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SP: Arnaldo Jardim reforça apoio da Secretaria à pesquisa para o avanço de iniciativas de controle biológico

Publicado em 29 fevereiro 2016

São Paulo/SP - O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, destacou nesta segunda-feira (29), a importância da pesquisa para o desenvolvimento do controle biológico na agricultura brasileira. Durante a abertura de workshop sobre o tema promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o titular da Pasta lembrou que o governo paulista investe cada dia mais na geração do conhecimento, com iniciativas de referência sendo desenvolvidas pela Secretaria.


O workshop “Desafios da Pesquisa em Controle Biológico na Agricultura no Estado de São Paulo” contou com programação durante todo o dia na capital paulista para discutir perspectivas, possibilidades e avanços conquistados no controle de pragas com o uso da própria natureza. A inovação tecnológica surge como ponto predominante nesse processo.

Para Arnaldo Jardim, o controle biológico está em sintonia com as principais diretrizes da Secretaria, que, orientada pelo governador Geraldo Alckmin, “sempre busca a saudabilidade dos alimentos e a produção agropecuária em sintonia com o meio ambiente. É nesse contexto que faremos este debate aqui hoje. Tenho certeza de que será um dia muito produtivo. É um momento que poderá deflagrar todo um conjunto de iniciativas”, ressaltou.

A importância da constante busca tecnológica pelo aprimoramento do controle biológico também foi reforçada por José Goldemberg, presidente da Fapesp. Ele pediu que o público presente, formado por acadêmicos, representantes de empresas e pesquisadores, também colaborasse nessa construção. “Seria muito importante que emanassem deste encontro novas ideias, novos projetos para os quais a Fapesp está aberta”, ponderou.

Os bioagentes são uma alternativa ao uso de produtos químicos para combate a pragas em lavouras, podendo substituí-los ou complementá-los. O evento na Fapesp pretendeu discutir os avanços já alcançados, mas também os desafios que se colocam à frente. Um deles é modificar a cultura do produtor brasileiro, acostumado ao uso de agroquímicos como primeira opção. Outro ponto a ser trabalhado é a produção dos agentes biológicos em maior escala.

Atualmente eles são fabricados em laboratórios em pequenas quantidades, mas sua produção deverá ser ampliada para atender mais interessados. “É sobre isso que nós devemos discutir: como chegar a uma solução, como podemos fazer projetos estratégicos voltados para aquelas áreas em que há potencial para controle biológico”, explicou José Roberto Postali Parra, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).

Ministrante da palestra “Situação do Controle Biológico no Brasil”, Parra observou que o uso de bioagentes é uma aposta garantida “para que nós possamos chegar a uma agricultura sustentável, que é, sem dúvida alguma, o que todos nós desejamos”.

Crescente

Diretor do Instituto Biológico (IB) da Secretaria, Antonio Batista Filho ministrou a palestra “Controle biológico com fungos em cana-de-açúcar”, trabalho já executado pela entidade, que desenvolve ainda ácaros predadores em Arujá (leias mais aqui) e neste mês fechou acordo de exportação de know-how para a Bolívia (leia mais aqui). No Brasil, o IB já transferiu seu conhecimento sobre controle biológico para pelo menos 42 entidades, sendo que atualmente estão em vigor 15 contratos.

“A população está mais consciente da responsabilidade de conseguir produtos melhores e saudáveis. Ela cobra isso e as empresas estão sintonizadas com essa cobrança. E o Instituto Biológico da Secretaria de Agricultura cumpre seu papel, que é fomentar essa inovação, pesquisar e gerar novas alternativas para o controle biológico”, disse Batista.

Uma dessas inovações é o uso de nematoides em lavouras de cana-de-açúcar, problema que vem aumentando nos últimos tempos, como explicou o pesquisador da Secretaria Luis Garrigós Leite, que palestrou sobre “Nematoides entomopatogênicos”. Como ficam escondidos na raiz, embaixo da terra, nem todo produto químico consegue chegar lá para eliminar a praga.

Leite detalhou que “os nematoides são organismos de solo e têm maiores chances de matar os insetos que estão na raiz. Não adianta usar algo que não vai chegar até a raiz”. Esse é um campo de estudo relativamente mais recente comparado com os outros agentes que já vêm sendo explorado no Brasil. Em outros países, esses nematoides já são usados comercialmente há mais de 30 anos.

O pesquisador lembrou que os estudos brasileiros sobre esse agente são feitos há 15 anos, sendo que a Secretaria possui condições de transferir essa tecnologia para empresas que queiram explorá-la comercialmente.

Como a recém-criada empresa do jovem Otto Heringer, que foi ao workshop com seu sócio “para acompanhar o que está sendo discutido, encontrar oportunidades e fazer contatos. O controle biológico sem dúvida veio para ficar”. Ele explicou os motivos que o levaram a entrar no setor: “boa parte da nossa economia é agropecuária. O contexto de mercado nos fez entrar nesse setor. É ótimo para investir”.

Fonte: SAA