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SP: IAC expõe laranja de poupa vermelha no Fórum Inova Campinas

Publicado em 06 junho 2012

Se o pedido é um suco, o sabor quase sempre é laranja. Rica em vitamina C é figura carimbada em qualquer dieta balanceada. A novidade agora são as variedades de laranja que possuem a polpa com coloração vermelha. Isto ocorre devido à presença do carotenóide chamado licopeno, o mesmo presente nos tomates, um dos mais potentes agentes antioxidantes naturais. São essas as características da variedade de laranja Sanguínea de Mambuca, do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, exposta no InovaCampinas 2012, nos dias 11 e 12 de junho. No evento, o IAC vai expor também variedades de tangerina sem sementes, feijão, arroz arbóreo e preto, cana-de-açúcar, abacaxi em gomo e antúrio. As pesquisas do Instituto com solos e o Programa IAC de Cafés Especiais também estarão presentes.

Apesar do nome, a Sanguínea de Mambuca não faz parte da família das laranjas sanguíneas. Ela compõe o grupo das laranjas de poupa vermelha. Enquanto as laranjas sanguíneas apresentam polpa e suco com coloração parecida com a da beterraba, devido à presença da antocianina, as laranjas de polpa vermelha apresentam coloração intensa devido à presença do licopeno e de maiores teores de beta-caroteno. “A variedade apresenta de 275% a 675% mais licopeno que a laranja Pêra, que tem 0,1 mg deste carotenóide por litro de suco”, afirma o pesquisador do IAC, Rodrigo Rocha Latado.

Segundo Latado, quanto mais intensa a coloração do suco, maior valor é agregado à fruta e ao suco. “O custo de produção é o mesmo, assim como a receita, mas o consumidor prefere o suco de cor intensa. É possível agregar valor à produção das laranjas e de suco produzido no Brasil com o uso de laranjas de poupa vermelha”, diz o pesquisador, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O produtor que optar pelo cultivo da laranja Sanguínea de Mambuca não terá qualquer ônus adicional nas lavouras. A variedade é precoce e tão produtiva quanto às laranjas chamadas claras, como a Pêra. As técnicas de manejo usadas são as mesmas. Além disso, o fruto também é doce, apresenta boa qualidade para o mercado consumidor e pode ser cultivado em qualquer região do Estado de São Paulo. “Se plantadas em regiões mais quentes, como no norte do Estado, os frutos apresentarão coloração mais forte, porém, essas regiões apresentam problemas, como a estiagem mais prolongada e, atualmente, maior ocorrência de doenças que podem prejudicar a produtividade”, explica o pesquisador.

Os frutos dessa variedade ainda não estão sendo comercializados nos mercados, mas já existem pomares jovens de laranja Sanguínea de Mambuca. As árvores, plantadas há um ou dois anos ainda não deram frutos, pois o ciclo produtivo inicia-se em três anos. “Por enquanto temos experimentos somente em São Paulo, mas se houver interesse do público, é possível levar a variedade para outros Estados”, afirma Latado.

Estudos feitos anteriormente, em outros países, já identificaram que o licopeno, abundante na Sanguínea de Mambuca, pode ajudar na prevenção do câncer devido à capacidade do carotenoide de proteger moléculas, incluindo o DNA, da ação de radicais livres.

O Banco Ativo de Germoplasma de citros do IAC, o BAG, conta com mais duas variedades de laranja de polpa vermelha ricas em licopeno e em beta-caroteno: A Valência “Puka” e a Baía “Cara-cara”. Iniciativas como o melhoramento genético dessas variedades promovido pelo IAC, que, em 27 de junho de 2012 completa 125 anos de pesquisas agrícolas ininterruptas, podem abrir novas portas para o setor citrícola. Atualmente, o Brasil é o maior exportador de laranjas do mundo, representando mais de 80% das frutas comercializadas. O Estado de São Paulo é o campeão de produção do país, sendo responsável por 80% da produção nacional, seguido da Bahia, com 4%, e de Minas Gerias, com 3%.

Tangerina sem sementes

Desde 2007, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, têm disponibilizado aos produtores rurais três variedades de tangerinas sem sementes selecionadas. São elas: Clementina Nules IAC 1742, Nova IAC 1583 e Ortanique IAC 554. O IAC também disponibiliza pacote tecnológico para o cultivo das variedades. A pesquisa é pioneira no Estado de São Paulo.

Os materiais se destacam pela coloração, sabor, ausência de sementes e grande apelo comercial se comparada às tradicionais variedades comercializadas, como a Ponkan e Murcott. Além de atender às exigências dos consumidores internos, as variedades sem sementes abrem importante opção de exportação para os produtores, já que no mercado europeu, os consumidores só adquirem frutas sem sementes. Esse nicho sempre esteve no foco das pesquisas Instituto, iniciadas em 2003, sob coordenação da pesquisadora do IAC, Rose Mary Pio.

