Notícia

O Liberal (PA) online

Sol também é saúde

Publicado em 17 julho 2005

Por Cláudia Melo

Na dose certa, fortalece os ossos e combate várias doenças. Também nesses casos, o uso do protetor solar e a moderação à exposição são indispensáveis.

Justiça seja feita: na medida certa, e só assim, o sol é bom e faz muito bem para a saúde. Afinal, sem o astro rei não haveria vida na Terra. Mas para tirar o melhor dele, é preciso estar bem informado sobre sua capacidade de regular o nosso metabolismo e, principalmente, suas ações físicas e psíquicas.
O sol tem tanta relação com o emocional humano que não é à toa que a estação do verão mexe tanto com a auto-estima. Neste época do ano, é fácil constatar que as pessoas ficam mais dispostas. Um dos motivos é porque a radiação solar adequada proporciona bem-estar e relaxamento físico.
O contrário pode ser percebido nos países onde o inverno é muito longo e, na maior parte dia não há iluminação solar. É comum, nesses lugares, que as pessoas sofram com a chamada "Síndrome da Desordem Afetiva Sazonal", um tipo de transtorno relacionado à falta de luminosidade diurna, que causa depressão. Entre as conseqüências da síndrome, estão o aumento nos índices de suicídio e alcoolismo, no final do inverno.
Mas essa sensação agradável e de bem-estar que se sente quando exposto à luz ultravioleta pode ser atribuída a mais do que um fator psicológico. A exposição ao sol, ou em equipamentos UV, de acordo com alguns estudos americanos, libera beta-endorfina, responsável pela sensação de conforto e bem-estar. As pesquisas revelam ainda que os equipamentos de emissão ultravioleta (UV) são os únicos recursos conhecidos contra a desordem afetiva sazonal.
Da mesma forma que faz bem para o humor, o sol tem ainda várias propriedades indispensáveis para o organismo humano. A comprovação está no estudo "Fontes Disponíveis de Vitamina D" (Avaliable Vitamin D supllies) realizado pelo médico Michael Holik, diretor do Centro de Estudos de Pele e Ossos da Universidade de Boston-EUA. Segundo a pesquisa de Michael Holik, relatos revelam um aumento significativo na taxa de vitamina D após sessões em equipamento de emissão UV, "o que torna o sol fundamental à regulação do metabolismo do cálcio e do fósforo necessários aos ossos, através da produção da vitamina D".
A falta de exposição aos raios solares, afirma a pesquisa, está associada à deficiência de vitamina D no corpo, o que pode levar a problemas como deficiência no crescimento e calcificação dos ossos e conseqüente formação de raquitismo e osteoporose.
Mas saber tirar o melhor do sol e na hora certa, para o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, seção Pará, Fernando Carneiro, deve ser um cuidado diário. No caso da vitamina D, ele lembra, que os raios ultravioleta são importantes para fixação do cálcio. "Mas sem esquecer que hoje está comprovado que basta, apenas, se expor ao sol dez minutos duas vezes por semana, sempre usando filtro solar," lembra. Outro detalhe importante é que as radiações ultravioleta B (UVB), das 10 às 15 horas, são mais indicadas para garantir a síntese da vitamina D, necessárias para a fixação do cálcio.
Além disso, Fernando Carneiro explica que a luz solar pode ter efeitos terapêuticos em doenças como o vitiligo e psoríase. No caso do vitiligo, caracterizada pela despigmentação da pele, dependendo do estágio, indica-se que o paciente tome, no mínimo, meia-hora de sol por dia. Mas sempre lembrando que o uso de filtro solar adequado na pele despigmentada é fundamental para proteger de queimaduras e do dano solar a longo prazo
Já à psoríase, uma doença inflamatória da pele, que afeta 1 a 2% da população mundial, indica-se também a exposição moderada ao sol e a hidratação contínua da pele para a maioria dos pacientes.
Outra indicação do uso moderado do sol é para mulheres com câncer de mama que têm decifiência de vitamina D. Um estudo realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer mostra que é importante a paciente tomar dez minutos de sol por dia, associado ainda ao consumo de peixe.
Nada de excessos e na medida exata
Para transformar o sol em um aliado, é preciso saber desfrutar dele. O primeiro passo é respeitar sempre os horários e o tempo de exposição. Logo, engana-se quem pensa que vai ganhar um belo bronzeado se ficar torrando embaixo do sol entre 10 e 16 horas.
Segundo a dermatologista e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Rossana Veiga, para a pele "dificilmente o sol é bom", mas entre 10 e 16 horas é pior. "Porque é nesse horário que os raios infravermelhos costumam causar queimaduras e estimular o surgimento do câncer de pele", explica. Ela também aponta como grave certos comportamentos onde as pessoas querem cada vez mais buscar um bronzeado de forma "acumulativa e exagerada". "Nenhum bronzeado é saudável", diz reiterando que o ideal mesmo é ficar o menos possível exposto ao sol.
Outra dica para o sol não se transformar em vilão é jamais sair de casa sem antes passar filtro solar fator 15, principalmente nas mãos, rosto, colo e braços. Na praia, o protetor ideal é o 30 FPS, que deve ser sempre espalhado por todo o corpo. A pele deve estar limpa e o protetor deve ser reaplicado a cada duas horas. Para as crianças, a proteção solar é de fundamental importância. Entre os motivos, está o fato de que até os 18 anos de idade, o tempo de exposição solar é maior do que no restante da vida. Crianças menores de seis meses não devem usar protetor solar e podem ser levadas ao sol desde que moderadamente, no horário adequado e cercadas das demais medidas de proteção solar, como roupas leves e guarda-sol. Já as maiores de seis meses devem observar o horário adequado de exposição solar, e usar regularmente um protetor solar, obedecendo a maneira correta de aplicação e, assim que possível, usar chapéu e óculos escuros.
Uma medida de fácil execução e que contribui para a proteção solar em crianças é não permitir que elas fiquem sem camisa no sol. Pelo contrário, devem usar roupas que cubram boa parte da pele exposta.

Principais cuidados
Horário: evite exposição solar entre 10 e 16h, pois nesse período os raios ultravioletas são mais intensos.
Filtro solar: use regularmente um protetor solar com FPS mínimo de 15, o qual deve ser aplicado aproximadamente 30 minutos antes da exposição ao sol e deve ser reaplicado a cada 2 horas de exposição contínua, após mergulho, exercício ou suor excessivo. Use também protetor solar para os lábios.
Roupas: a maioria das roupas absorve ou reflete os raios UV, mas roupas brancas confeccionadas em malha frouxa e roupas molhadas e aderidas à pele não protegem adequadamente. Qualquer roupa é melhor que nenhuma, mas quanto mais apertada a tecedura, maior será a proteção.
Chapéu: com abas contribui na proteção solar de áreas particularmente propensas a uma exposição solar intensa, como os olhos, orelhas, rosto, pescoço e nuca.
Óculos de sol: a exposição solar pode causar catarata e outros danos oculares. Por isso, o uso de óculos com 99-100% de proteção UV protege os olhos dos danos da radiação solar.
Sombra: ficar à sombra ou debaixo do guarda-sol são medidas benéficas, mas não são suficientes, já que a radiação solar reflete na água, areia, concreto e acaba atingindo até mesmo os que estão à sombra.