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SP: laboratório em Sorocaba recebe nome da pesquisadora Victoria Rossetti

Publicado em 08 novembro 2012

O Laboratório de Sanidade Vegetal da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Sorocaba será batizado com o nome "Dra. Victoria Rossetti" nesta sexta-feira (09), durante solenidade presidida pela secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado, Mônika Bergamaschi, a partir das 10 horas.

Trata-se de uma homenagem à pesquisadora reconhecida internacionalmente pelos seus trabalhos na área de patologia dos citros, que trabalhou no Instituto Biológico (IB), órgão diretamente ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios da Secretaria (Apta), e faleceu em 2010.

Na ocasião, serão inauguradas as novas instalações do laboratório da Apta Regional, que receberam investimentos do Tesouro do Estado no valor de R$ 117,13 mil. O objetivo é aumentar a capacidade de geração de resultados de pesquisa e melhorar o atendimento na área vegetal, principalmente serviços de programas oficiais de sanidade como teste de indução de sintomas de pinta preta dos citros e análises laboratoriais para a detecção de patógenos do gênero Phytophthora em materiais cítricos amostrados em viveiros.

O primeiro programa é federal. A UPD Sorocaba é credenciada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para realizar esse teste e auditada periodicamente por comitivas da União Europeia (UE) para fins de exportação de frutos cítricos.

O segundo programa, de caráter estadual, atende à produção de mudas certificadas de citros, livres de patógenos (organismos vivos) causadores de doenças limitantes à cultura, como greening, clorose variegada dos citros (CVC), cancro cítrico, leprose, Phytophthora spp. (agente causador da doença gomose de Phytophthora dos citros) e nematoides.

A UPD também está credenciada no Mapa para a realização das análises laboratoriais para a detecção de Phytophthora em materiais amostrados em sementeiras e viveiros comerciais de citros no Estado. Após a implantação do programa, em 2000, já foram realizadas mais de 63 mil dessas análises laboratoriais.

Contribuições de Victoria Rossetti

Entre as contribuições da pesquisadora, o pesquisador e colaborador de Victoria, Eduardo Feichtenberger, cita a seleção do limoeiro cravo como porta-enxerto tolerante à tristeza dos citros (CTV) e de porta-enxertos de citros e gêneros afins mais tolerantes à Phytophthora, em colaboração com o Instituto Agronômico da Secretaria (IAC) e outros pesquisadores do próprio IB.

A pesquisadora envolveu-se ainda com outras importantes doenças, gerando informações relevantes aos programas de produção e certificação de materiais propagativos de citros livres desses patógenos.

Também participou ativamente da Comissão Técnica Assessora do Programa de Registro de Plantas Matrizes de Citros do Estado. Em decorrência desse trabalho, borbulhas das plantas matrizes selecionadas e sadias eram fornecidas aos viveiristas para a produção de mudas

Em colaboração com outros pesquisadores, desenvolveu trabalhos sobre a leprose (doença provocada por vírus de ação local, cujo vetor no Brasil é o ácaro Brevipalpus phoenicis), conseguindo comprovar sua transmissão por enxertia de tecidos e contribuindo para estudos sobre a etiologia da doença.

A partir do final da década de 50 passou a trabalhar com o cancro, tendo presidido (entre 1975 e 77) a comissão permanente sobre o assunto que a Secretaria mantinha para orientar os trabalhos de erradicação da doença.

No final da década de 70 passou a trabalhar com o declínio dos citros, cuja etiologia ainda não estava determinada. Em conjunto com pesquisadores do IB, contribuiu para o melhor conhecimento da doença e a sua associação com a utilização de porta-enxertos de citros intolerantes à anomalia.

Rossetti teve participação fundamental na determinação da causa da CVC. Inclusive, o nome da doença foi dado por ela, quando constatada em 1987 na região norte do Estado. A bactéria Xylella fastidiosa, encontrada nos vasos do xilema de amostras enviadas por Rossetti ao Laboratório da Universidade de Bordeaux, foi confirmada, em estudos posteriores realizados pelos franceses, como sendo a agente causal da CVC.

A bactéria foi depois objeto do projeto genoma da Fapesp, sendo o primeiro fitopatógeno a ter o seu genoma sequenciado, o que teve repercussão internacional, lançou o Brasil no seleto "clube" dos que dominam essa tecnologia e contribuiu para a formação de uma nova geração de cientistas envolvidos na área biotecnológica.

Segundo Feichtenberger, a pesquisadora desenvolveu métodos "engenhosos" para diagnosticar doenças, como o de avaliar o fluxo de seiva pelos vasos do xilema das plantas no diagnóstico do declínio dos citros, por meio de injeções com água no tronco das plantas.

Rossetti não chegou a trabalhar com o greening, que foi detectado no País em 2004, mas sua preocupação com a doença era enorme, diz Feichtenberger. "Ela já antevia que a doença poderia colocar em risco a sustentabilidade de toda a cadeia", afirmou. O greening sempre se constituiu no seu maior temor, por isso escreveu artigos nos quais alertava sobre a ameaça e as medidas recomendadas para se evitar a sua introdução no País. "Ironicamente, o relato da ocorrência do HLB no Brasil só foi feito quando ela já se encontrava enferma e sem condições de participar dos trabalhos ora em desenvolvimento", conclui o pesquisador.

SERVIÇO:

A UPD de Sorocaba fica na rua Antonio Gomes Morgado, 340, Jardim Cruzeiro do Sul. Contatos: 15 3227-5237 ou updsorocaba@apta.sp.gov.br.