Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

SP concentra pesquisa e tecnologia

Publicado em 08 fevereiro 2009

Num círculo que se irradia a partir do município de São Paulo está a maior concentração brasileira de empresas que lançaram produtos com inovações tecnológicas e significaram novidades para o mercado, informa a recém-lançada pesquisa Performance Econômica das Regiões Brasileiras (Perb). Não é sem razão. São Paulo detém 55,7% de todo o pessoal ocupado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de produtos nas empresas industriais brasileiras, e 61,1% dos pesquisadores em empresas que lançaram inovações.

Na capital paulista, 6,32% das empresas industriais apresentaram inovações (em 3,3% delas, com patentes nacionais); na Grande São Paulo, o porcentual foi de 5,59% (em 3,3%, com patentes nacionais); e em todo o Estado o índice foi de 4,73% (em 2,8%, com patente nacional). Na Zona Franca de Manaus, 7,96% das empresas lançaram inovações tecnológicas inéditas para o mercado, mas apenas 2,7% dos produtos tinham patente nacional, revela a pesquisa coordenada pelo economista Aurílio Caiado, da Universidade de Sorocaba.

No Rio, 4,29% das empresas apresentaram inovações, mas apenas 1% delas lançaram produtos com patente nacional. No Rio Grande do Sul, 4,04% das empresas apresentaram inovações para o mercado (em 3,8% delas, com patente nacional). As outras regiões ficaram atrás. A inovação em Minas Gerais se limitou a 1,54% das empresas; o Nordeste teve um porcentual de 1,64%. Centro-Oeste, de 1,17%.

Tudo indica que essa distância vai aumentar nos próximos anos. Na primeira Perb, que abrangia os anos 1998/2000, 53,1% dos pesquisadores contratados por empresas industriais em todo o País estavam em São Paulo; na Perb seguinte, sobre o período 2001/2003, o porcentual cresceu: 54,5% dos pesquisadores eram de São Paulo. A terceira Perb apontou que em 2003/2005, período da coleta de dados, São Paulo tinha 55,7% dos pesquisadores ocupados em P&D nas indústrias.

Pesquisadores

Consideradas só as empresas que apresentaram inovações ao mercado, São Paulo tem 16.870 graduados e pós-graduados envolvidos com P&D (61,1%). A seguir vêm o Rio de Janeiro, com quase dez vezes menos — 1.903 pesquisadores (6,9%) —, Santa Catarina, com 1.886 (6,8%), e Rio Grande do Sul, com 1.628 (5,9%).

A Perb reforça a tendência de que São Paulo seguirá concentrando indústrias intensivas de capital e tecnologia, diz Caiado. “São Paulo concentra mão de obra altamente qualificada, universidades, centros de pesquisa, laboratórios e, naturalmente, pesquisadores, e isso significa uma atração muito forte para indústrias que renovam constantemente os seus produtos”, afiança.

Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o resultado da Perb “premia o esforço que São Paulo faz”. Ele lembra que o Estado direciona 4% de seu orçamento para P&D, enquanto outros Estados destinam menos de 2%. “Três universidades estaduais, 19 institutos de pesquisa, a Fapesp, as Fatecs, tudo isso é esforço competitivo a nível mundial.”

Se a indústria paulista posiciona-se bem acima da média nacional, ela ainda apresenta índices que não impressionariam países desenvolvidos: “A intensidade de pesquisa e desenvolvimento de produtos em empresas de países europeus tem uma média de 7,7%”, observa o professor André Furtado, da Unicamp.

Cruz adverte que o grande investimento do governo estadual para desenvolver P&D na indústria tem levado o governo federal a diminuir o investimento em atividades de pesquisa em São Paulo. “Há dez anos, quase 50% do esforço do CNPq vinha para São Paulo; no ano passado, foi 27%. O mesmo tem acontecido com a Capes, com a Finep”, informa. (Da Agência Estado)