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Software ajuda detecção do fungo da pinta preta nos citros

Publicado em 07 março 2006

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos desenvolveram um novo método para detecção precoce do fungo Guignardia citricarpa, causador da pinta preta dos citros. A doença, uma das principais nos pomares, é o principal argumento utilizado pelos europeus para barrar carregamentos de cítricos in natura do Brasil. "A doença disseminou-se rapidamente pelo Brasil nas duas últimas décadas; isso tem causado restrições na exportação de laranjas, principalmente para países da União Européia", disse Odemir Martinez Bruno, coordenador do projeto.
O sistema de detecção funciona por meio do software CitrusVis, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. A função do programa de computador, que pode ser usado com qualquer sistema de coleta disponível no mercado, é interpretar imagens das partículas do ar presente nos pomares. Os coletores obtêm as amostras do ar e as armazenam em recipientes específicos. As imagens dos recipientes são transferidas para um computador com o auxílio de um microscópio. A partir daí o CitrusVis utiliza uma série de modelos matemáticos para detectar a presença de ascósporos, a forma embrionária do fungo causador da doença.
"O software é capaz de reconhecer os ascósporos com 97% de acerto. Eles chegam a ficar no ar até um ano antes de infectar os pés de laranja. Na fase embrionária, com pouca quantidade de agrotóxico é possível eliminar o fungo", explicou Bruno. "O agrotóxico passa a ser colocado apenas nos locais mais contaminados ou em quantidades equivalentes ao número de ascósporos de cada plantação", completou. A nova metodologia, que acabou de ser patenteada pelos pesquisadores, foi desenvolvida durante o trabalho de mestrado de Mário Augusto Pazoti e contou com apoio de José Dalton Cruz Pessoa, pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em São Carlos. As informações são da Agência FAPESP de Notícias.