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SP: IB lança boletim técnico sobre nematoides no café, que reduzem em até 20% a produção, diz SAA

Publicado em 05 abril 2018

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, lançou na manhã desta quarta-feira, (04), o boletim técnico “Nematoides Parasitos do Cafeeiro”, durante a realização do Programa de Sanidade em Agricultura Familiar (Prosaf) a pequenos cafeicultores da região de Franca. O evento foi organizado pelo Instituto Biológico, em conjunto com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e teve o apoio da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), Centro Universitário Municipal de Franca (Uni-Facet) e Sindicato Rural de Franca.

A publicação, de fácil leitura e entendimento do público leigo, foi escrita por Claudio Marcelo Gonçalves de Oliveira e Juliana Magrinelli Osório Rosa, pesquisadores do IB. A obra apresenta informações sobre os nematoides das galhas radiculares (Meloidogyne spp) e nematoides das lesões (Pratylenchus spp.), e transfere conhecimento referente ao controle e a coleta e envio de amostras nematológicas.

Estima-se redução de 20% na produção cafeeira do Brasil em decorrência aos ataques severos de nematoides – vermes de corpos cilíndricos que vivem, principalmente, no solo e atacam o sistema radicular de plantas de diversas culturas.

De acordo com Claudio Marcelo Gonçalves de Oliveira, pesquisador do IB, os nematoides fitoparasitos são limitantes ao cultivo do cafeeiro, principalmente em solos arenosos, com baixa fertilidade e deficiência hídrica. Diversas espécies estão associadas à cultura do café, mas as pertencentes aos gêneros Meloidogyne e Pratylenchus são comprovadamente nocivas ao cafeeiro. “Há uma estimativa de que a redução da produção mundial de café, devido à ação de nematoides, seja, em média, de 15%. No Brasil, estima-se, aproximadamente, 20%. Em São Paulo, a importância dos fitonematoides na produção varia em função das condições edafoclimáticas das regiões, das práticas culturais empregadas e das espécies presentes nas plantas”, explica.

A região da Alta Paulista e de Araraquara, em que predominam os solos arenosos, são as mais prejudicadas, principalmente pelas espécies M. incognita e M, paranaensis, segundo Oliveira. Elas destroem severamente o sistema radicular da planta, limitando a manutenção das áreas infestadas e na implantação de novos cultivos. “Para a espécie M. exigua, os danos são observados, principalmente, em áreas altamente tecnificadas, pela queda de produção de até 45%”, afirma o pesquisador do IB.

O controle mais eficiente e econômico é a prevenção. Para isso, o agricultor precisa evitar o plantio de café em áreas infestadas e utilizar somente mudas certificadas, comprovadamente isentas de nematoides. Segundo Oliveira, o controle curativo de nematoides praticamente não erradica esses parasitos do solo, mas atua reduzindo suas populações. Entre os métodos, o que apresenta resultado mais eficiente é o uso de cultivares resistentes, com a utilização de porta-enxertos resistentes. “Outra medida é o uso de adubo verde em sistema de rotação de cultura. O consórcio de café com o uso de adubos orgânicos, como torta de mamona, contribui para melhoria da eficiência e do controle dos nematoides na área”, diz.

Oliveira disse que no campo nem sempre é possível reconhecer e diagnosticar a presença de fitonematoides apenas com a observação dos sintomas, que consistem em galhas radiculares, redução de radicelas e lesões nas raízes, por isso, é importante que o agricultor envie amostras para serem analisadas em laboratórios. O IB mantém seu Laboratório de Nematologia em Campinas, interior paulista. Anualmente, o Instituto realiza cerca de 600 análises para diagnósticos de nematoides. O IB é referência brasileira em estudos e prestação de serviços em nematologia.

Oliveira apresentou ainda os resultados obtidos nos últimos 20 anos de estudos realizados por equipe interinstitucional, envolvendo, principalmente, pesquisadores dos Laboratórios de Nematologia do Instituto Biológico e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP). Os trabalhados foram financiados pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que possibilitaram a obtenção de resultados científicos que comprovam a importância econômica dos nematoides das lesões em cafeeiro.

Prosaf

Durante os últimos três anos de treinamento do Prosaf, 1609 pessoas em 18 municípios foram capacitadas nos mais diversos do setor agropecuário, sempre com o objetivo de aproximar o conhecimento gerado nas pesquisas para os agricultores familiares, como explica Harumi Hojo, pesquisadora do IB, coordenadora do Prosaf.

“Trabalhamos a partir da demanda relatada pelos próprios produtores. São eles, junto com a Cati, Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) e as cooperativas e associações que solicitam ao IB alternativas na resolução dos problemas que estão enfrentando nas propriedades de determinada região. Os pesquisadores do Instituto identificam a praga ou doença que está ocorrendo e propõem uma dinâmica de palestras, dias de campos e os treinamentos de acordo com cada situação”, afirmou

“Ações de controle, de coleta e envio de amostras nematológicas são relatadas neste boletim procurando manter a interface constante entre a pesquisa e o setor produtivo, objetivando promover a sanidade vegetal e a sustentabilidade da agricultura familiar paulista, contribuindo para a qualidade e produtividade dos cafeeiros”, afirma Antonio Batista Filho, diretor-geral do IB.

“O Prosaf é um programa muito importante, pois leva tecnologia e conhecimento aos agricultores familiares e pequenos produtores rurais paulistas. Ele tem ação direta na melhoria das propriedades e no aumento de renda no campo, ações incentivadas pelo governador Geraldo Alckmin”, afirmou o secretário Arnaldo Jardim.

Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA/SP)