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Jornal da Unesp online

Sorocaba apresenta trabalhos em Simpósio na Índia

Publicado em 24 janeiro 2008

Docente participa com pesquisas que avaliam poluição ambiental

A UNESP Sorocaba será umas das representantes do Brasil no Simpósio Internacional sobre Geociência, Meio Ambiente e Tecnologia a ser realizado entre os dias 12 e 14 de fevereiro no Indian Institute of Technology (IIT), na Índia. O professor André Henrique Rosa apresentará três trabalhos.

O evento terá como sede o campus de Kharagpur do IIT, o mais antigo dos sete que compõem a rede de universidades autônomas considerada modelo pelos indianos. O tema central é "Utilização do Geoespaço como Solução para Ambiente e Energia" e, embora a reunião seja uma parceria entre Índia e Coréia do Sul, foram aceitos também trabalhos acadêmicos de pesquisadores de outros países.

Rosa, do Departamento de Engenharia Ambiental, levará três trabalhos: "Uso de sistema de informação geográfica com enfoque na análise da qualidade da água e no uso da terra em reservatórios de São Paulo"; "Mapeamento da poluição do solo por classificação Fuzzy e análise espacial" e "Desenvolvimento de metodologia 'in-situ' para caracterização de espécies metálicas em sistemas aquáticos".

O primeiro, resultado de projeto de pesquisa financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), baseia-se num estudo que analisou características físicas e bioquímicas da Represa de Itupararanga, no município de Votorantim, e cruzou os dados obtidos com os de imagens de satélite de uso da terra dos arredores do reservatório.

"Em sete pontos aleatórios da represa coletamos amostras de água para análise em laboratório, de 12 parâmetros, e, para outros 4 (pH, temperatura, condutividade e oxigênio dissolvido), realizamos a medição 'in situ' mesmo", relata o professor Rosa. "Para o processamento das imagens utilizamos o software IDRISI 32 e um método de classificação baseado em lógica Fuzzy, que admite valores lógicos intermediários entre a falsidade e a verdade."

Além de André Rosa, coordenador do trabalho, também houve a participação dos docentes Manoel Enrique Guandique, Marcela Peçanha, Roberto Lourenço e Viviane Carlos, da UNESP Sorocaba, além do professor Nobel Penteado, da Universidade de Sorocaba (UNISO). Também colaboraram os bolsistas (PIBIC/CNPq e CNPq) Ângelo Juste e Silva, Bruno Rocha, João Moretti, João Gilberto Duarte e Samuel Barsanelli Costa, todos alunos do curso de engenharia ambiental.

Segundo o pesquisador, embora a qualidade da água ainda seja considerada boa, verificaram-se alterações nos seus parâmetros. Os valores de coliformes totais e fósforo, por exemplo, mostraram-se acima dos padrões estabelecidos pela legislação. "Constatamos que amostras de áreas próximas às fontes dos dois principais rios que alimentam o reservatório, localizadas próximas à área urbana, apresentaram para alguns parâmetros, valores acima da média, como turbidez, demanda química de oxigênio (DQO), coliforme fecal e concentração de nitrogênio e fósforo, e, para outros, valores abaixo, como oxigênio dissolvido (OD)".

Os resultados indicam que os principais problemas ambientais na área estudada estão relacionados ao uso da terra no entorno da represa. "Ao final do projeto, esperamos que os resultados obtidos sirvam como base para ações de planejamento voltadas à redução da degradação ambiental e à gerência integrada desse importante reservatório", ressalta o pesquisador.

O segundo artigo que Rosa apresentará, fruto de uma parceria entre os departamentos de Engenharia Ambiental da UNESP Sorocaba, de Geologia Aplicada da UNESP de Rio Claro e do Instituto Nacional da Amazônia, baseia-se num estudo que avaliou a poluição do solo em uma área de 572 km² do Litoral Sul de São Paulo, combinando geoestatística com lógica Fuzzy.

O estudo mostrou que as principais fontes de poluição de metais estavam próximas às áreas com atividades industriais de petroquímica e de fertilizante. Para o coordenador do estudo, o professor Roberto Wagner Lourenço, "a união da geoestatística com a lógica Fuzzy gerou resultados que dão uma visão privilegiada da avaliação de risco da poluição ambiental na área estudada".

Já o terceiro trabalho, realizado com financiamento da FAPESP, propõe uma nova metodologia para avaliação da contaminação de metais em sistemas aquáticos. Ela permite avaliar de forma mais realística a toxidez de espécies metálicas. "Atualmente, para a avaliação de espécies metálicas em mananciais têm sido consideradas apenas as concentrações de metais total e dissolvido, não levando em consideração a labilidade (reatividade) das espécies metálicas", explica Rosa.

Para o docente, o novo procedimento analítico desenvolvido poderá contribuir para aprimorar o monitoramento e a avaliação da qualidade de águas superficiais. Também participam neste trabalho as alunas de doutorado Danielle Goveia e Fabiana Lobo, bolsistas do CNPq, IQ-UNESP, e o docente. Leonardo Fraceto, também da UNESP Sorocaba.


Eduardo Bernardo de Oliveira

Bolsista Universia/ UNESP / Sorocaba