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Paraíba

Software desenvolvido pela Unicamp e UFCG ajuda na conservação de hortaliças

Publicado em 16 janeiro 2008

A circunstância é raramente factível, mas a melhor fruta é a que se come no pé, como sabem os que já o fizeram. Mesmo após a colheita, a atividade metabólica de frutas e hortaliças continua, alterando-lhes a qualidade, até a perda do valor comercial. O amadurecimento e o envelhecimento de frutas e hortaliças frescas são inevitáveis e independentes do método de conservação. A velocidade desses processos é que pode ser reduzida, preservando os produtos por mais tempo. É o que se faz nos sistemas de refrigeração com o controle da temperatura e umidade relativa do ar, pois de cada produto se conhece os gradientes de temperatura e umidade relativa adequados para a conservação após a colheita.

Com o objetivo de fornecer à comunidade acadêmica e ao setor produtivo uma ferramenta prática de auxílio a processos e tecnologias de pós-colheita de frutas e hortaliças, já esta disponível para download o software CoolSys. O projeto, coordenado pela professora Barbara Teruel Mederos, do Conselho Integrado de Infra-Estrutura Rural da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, foi desenvolvido por uma equipe de professores e alunos de graduação e pós-graduação das engenharias agrícola e química da Universidade, do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e está registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi).

A faculdade congrega docentes e alunos de pós-graduação que atuam na tecnologia de pós-colheita, reunindo linhas de pesquisa e projetos voltados para o desenvolvimento, aprimoramento e aplicação de tecnologias na agricultura brasileira.


Processos

Após a colheita, torna-se indispensável estabelecer uma adequada cadeia do frio para que frutas e hortaliças mantenham a qualidade e sejam comerciáveis por maior tempo. A cadeia do frio é constituída pelo conjunto de sistemas e operações que mantêm o produto sob condições de temperatura e umidade relativa dentro dos limites recomendados depois do beneficiamento e até a comercialização. Com isso, se diminui a taxa respiratória e a degradação enzimática, reduz-se a velocidade de desenvolvimento de fungos, a produção de etileno, acelerador natural do amadurecimento, e a perda de água (massa), que afeta a aparência, o sabor, o aroma e a textura. O processo garante produtos mais adequados para o processamento e manuseio.

A professora Bárbara explica que "o CoolSys constitui uma ferramenta que surgiu da necessidade que sentimos ao longo de nosso trabalho de fornecer uma interface gráfica para que o público acadêmico, estudantes de engenharias e o setor produtivo pudessem entender como um produto hortícola fresco se comporta quando submetido a baixa temperatura, ou seja, sob refrigeração, que é uma das técnicas mais usadas hoje para conservação desses tipos de produtos".

Ela trabalhava com uma série de modelos matemáticos e simulações que pela própria natureza são acessíveis a um público muito especifico. Então pensou, juntamente com os professores Teho Kieckbusch, da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp, Luis Cortez, da Feagri, e Antonio Gilson de Lima, da UFCG, em utilizar princípios científicos, equacionamentos matemáticos e modelos teóricos em interfaces amigáveis, disponíveis na tela do computador, acessíveis tanto para o público acadêmico quanto para o setor produtivo. Introduzindo os dados minimamente necessários, o usuário obtém rapidamente respostas aproximadas para o que aconteceria com a fruta ou hortaliça ao longo do tempo em relação à diminuição de temperatura quando submetida à refrigeração em determinadas condições, sem necessidade do experimento, nem sempre exeqüível.

Tomando como referência o limão, exemplificado em uma das telas que permite a simulação do processo de resfriamento, Bárbara esclarece: "Ao acessar o programa o usuário precisa informar o diâmetro do fruto, sua temperatura inicial, as dimensões da embalagem, o sentido da circulação do ar refrigerado em relação ao posicionamento da embalagem, a velocidade do ar, para então, obter o tempo necessário para atingir o gradiente adequado de temperatura. Falamos em gradiente porque os frutos em posições diferentes na embalagem, em relação ao sentido da circulação do ar resfriam-se em tempos diferentes e o desejável é que essa diferença seja a menor possível para que não influa na conservação do produto, uma vez que, quanto maior a temperatura, mais acelerado é o metabolismo e mais rápida a perda de qualidade".

Bárbara lembra ainda que a refrigeração não acresce qualidade ao produto, mas visa mantê-la próxima do padrão de consumo exigido pelo mercado durante um certo tempo. O programa permite inclusive determinar a temperatura do ar refrigerado ao longo do processo, que sofre aumento de temperatura enquanto os produtos resfriam.