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SONHOS SÃO "ÚTEIS"

Publicado em 23 julho 2004

A falta de métodos quantitativos e hipóteses testáveis desacreditou, perante a ciência, as teorias de Sigmund Freud (1856-1939) e Carl Jung (1875-1961) sobre a utilidade dos sonhos. Mas, depois de quase um século de distanciamento e rejeição, estudos recentes têm confirmado que os insights psicanalíticos tinham fundamento. Um deles se refere aos "restos do dia", conceito proposto por Freud para explicar a aparição no sonho de elementos vindos de experiências vividas no dia anterior. O segundo é o reconhecimento de que esses sonhos residuais desempenham papel importante no aprendizado e na consolidação da memória, fazendo com que as mais recentes migrem do hipocampo para o neocórtex. No artigo Sonho, memória e o reencontro de Freud com o cérebro, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, o pesquisador Sidarta Ribeiro, do Departamento de Neurobiologia do Centro Médico da Universidade de Duke, em Durham, nos Estados Unidos, se propõe a descrever a trajetória da neurociência e da psicologia experimental na comprovação das teorias defendidas pela psicanálise. A partir da compilação de trabalhos científicos. Ribeiro afirma que "existe sólida evidência de que a reativação neural durante ú sono provoca o processamento neuroflsiológico e gênico das memórias recentes, explicando o papel do sono e sobretudo dos sonhos no aprendizado". Para o pesquisador, o reencontro das teorias propostas pela psicanálise com o empirismo da ciência não é motivo de surpresa, uma vez que tanto a neuroanatomia quanto a neurologia eram de extrema importância na época da formação de Freud. (Fonte: agência Fapesp - Fundação de Amparo ao Estado de São Paulo)