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GVces - Centro de Estudos em Sustentabilidade

Soluções sustentáveis

Publicado em 20 agosto 2009

Por Fabrício Marques

Pesquisadores de vários países vão se reunir em cinco lugares do planeta - na Malásia, na África do Sul, no Brasil, nos Estados Unidos e na Holanda - para discutir a viabilidade da produção de biocombustíveis em larga escala e em nível mundial e buscar um consenso científico sobre o assunto. Na pauta dos debates, que começarão no final deste ano e se estenderão até meados de 2010, há tópicos obrigatórios, como os desafios tecnológicos para obter etanol a partir de celulose a custos competitivos, a possibilidade de replicar em outros países o bem-sucedido caso do etanol de cana brasileiro e o temor de que a concorrência dos biocombustíveis comprometa outras culturas agrícolas. "A maioria das análises que envolvem energia proveniente de biomassa levou em conta variáveis econômicas já estabelecidas. Nenhuma explorou em detalhes e em escala global o que poderia ser alcançado através de mudanças que estimulem a coexistência da produção de alimentos e de biocombustíveis", diz o professor de engenharia Lee Lynd, da Thayer School of Engineering, Dartmouth College, um dos líderes do programa e estudioso do etanol de celulose desde 1987. "Embora exista uma relutância natural em aceitar mudanças, devemos fazer um esforço nesse sentido, pois a humanidade não terá um futuro seguro e sustentável seguindo as práticas atuais", afirma.

Serão discutidas alternativas capazes de multiplicar a produção sustentável de energia a partir da biomassa, tais como o aproveitamento de terras degradadas e de pastagens, além do aumento da eficiência dos processos de conversão de energia. Além de Lee Lynd, participam do comitê diretor do projeto Tom Richard, professor de engenharia agrícola e diretor dos Institutos do Estado da Pennsylvania de Energia e Meio Ambiente, e Nathanael Greene, diretor de políticas para energias renováveis da entidade ambientalista Natural Resources Defense Council. As cinco reuniões serão supervisionadas por um comitê organizador composto por 11 membros. Há dois representantes brasileiros neste grupo: os físicos José Goldemberg, reitor da Universidade de São Paulo (USP) entre 1986 e 1990 e pioneiro nos estudos sobre a sustentabilidade do etanol de cana, e Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

A primeira etapa do projeto será cumprida com os encontros nos cinco países. A reunião inaugural ocorrerá em novembro, na Malásia, e as demais devem acontecer entre fevereiro e maio de 2010. Entre os estudos científicos que subsidiarão os debates, há dois artigos brasileiros. Um deles, assinado por José Roberto Moreira, professor da USP, trata do potencial da energia extraída da biomassa para estratégias de adaptação e mitigação das mudanças climáticas. O segundo, do físico da Unicamp Rogério Cerqueira Leite, mostra que o Brasil, sem contar com os avanços tecnológicos que virão, poderia fornecer etanol suficiente para substituir 5% do consumo mundial de gasolina em 2025 - utilizando somente 7% das áreas agrícolas disponíveis hoje no país

Numa segunda etapa, os pesquisadores vão se debruçar sobre a seguinte questão: será fisicamente possível atender a demanda mundial por mobilidade e geração de eletricidade a partir de fontes vegetais sem comprometer necessidades da sociedade global como a alimentação humana, a preservação da natureza e a manutenção da qualidade ambiental? A terceira etapa do projeto irá analisar a implementação de questões técnicas, sociais, econômicas, políticas e éticas com o objetivo de desenvolver estratégias para uma transição para uma sociedade sustentável responsável.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP