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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

SP investirá R$ 15,6 milhões

Publicado em 25 julho 2000

Por Janaína Simões
SÃO PAULO - O governo do Estado de São Paulo vai investir US$ 15,6 milhões na melhoria do sistema de previsão do tempo paulista com a implementação do Sistema Integrado de Monitoramento e Previsão Hidrometeorológica (Sihesp). Os recursos previstos são apenas para a parte de infra-estrutura do projeto, que deverá estar operando no fim de 2002. "A verba já foi aprovada pelo governo, mas estamos procurando outras fontes de financiamento para dar mais agilidade ao projeto", afirma o professor Hilton Silveira Pinto, do Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Até o próximo dia 31, pesquisadores podem enviar projetos a serem executados nas áreas de meteorologia, hidrologia, recursos hídricos, agricultura e meio ambiente. Só serão válidas as propostas que, em sua execução, usem a infra-estrutura para a formação do Sihesp, como rede de radares, redes meteorológica ou hidrológica de superfície, imagens de satélites etc. As inscrições podem ser feitas na página www.cpa.unicamp.br/ Sihesp.html. As pesquisas aprovadas serão incorporadas ao projeto do Sihesp e enviadas para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que fará uma avaliação para liberar o financiamento. Outra instituição procurada foi a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal. "Como a Fapesp só pode aprovar um financiamento se houver pesquisa envolvida no projeto, já estamos levantando os possíveis estudos para obtermos as verbas necessárias para a infra-estrutura". Silveira tem mais de 15 projetos inscritos. Além da verba inicial de US$ 15.6 milhões para construção da rede de estações, compra e instalação de radares e de redes de descarga elétrica, devem ser aplicados mais recursos para a execução das pesquisas. Os investimentos podem chegar a mais de US$ 30 milhões, valor superior ao aplicado no Projeto Genoma do Câncer Humano, também financiado pela Fapesp. "O sistema será integrado em todos os sentidos. Para troca de informações, usaremos a Internet 2 e a rede de fibras óticas. A transmissão dos dados será imediata", ressalta Silveira. "Hoje recebemos os dados meteorológicos duas vezes por semana. Com o Sihesp, saberemos como está o tempo em todo o Estado a cada 15 minutos." Atualmente, em caso de previsão de enchente, por exemplo, o aviso chega para a Defesa Civil do município com quatro a cinco horas de antecedência. Com os dados chegando a cada quinze minutos, os alertas serão dados mais cedo. As delegacias agrícolas recebem alertas de geadas com 12 horas de prazo, com alto índice de acerto. No novo sistema, esse prazo aumenta para 24 horas, dando mais tempo ao agricultor para se preparar, e com o mesmo nível de precisão do sistema usado hoje. O monitoramento da situação depois de uma geada também será mais rápido. Com o sistema atual, o laudo para a geada sai depois de seis a sete horas. No Sihesp, 20 minutos depois do evento o meteorologistas já poderão dizer quais foram as áreas e plantações afetadas. O sistema irá aprimorar também as previsões sobre qualidade do ar, ressacas marítimas marés e correntes. No setor agrícola, será divulgada uma resenha meteorológica mensal, haverá aconselhamento agrícola e para irrigação para as principais culturas do Estado aviso para controle de pragas e doenças, informações sobre preparo do solo, plantio, aplicação de agrotóxico estimativa de produtividade, ponto de colheita, calendário e saneamento ecológico. Os primeiros equipamentos devem ser comprados a partir domes de outubro. "A implantação de um projeto desse porte é demorada por causa da tecnologia. Para se instalar um radar, por exemplo, demora-se dois anos", diz Silveira. A Unicamp, a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Agronômico de Campinas, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) participam do Sihesp. O Conselho de Hidrometeorologia, integrado pelo governo estadual e pelos institutos pesquisadores, gerência o projeto.