gás de efeito estufa. “Cada um aqui esteve perpassando a integração, bem como os trabalhos da pós-graduação do IZ.”

Arnaldo ainda incentivou os diretores a se dedicarem e priorizarem os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), que têm a função de analisar contratos e parcerias para a transferência de direitos de uso de patentes e outras criações dos institutos, e a importância de buscar parcerias com a iniciativa privada.

“É fundamental o que é feito por vocês pesquisadores. Assim, também, peço a atenção e empenho de cada Centro de Pesquisa para o novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação que promove uma série de ações para o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento científico e tecnológico, dando segurança jurídica a uma cooperação, regulando a integração entre agentes públicos e privados. O marco regulatório atende absolutamente as áreas de trabalhado do IZ – Intensificação e Sustentabilidade de Sistemas de Produção, Segurança Alimentar, Ambiência e Bem-Estar Animal –, garantindo a integridade do investimento e retorno financeiro contínuo de ambos”, reforçou Arnaldo.

A Secretaria, conforme disse o titular da Pasta, está empenhada a diminuir a distância entre a pesquisa e a produção, cuidar do pequeno produtor; maior controle de toxinas, garantir a saudabilidade dos alimentos, metas do Governador Geraldo Alckmin. “Fiquei feliz em ver no IZ essa atenção ao alimento, produto final que chegará ao consumidor, pois o Brasil é um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo”, concluiu.

Ele também se colocou a disposição para tratar pessoalmente com a Fapesp para análises de projetos de pesquisa elaboradores e ainda não aprovados para financiamentos, conforme conceito científico a ser priorizado.


Fonte: SAA/SP