O Brasil é líder mundial em produção de laranja e exportação de suco concentrado, mas quando o negócio é fruta fresca o País não tem grande expressão. Dentre os motivos para a pequena fatia nesse mercado está a produção de frutas com grande número de sementes e qualidade nem sempre muito adequada.

O produtor que adotar os materiais deve ficar atento. O cultivo das variedades sem sementes exigem o isolamento de outras variedades cítricas, para evitar polinização cruzada.

Feijão...

No almoço ou no jantar, nenhum prato de comida brasileiro fica completo sem o arroz e o feijão. O Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, apresenta para o público do InovaCampinas nova variedade de feijão precoce, o IAC Imperador, além de variedades de arroz do IAC já consagradas: o IAC 300 e o IAC 600.

A dona de casa quer feijão com grãos graúdos, claros, com caldo espesso, mais nutritivo e que cozinhe mais rápido. O agricultor procura por variedades mais produtivas, resistentes a doenças, precoces e com alta qualidade de grãos. São justamente essas as características da nova variedade de feijão IAC, o Imperador.

O novo feijão, apresentado ao público pela primeira vez na Agrishow 2012, é precoce, com ciclo de 75 dias, e com alta qualidade de grãos. O IAC Imperador é resistente as principais doenças da cultura, reduzindo em até 30% a aplicação de defensivos e baixo tempo de cozimento. “O IAC Imperador será algo novo no mercado, pois todas as variedades precoces não apresentam a mesma qualidade de grão quando comparadas as principais cultivares de ciclo normal. O IAC Imperador é uma ótima opção aos produtores”, afirma o pesquisador do IAC, Alisson Fernando Chiorato.

A variedade desenvolvida pelo Instituto Agronômico é resistente a antracnose e tolerante à murcha de fusarium, principais doenças da cultura, o que implica na redução em até 30% na aplicação de defensivos agrícolas. Para os produtores rurais, o novo feijão tem produtividade média de 2.266 kg, sendo semelhante as outras variedades em uso. “Para atingir esse patamar, o agricultor deverá trabalhar com adubação correta, semeadura dentro do zoneamento agrícola da variedade e colheita fora dos períodos chuvosos. Altas produtividades são resultado de boa qualidade do ambiente do cultivo”, explica o pesquisador, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.

E arroz!

O IAC 300 é um arroz do tipo arbório, adequado para o cultivo no Estado de São Paulo, indicada para o preparo de Risotos, com características intermediárias entre os tipos tradicionais arbório e carnaroli que apresentam baixa produtividade e alta suscetibilidade a doenças. Esses tipos de arroz absorvem o molho através de seu núcleo branco e seu amido solta uma espécie de creme, o que caracteriza o prato italiano. A IAC 300 atende a uma grande demanda de mercado atualmente atendida por produtos importados. Para o produtor, a grande vantagem é o valor agregado, os lucros superam em mais de 200% os alcançados pelo arroz agulhinha.

Já o IAC 600 é a primeira variedade de arroz exótico adaptada para o cultivo no Estado de São Paulo. O arroz preto, como é conhecido, é consumido na forma integral, tem sabor e aroma acastanhado e ganha cada vez mais mercado. Além de pratos bastante apreciados, o arroz preto serve ao desenvolvimento de novas mercadorias que agregam valor ao produto, como o chope de arroz preto. Com alto valor agregado, a IAC 600 é altamente resistente à brusone e tem ciclo precoce, com intervalo de 100-110 dias do plantio à colheita, características que a torna economicamente atrativa.

Outros materiais expostos

Cana-de-açúcar: Nos últimos anos o IAC desenvolveu 19 variedades de cana-de-açúcar para o setor sucroalcooleiro, acompanhadas de pacotes tecnológicos que têm viabilizado a canavicultura em 11 Estados brasileiros e também no exterior.

A competitividade paulista tem sido transferida para outros países, que buscam no IAC parcerias para o desenvolvimento do setor. É o caso do México, que ao adotar variedades e tecnologias do IAC já alcançou o dobro da produtividade em seus canaviais, comparando com resultados obtidos com as variedades até então plantadas no País. Países da América Central e Angola também já mantêm contato com o Instituto com o interesse na recepção de tecnologias paulistas.

A pesquisa agrícola gerou variedades de cana mais produtivas. De 1975 a 2010, a produtividade na canavicultura saltou de 65 para 90 toneladas por hectare. Aquelas 65 t/ ha eram atingidas na média de três colheitas e hoje a produtividade de 90 t/ ha se dá em cinco cortes. A pesquisa melhorou também o rendimento industrial: antes se extraia p equivalente a 60 litros de etanol de cada tonelada de cana.

