Notícia

Gazeta Mercantil

SP deve levar nova fábrica da Embraer

Publicado em 19 junho 2000

Por Vicente Vilardaga e José A. Bicalho - de Gavião Peixoto e Belo Horizonte
Gavião Peixoto tem boas chances. O destino da nova fábrica da Embraer deve ser conhecido hoje. A região de Araraquara, em São Paulo, é forte candidata a ficar com o investimento de US$ 150 milhões. O município que lidera a corrida para abrigar as instalações é Gavião Peixoto. Itirapina também está no páreo. "Não há hipótese de a fábrica sair do Estado", garante o secretário paulista de Ciência e Tecnologia, José Aníbal. Até o início da semana passada, a disputa pendia para Minas Gerais. A criação de um programa de financiamento de pesquisa de US$ 10 milhões por ano, pela Fapesp, virou o jogo, segundo Aníbal. Além da fábrica, para oito novos aviões, a Embraer construirá uma pista de cinco quilômetros para teste de aeronaves. NOVA FÁBRICA DA EMBRAER DEVE FICAR EM SÃO PAULO A região de Araraquara, no centro do Estado de São Paulo e às margens da rodovia Washington Luiz, é o destino mais provável da nova fábrica de aviões e da pista de cinco quilômetros que a Embraer pretende começar a operar até setembro de 2001. O município que liderava a corrida para abrigar as instalações chama-se Gavião Peixoto, tem 4,5 mil habitantes e 92% da área ocupada por plantações de laranja e de cana-de-açúcar. Itirapina, ao lado de São Carlos, também está no páreo. Gavião Peixoto, emancipado de Araraquara há três anos em plebiscito que serviu de teste nacional para as umas eletrônicas, virou a disputa pela fábrica, francamente favorável a Minas Gerais até o início da semana passada, por causa das condições topográficas, de vento, e dos benefícios oferecidos pelo governo de São Paulo para manter as operações da Embraer no Estado. "Não há hipótese de a fábrica sair de São Paulo", garante o secretário paulista de Ciência, Tecnologia, José Aníbal. "Temos vantagens logísticas, tecnológicas e de recursos humanos". A guerra pela fábrica da Embraer, que será definida provavelmente hoje, passou mais por avaliações técnicas e investimentos em infra-estrutura do que por critérios fiscais. Exportadora, a Embraer, segundo o governo paulista, não traz vantagens de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. A disposição inicial era permanecer em São Paulo, onde já opera três fabricas - duas em São José dos Campos e uma em Botucatu. Minas Gerais ganhou força pela disposição do governo de bancar a maior parte dos investimentos em infra-estrutura, incluindo o terreno e a construção da pista. Inicialmente, a oferta mineira, em cifras, era três vezes melhor que a paulista. Paraná e Bahia também fizeram propostas. A disputa pela fábrica da Embraer, que envolve um investimento de US$ 150 milhões e a geração de três mil empregos duetos, levou o governo de São Paulo a propor a criação de um programa especial, através da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp), para financiar projetos de pesquisa aeroespacial avançada. O programa pode chegar a US$ 10 milhões anuais e cobrir metade do investimento da Embraer no sector nos próximos seis anos. "Será a primeira vez que cientistas apresentarão projetos com demanda garantida no setor produtivo", afirma o diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez. Além disso, o governo comprometeu-se a criar um curso de engenharia aeronáutica na Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, para atender as necessidades de mão-de-obra de alta especialização da Embraer. Foi a contrapartida paulista para a sedutora proposta mineira. A Embraer começou a buscar um lugar para sua nova fábrica no ano passado. A consultoria Simonsen & Associados cuidou da avaliação inicial de dezenas de municípios, a maior parte em São Paulo. A lista final ficou reduzida a menos de dez nomes e incluía Uberaba, Uberlândia, Itajubá (MG), Gavião Peixoto, Itirapina, Sertãozinho (SP) e Mandaguaçu (PR). Sertãozinho tem um problema: a fumaça da queima da cana-de-açúcar compromete as operações de pintura dos aviões. Itirapina, ao lado de São Carlos, era a mais forte candidata no Estado, mas parece ter podido pontos por causa de problemas de topografia. A área em Gavião Peixoto onde se pensa instalar a fábrica tem 600 alqueires e dispensa investimentos em terraplanagem. Por causa disso, a Embraer economizaria US$ 3 milhões no projeto, segundo o prefeito do município, Alexandre Bastos, do PV. A área é quase toda cobaia por laranjais e parte dela é propriedade do Grupo Cutrale, que tem uma de suas maiores fazendas localizada em Gavião Peixoto. Segundo José Aníbal, o governo, se for necessário, pode desapropriar a área escolhida pela Embraer, onde será criado um novo distrito industrial. A Embraer buscou, desde o início, áreas afastadas em mais de dez quilômetros de centros urbanos, com acesso a rodovias, redes de distribuição de energia, de água, e próximas de universidades e centros de pesquisa. Buscavam-se também boas condições topográficas e de ventos. Mais do que uma fábrica de aviões, onde serão produzidos oito modelos destinados a uso civil e militar, a Embraer criará um centro aeroespacial, com a única pista da América Latim para vôos de ensaio. Na pista, serão feitas simulações de situações adversas de vôo, hoje realizadas pela empresa nos Estados Unidos. A Embraer tem pressa para iniciar a construção da fábrica. A empresa tem 325 pedidos e opções de venda da nova família de jatos regionais de passageiros ERJ, com 70 a 108 lugares, e sua capacidade de produção em São José dos Campos está praticamente esgotada. A partir de julho, a lei eleitoral limitará as negociações com o governo e a assinatura de convênios entre estados e municípios. O governo mineiro está na briga pelo investimento da Embraer desde janeiro. Segundo Pedro Bifano, presidente da CD1-MG, companhia que gerência os condomínios industriais de Minas Gerais, a prefeitura de Uberlândia saiu na frente de Uberaba na disputa pela Embraer ao oferecerá empresa uma área de 500 hectares e se comprometido em realizar as obras de infra-estrutura industrial. A área, hoje pertencente a uma fazenda, seria desapropriada e doada à empresa. Além disso, a prefeitura teria se comprometido também a oferecer incentivos fiscais. A disputa pela fábrica passa mais por avaliações técnicas e Investimentos em infra-estrutura que por critérios fiscais