Notícia

Jornal Primeira Página

SP investirá R$ 50 milhões em pesquisas de etanol

Publicado em 21 julho 2007

São Paulo investirá R$ 50 milhões em pesquisas destinadas a novas tecnologias para produção de etanol a partir da cana-de-açúcar. O anúncio foi feito na tarde desta terça-feira, 17, pelo governador José Serra durante a abertura do 5º SIMTEC (Simpósio Internacional de Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucro-Alcooleira), em Piracicaba.

O montante será repassado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) a Dedini Indústria de Base. Pelo convênio, que tem duração de cinco anos, a empresa desembolsará outros R$ 50 milhões no aprimoramento de pesquisas desenvolvidas em conjunto por pesquisadores de instituições de ensino superior paulistas e profissionais da Dedini.

O investimento tem por objetivo o aumento da capacidade de produção, melhoria do cultivo e da colheita da cana, o processamento da produção nas refinarias e a criação de máquinas de conversão.

"Essa parceria é um grande passo no sentido de aproximar os nossos pesquisadores com pesquisadores da iniciativa privada", avaliou o governador José Serra. "Queremos tornar essas pesquisas cada vez mais públicas, pelo acesso que a elas terão o setor produtivo e a sociedade", completou Serra.

Ele lembrou que o setor sucro-alcooleiro é fundamental para a economia do País, e para São Paulo especificamente. "Essa atividade é extremamente estratégica para o Estado que tem 4,2 milhões de hectares de área plantada e responde por 75% das exportações de álcool", enumerou.


Vantagem

Mas para Serra a importância do setor não pode ser resumida apenas pelos números. Para ele, aumentar a produção de etanol resulta em contribuir com o meio ambiente, uma vez que o etanol é menos poluente que os combustíveis fósseis. "Temos uma nova etapa nessa matéria porque está colocada na agenda mundial a urgência em enfrentar o fenômeno do aquecimento global", considerou.

Dados fornecidos pelo físico e ex-secretário do Meio Ambiente, José Goldenberg, revelam que São Paulo deixa de emitir todos os anos oito milhões de toneladas de gás carbônico com o etanol. A mesma eficácia não é registrada nos Estados Unidos — um dos maiores produtores de etanol do mundo ao lado do Brasil. Lá, eles deixam de emitir apenas um milhão de tonelada/ano. 

O governador de São Paulo frisou ainda que os produtos derivados da cana de açúcar em 2006 corresponderam a cerca de 14,4% da oferta de energia no Brasil. A proporção, segundo o governador, é "praticamente idêntica" a oferta de energia disponibilizada por meio de hidrelétricas. "Esses dados mostram a mudança da matriz energética brasileira proporcionada pela cana-de-açúcar", reforçou.

Para continuar nesse caminho, o governo estadual vai manter políticas no sentido de elevar a produção de etanol. "O século XX foi o século do Ouro Negro e fumacento do petróleo, mas no que depender do governo de São Paulo o século XXI será o século do Ouro Verde em matéria de combustível", afirmou Serra.