Notícia

Agência C&T (MCTI)

Software reduz custos dos cuidados com a diabete

Publicado em 12 janeiro 2008

Lançado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, o GlicOnline, software que calcula as doses de insulina a serem administradas para pacientes diabéticos pode representar uma economia considerável nos gastos com os cuidados com a diabete.

A perspectiva tem como exemplo a experiência do médico Kléber Tavares, que administra o Hospital Domiciliar, em Belo Horizonte (MG), e percebeu uma redução de 18% nos gastos de seus pacientes com complicações decorrentes da diabete depois da adesão ao sistema, em junho do ano passado.

"Com o controle da glicemia, não tem complicações, então diminuem as internações, as complicações renais, de retina, infartos, derrames", avalia Tavares. "Aumentou a liberdade e melhorou a qualidade de vida do paciente".

O controle glicêmico (controle de 'açúcares' no sangue) é uma das preocupações do paciente diabético para evitar complicações crônicas como as cardiovasculares, que, em muitos casos, pode levar a morte. O GlicOnline, experiência pioneira no mundo, informa em tempo real as doses corretas de insulina de acordo com as informações fornecidas pelo paciente, em um cálculo de previsão dos níveis glicêmicos que, feito à mão, costuma chegar a resultados imprecisos que influenciam na administração incorreta da insulina.

"Em clínicas particulares e para planos de saúde, certamente representará uma economia", prevê Tavares. Um dos idealizadores do GlicOnline, Floro Dória, acredita que possa existir interesse entre vários grupos no mercado, como a indústria produtora de insulina, as operadoras de telefonia celular e operadoras de plano de saúde. Dória e a equipe que trabalhou no desenvolvimento do software estão negociando com várias empresas desses segmentos para difundir a ferramenta. "É uma questão de utilidade pública, e, para eles, uma redução de custo", afirma o empresário.

Estimativa

Estimativa da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) dá conta de que existem entre 8 e 10 milhões de diabéticos no Brasil. O custo da doença, avalia a presidente da entidade, Marília de Brito Gomes, é subestimado por não haver no Brasil estudo recente e amplo sobre a doença, que considere as variáveis que podem até dobrar o gasto em casos de complicações e internações, não raras. Mas a experiência ainda nova de Tavares em Belo Horizonte e os resultados obtidos no HC de São Paulo têm animado os idealizadores. "Pretendemos chegar até o SUS (Sistema Único de Saúde), mas a negociação precisa ser bem feita", considera Dória.

O GlicOnline resultou de um projeto desenvolvido no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (USP) e contou com financiamento de R$ 500 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A equipe que desenvolveu o sistema é composta por médicos, arquitetos de sistemas, nutricionistas e administradores, além dos próprios pacientes para tornar a interface do sistema clara e funcional. "A gente criou o modelo de negócio de maneira a não aumentar o custo que ele (o paciente) já tem", explica Dória. Mesmo correndo para difundir o software, Dória garante: "não temos intenção de lucrar com isso. O GlicOnline foi desenvolvido pra ajudar e melhorar a qualidade de vida do diabético" (AE).