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MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

Soro contra veneno de abelha aguarda aprovação da Anvisa

Publicado em 07 julho 2010

O Brasil está prestes a ser o pioneiro na produção de soro contra veneno de abelha. Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo , aguardam a aprovação do produto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para distribuição nos hospitais da rede pública de saúde. Desde 2000, especialistas estudam o soro, que recebeu patente este ano.

Quando uma pessoa é picada por muitas abelhas, imediatamente os rins, fígado e coração são atingidos pelo veneno. Hoje, o socorro é realizado nas emergências dos hospitais com analgésicos, controle de sangramento e, em alguns casos, com hemodiálise. A bióloga Keity Souza, da Universidade de São Paulo (USP), explica que mundialmente não é conhecido nenhum tratamento específico para veneno de abelha.

"Essas medidas são paliativas e não interrompem a circulação do veneno no sangue", diz a pesquisadora. Keity explicou ainda que, em situações mais graves, o ataque pode ser fatal em conseqüência de insuficiência renal. Ela lembra que o soro será utilizado só em casos em que a vítima tiver sofrido mais de 50 picadas.

No Brasil, são registrados cerca de 15 mil acidentes com abelhas por ano. No estado de São Paulo, em 2006, foram contabilizados 3.500 acidentes, com 17 mortes. Este ano, três pessoas faleceram no estado devido a ataques do inseto.

Pesquisa

A bióloga identificou todas as proteínas do veneno das abelhas em seu doutorado no Laboratório de Imunologia, da Faculdade de Medicina da USP. A equipe de produção de soros do Instituto Butantan injetou o veneno em cavalos para que desenvolvessem anticorpos, moléculas capazes de neutralizar o veneno. Em seguida, a eficácia dos anticorpos retirados dos cavalos foi testada por Keity. Os pesquisadores já produziram 80 litros de soro, que é administrado por via intravenosa. Cerca de 20 mililitros (ml) tem a quantidade suficiente de anticorpos capazes de neutralizar os efeitos do veneno.

Keity teve orientação do professor Mário Palma, do Instituto de Biociência da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), em Rio Claro. As parcerias foram promovidas pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) que envolve estudos nesta área. As pesquisas tiveram aporte de R$ 3 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT).