Notícia

Empreendedor

Software rastreador

Publicado em 01 maio 2007

Programa da Nexus cadastra as tubulações e identifica com precisão qualquer vazamento na rede

Bilhões de litros de água tratada são perdidos todos os anos no Brasil por vazamentos e rachaduras nas tubulações. A média de desperdício ultrapassa os 50% em algumas regiões, e seria necessário desenterrar quilômetros de canos para encontrar a falha — tarefa impossível para as concessionárias. Para reduzir as perdas, a empresa Nexus, ex-incubada no Cietec, desenvolveu um software para monitorar os sistemas de abastecimento. O programa cadastra as tubulações e é capaz de identificar com precisão qualquer vazamento na rede. O resultado é economia de água, tempo e dinheiro para fazer os reparos.

 

A tecnologia já existe em outros países, mas a Nexus inovou ao desenvolver um software livre adaptado às características do Brasil. "Aqui, temos caminhões-pipa, no exterior, não. Aqui, temos favelas, eles não têm. Tivemos que desenvolver uma tecnologia para resolver problemas exclusivos do nosso país", diz José Pinheiro, diretor da empresa.

O programa não é comercializado. A Nexus faz parcerias com os clientes e negocia apenas a implantação do sistema. Os mapas localizam os vazamentos e mostram que investimentos devem ser feitos para reduzir as perdas. A empresa começou a investir no sistema há três anos e meio, e há apenas seis meses oferece o software com a tecnologia Terralib, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O projeto foi desenvolvido com financiamento da Finep, Fapesp e CNPq.

Há quase dez anos trabalhando com sistemas de saneamento, a Nexus identificou a oportunidade pelas dificuldades do setor. "Víamos que as empresas precisavam cadastrar as redes, mas não tinham condições de implantar os softwares disponíveis no mercado em função dos custos", diz Pinheiro. A tecnologia de código aberto reduziu os custos em 50%, que antes eram gastos com a compra das licenças. Segundo Pinheiro, se tivesse que comprar licenças, a despesa com software de uma estatal de grande porte chegaria a R$ 1 milhão.

As pesquisas foram desenvolvidas em Votuporanga (SP), escolhida como cidade piloto para implantação do programa. O trabalho é recente, mas já foi possível diferenciar as tubulações construídas com amianto, ferro fundido e outros materiais, e identificar os pontos fracos da rede. "A Saev (Superintendência de Água e Esgoto de Votuporanga) queria trocar as tubulações de cimento amianto, que costumam dar mais problemas, mas eles não sabiam nem quantos quilômetros de rede foram construídos com esse material. Fizemos o projeto e entregamos os relatórios", diz Pinheiro.

A meta da empresa é ser referência nacional em monitoramento de redes de abastecimento e chegar a todos os municípios do país. Para atingi-la, a Nexus aposta em parcerias com empresas de engenharia para difundir o sistema. Uma das condições para firmar os acordos é que as empresas beneficiadas não comercializem o software.

Apesar de reconhecer a função social que sua empresa tem, Pinheiro não perde de vista seus objetivos como empreendedor. "Temos a plena consciência de que somos uma empresa e visamos ao lucro, queremos crescer e ser fortes no mercado. Mas sabemos que temos uma responsabilidade muito grande, porque viabilizamos algo que há anos as concessionárias de abastecimento não conseguiam implantar", diz.