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Correio Popular online

SP investe em especialização para a cadeia sucroalcooleira

Publicado em 18 julho 2007

Por Marcelo Andriotti, da Agência Anhangüera (marcelo.andriotti@rac.com.br)

Governador anuncia, em Piracicaba, novos pólos para o desenvolvimento da mão-de-obra e da pesquisa

Durante a assinatura, ontem, em Piracicaba, do convênio entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a empresa Dedini, que juntas aplicarão R$ 100 milhões em pesquisas sobre o álcool, o governador José Serra (PSDB) anunciou investimentos para desenvolver tecnologias, formar profissionais e dar mais infra-estrutura para o setor sucroalcooleiro. No evento que abriu o 5 Simpósio Internacional de Mostra de Tecnologia da Agricultura Sucroalcooleira (Simtec), Serra disse que o aquecimento global colocou o etanol no centro das atenções e é preciso investir para não perder espaço no mercado mundial.

"O século 20 foi do ouro negro e fumacento do petróleo. O século 21 será do ouro verde do etanol", disse Serra. Além do investimento anunciado pela Fapesp e Dedini, o governador disse que serão abertas uma Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) e uma Escola Técnica (Etec) em Piracicaba.

Unidades que já funcionam em outras cidades estão oferecendo novos cursos voltados para formar profissionais especializados em áreas de interesse das usinas. Muitas delas estão investindo para formar por conta própria profissionais que estão em falta no mercado.

Serra também anunciou que estão em estudos a duplicação de trechos da Rodovia do Açúcar, que vai de Piracicaba até Salto e que, em setembro, serão anunciados mais 2,1 mil quilômetros de vicinais que serão recuperadas.

Em junho já havia sido anunciada a recuperação de outros 2,1 mil quilômetros de 152 vicinais que atravessam 199 municípios. "Sabemos que é importante recuperar essas estradas, pois a maioria delas é usada para o escoamento da cana e de toda a produção agrícola do Estado", disse o governador.

Ele também afirmou que os investimentos no setor estão sendo acompanhados de medidas para preservar o meio ambiente. Uma delas foi a antecipação da proibição da queima da cana em dez anos. O governador chegou a sugerir que a Fapesp apóie pesquisas que desenvolvam máquinas de corte de cana em áreas íngremes.

Atualmente, a máquinas que colhem cana só podem ser usadas em áreas planas e o corte manual continua sendo feita em terrenos acidentados. O problema é que o corte manual sem a queima da cana é muito mais difícil e menos produtivo para o cortador.


Pesquisa

A partir da assinatura do convênio, a Fapesp irá selecionar pesquisas nas áreas de metodologia para análise de processos de hidrólise, produção de energia, consumo de energia e rendimento de eficiência de processos. "Após a publicação dos editais sobre as linhas de pesquisa desejadas, os projetos são apresentados e analisados.

A escolha será feita por um comitê gestor formado por representantes da Fapesp e da Dedini. Da publicação do edital até a divulgação da escolha, demora-se cerca de 120 dias", disse Carlos Vogt, presidente da Fapesp.

Fapesp e Dedini investiram R$ 50 milhões cada e as pesquisas serão desenvolvidas por cinco anos. Elas serão realizadas por pesquisadores em suas instituições de ensino e pesquisa, sendo que parte dos direitos de patente dos produtos também poderá ficar para as universidades.

Na Dedini poderão ser desenvolvidos alguns protótipos dos projetos previstos para serem testados antes de colocados no mercado.

Segundo José Luiz Olivério, vice-presidente de Tecnologia e Desenvolvimento da Dedini, não há conflito em incentivar pesquisas sobre hidrólise, que produz álcool a partir de bagaço da cana e celulose em geral, e de produção de energia elétrica a partir do mesmo produto, o bagaço.

"O produtor poderá optar se a partir do bagaço ele prefere produzir mais álcool ou mais energia elétrica. Dependerá do interesse de mercado e o produtor terá mais uma opção", disse Olivério.