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O Serrano

SP aumentará em 50% produção de cana até 2011

Publicado em 18 setembro 2007

São Paulo deve ampliar em 50% a produção de cana de açúcar no prazo de quatro anos, caso se confirme as previsões de demanda. É o que aponta um estudo prévio do relatório elaborado pela Comissão Paulista de Bioenergia, criada pelo governador José Serra em abril com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da produção de energia limpa e renovável no Estado.

Com essa previsão, os paulistas — hoje responsáveis por 72,4% das exportações brasileiras do setor sucro-acoleiro, com faturamento de US$ 5,65 bilhões somente em vendas externas em 2006 — passariam a produzir 393,3 milhões de toneladas/ano contra a marca atual de 262 milhões.

O grupo de trabalho coordenado pelo ex-secretário do meio-ambiente José Goldenberg estima que, nos próximos anos, pelo menos 56 usinas de cana entram em operação no solo paulista. "O desafio é implantar essas usinas de modo que não acabem causando problemas sociais e nem mesmo ambientais", esclarece Goldenberg.

Todas as usinas elaboraram projetos de instalação, que atualmente passam pelo crivo dos técnicos da secretaria da Agricultura. O zoneamento ecológico e econômico é necessário para evitar investimentos dos usineiros em regiões como a do Vale do Ribeira, que abriga 61% da Mata Atlântica remanescente no Brasil e conta com áreas consideradas pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade. O fato de aumentar a produção no Estado, acredita o ex-secretário, não significa necessariamente crescimento da área plantada da cana na mesma proporção.

"Há um estudo social e ambiental para que a expansão seja feita de forma sustentável", acrescenta Goldenberg, que coordena profissionais de seis secretarias de estado (Desenvolvimento, Planejamento, Saneamento e Energia, Agricultura, Transportes e Meio Ambiente) e representantes das três universidades paulistas e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Outra pauta discutida nas reuniões da Comissão paulista de Bioenergia é a possibilidade de aumento de desemprego com a mecanização da colheita de cana de açúcar. Segundo Goldenberg, não há razões para temer o desemprego com as novas tecnologias. "Essa preocupação foi dissipada. A própria expansão garantirá os novos empregos", prevê Goldenberg. "Em alguns locais estão faltando motoristas para operar os novos equipamentos motorizados", completa.

Além do crescimento da produção de cana, o potencial de São Paulo para produzir eletricidade por meio do bagaço de cana também foi um dos pontos tratados nos 12 encontros da Comissão de Bioenergia ocorridos desde abril. "Essa matriz energética pode ser uma saída para a crise de energia elétrica que deve atingir o setor em 2011", antecipa o ex-secretário.

Há uma semana, o governo do Estado e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) assinaram um protocolo que visa facilitar os contratos entre usinas produtoras de energia elétrica a partir de biomassa e biogás e as distribuidoras. O protocolo foi a primeira sugestão da Comissão de Bioenergia.

Para Goldenberg o pioneirismo paulista com investimentos em pesquisas há pelo menos três décadas, por meio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do próprio IAC (Instituto Agronômico de Campinas) asseguram a liderança do Estado nesse setor. "A competitividade do Estado de São Paulo não existe em qualquer parte do mundo. O risco de perder a liderança é pequeno, sobretudo pelos investimentos em pesquisas", atribui.

Segundo estimativas do diretor do Centro de Cana do IAC, Marcos Landell, países como México e Paraguai precisariam de pelo menos mais 15 anos de estudos para chegar ao patamar paulista, hoje com 4,2 milhões de hectares de cana plantada, ou 15% da área utilizada para agricultura no Estado. Ao todo, são 3,4 milhões de hectares em produção e outros 821 mil em áreas novas.

Os investimentos em pesquisas renderam bons frutos aos produtores com o crescimento na capacidade de produção. Os números comprovam. Há 30 anos, com uma tonelada de cana se tinha 90 quilos de açúcar. Hoje, com a mesma quantidade, é possível atingir 120 quilos. Com essa mesma quantidade de cana se produz 90 litros de etanol contra os 60 litros produzidos há três décadas.

O coordenador da Comissão paulista de Bioenergia José Goldenberg informou que o prazo de seis meses para apresentação do plano de ação das entidades da administração direta e indireta necessários ao desenvolvimento da bioenergia em São Paulo será rigorosamente cumprido.

A comissão vem elaborando desde abril um relatório que será entregue ao governador José Serra com um conjunto de recomendações e propostas para a ampliação da produção de bioenergia. Segundo o ex-secretário do Meio Ambiente, na atualidade 56 projetos de expansão da produção do etanol estão sendo analisados.

Com o plano, o governo estadual espera garantir a produção, transporte, distribuição e uso de fontes renováveis de energia. "Antes mesmo de o relatório ficar pronto já estamos tomando algumas medidas como a de incentivar a produção de energia com o bagaço da cana", resume Goldenberg. "Todo o esforço tem sido no sentido de identificar gargalos para que sejam sugeridas políticas para solucioná-los", acrescenta.