Atualmente, com o desenvolvimento de variedades mais ricas e precoces, obtém-se cerca de 90 litros na média da safra. O mesmo vale para o açúcar: no passado se alcançava 90 kg de açúcar de cada tonelada. Com as novas variedades, saltou-se para 120 kg, na média da safra.

Abacaxi Gomo-de-mel: Lançado em 2005 pelo IAC, o abacaxi IAC Gomo-de-mel não precisa ser descascado. Basta cortá-lo ao meio e retirar os gomos, que são muito doces, macios e com baixa acidez. Os gomos da variedade são amarelo-ouro, de coloração mais atraente do que os outros materiais existentes no mercado.

Antúrio:
As variedades IAC de antúrio são as mais produzidas no Brasil. Só a chamada Eidibel/IAC reúne cerca de 500 mil plantas atualmente no país, segundo Roberta Uzzo, pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas. Depois de Eidibel vêm também outras geradas no IAC, chamadas Cananéia, que é branca, Juréia e Rubi.

Apesar de o antúrio se adaptar bem às condições de temperatura predominante no território brasileiro, São Paulo é a principal região produtora de antúrio no País e o Vale do Ribeira é a maior do Estado, com cerca de 1,7 milhão de plantas.

Para o desenvolvimento da planta, o ideal são regiões com temperatura noturna mínima acima de 18ºC. As diurnas não podem ultrapassem 35ºC. A pesquisadora explica que o antúrio deve ser cultivado em locais protegidos por raios solares, variando o grau de sombreamento conforme a variedade das plantas e condições predominantes no local, sobretudo de temperatura e luminosidade.

Pesquisa científica com solo: As atuais áreas de atuação do Centro de Solos e Recursos Ambientais do IAC são: biodiversidade e manejo da microbiota e fauna do solo, mapeamento de solos e recursos agroambientais, qualidade do ambiente agrícola e sistemas integrados de nutrição de plantas.

Destacam-se as pesquisas com rotação de cultura, sistemas conservacionistas e manejo sustentável da fertilidade. O Centro atua em agricultura de precisão e indicadores de qualidade do solo. Integra a coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e participa da formação de recursos humanos, pela Pós-Graduação IAC.

Programa IAC de Cafés Especiais: Cafés especiais são aqueles que além da elevada qualidade de bebida possuem atributos sensoriais distintos e marcantes, com ênfase no sabor e aroma.

A idéia do Programa IAC de Cafés Especiais é oferecer ao setor da cafeicultura uma “carta de cafés” — opções variadas de cultivares diferenciadas pela qualidade sensorial — com possibilidade de reorientações nas pesquisas científicas que possam resultar em materiais específicos para as demandas apresentadas pelas regiões geográficas onde se pretende cultivá-los. A qualidade do café é muito sensível às variações de ambiente, às constituição genética da cultivar e à forma de processamento na pós-colheita.

Segundo o pesquisador do IAC, Gerson Silva Giomo, há potencial para produção de cafés com nuances de sabor e aroma floral, frutado, achocolatado, cítrico, entre outros. “Os resultados preliminares indicam a possibilidade de produzir cafés de altíssima qualidade sensorial que não deixam nada a desejar em relação aos especiais produzidos por outros países”, comenta o pesquisador. Para quem gosta de consumir café puro, os especiais são os mais adequados. “Quando bem preparado, é um café que se ingere puro, sem adição de açúcar, leite, chocolate ou qualquer outra coisa”, diz.

O trabalho de seleção é focado nas características qualitativas que interessam ao café especial, como tamanho do grão e qualidade de bebida. As inúmeras características qualitativas que podem ser exploradas para o desenvolvimento de cafés com qualidade sensorial diferenciada só são viáveis graças ao Banco de Germoplasma mantido pelo IAC — um dos mais completos do mundo.

O pesquisador explica que a qualidade do café depende de uma série de fatores, como genética da planta, ambiente de cultivo, manejo da lavoura e técnicas de processamento. Para cada situação, o Programa IAC de Cafés Especiais vai realizar estudos específicos para identificar a melhor combinação desses fatores que possam potencializar a qualidade e favorecer a obtenção de bebidas diferenciadas.

InovaCampinas

O Fórum Regional de Inovação, Sustentabilidade e Mostra de Negócios, Tecnologia, Oportunidade e Empreendedorismo da Região do Conhecimento, InovaCampinas, acontece nos dias 11 e 12 de junho. O evento é composto por congressos, exposições e balcões de negócios. A proposta é trabalhar com os três principais pilares da inovação: empresas, instituições de pesquisa e poder público.


SERVIÇO

InovaCampinas
Data: 11 e 12 de junho de 2012.
Local: Hotel Royal Palm Resort Campinas – Av. Royal Palm Plaza, nº 277, Jardim Nova Califórnia, Campinas-SP.
Site: http://www.inovacampinas.com/


Fonte: IAC