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Publicado em 01 novembro 2008

O capital de risco é urna excelente opção de captação de recursos e um auxiliar na gestão das pequenas empresas

 

Além de ferramentas de gestão, o que mais precisam as 450 mil empresas que nascem anualmente no Brasil são recursos para sobreviver. Um verdadeiro desafio, pois a busca de financiamentos nesse estágio sempre foi difícil, já que prevalece a desconfiança do mercado em relação ao sucesso dos empreendimentos. No entanto, o segmento de venture capital, ou capital de risco, surge como uma opção para atender a essa demanda. A modalidade, que consiste na aquisição de participação societária de empresas que apresentam chances de crescimento, está em franca expansão no País. Em resumo, significa a entrada de investimentos cm companhias cujos produtos e serviços são inovadores e que, por conta disso, têm potencial para atrair a atenção dos consumidores.

Segundo a Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP), o total de recursos em venture capital (voltado para empresas em fase de desenvolvimento) c private equity (destinados às companhias com negócios cm consolidação ou que se preparam para abrir o capital na bolsa) foi de US$ 5,6 bilhões, em 2004. Só no primeiro semestre deste ano, esse total foi multiplicado por três - US$ 17,6 bilhões -, entre recursos nacionais e estrangeiros. Para Luiz Eugênio Figueiredo, presidente da associação, contribuem para o cenário favorável a isenção de impostos para estrangeiros que investem na modalidade e o incentivo para que as seguradoras e fundos de pensão 4jartam para o mesmo caminho.

Figueiredo ressalta o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que desde 2004 encabeçam os investimentos. De 2006 para cá, o BNDES destinou R$ 220 milhões, valor que pode chegar a R$ 830 milhões, considerando a participação dos demais cotistas, Já a Finep, tem 16 fundos aprovados, que totalizam R$ 1 bilhão. Três deles são de "capital semente" fundos destinados a apoiar negócios emergentes em estágio inicial e com potencial de crescimento.

O capital venture e um investimento de longo prazo, que pode chegar a dez anos e que possui uma expectativa de retorno mais agressiva que os demais. Além de fonte adicional de capital, representa uma chance de modernização da gestão e do aumento do relacionamento com o mercado, já que passam a contar com a participação dos investidores no dia-a-dia dos negócios. A Ace Venture Capital, por exemplo, cujo foco é voltado para o ambiente digital, auxilia na estratégia empresarial, planejamento e administração financeira, assessoria jurídica, formação e treinamento de pessoal. Dona de uma carteira composta por cinco empresas c com a previsão de fechar 2008 com outra de até 15 empresas, e que absorverá investimentos de US$ 10 milhões, a Ace escolhe empreendimentos cuja maturação e de cinco anos, em media. De acordo com seu sócio. Marco Fichtner, a rentabilidade média é alta, cerca de 50% ao ano durante o período, em função do campo escolhido: a Internet. Ele diz que cm função do ganho real de renda da população, o crescimento anual nessa área varia de 30% a 50%. Como não bastasse, acredita que a tecnologia da informação está alterando a estrutura de negócios de varejo. Dessa forma, segundo Fichtner, por meio de comercio eletrônico é possível economizar com a estrutura de pontos-de-venda e ter preços mais competitivos para o consumidor. Para Márcio Spata, gerente do Departamento de Fundos de investimento do BNDES, a entrada de recursos de venture capital é uma espécie de profissionalização da gestão. Uma prática, segundo ele, bastante eficaz, considerando que cerca de 75% das empresas brasileiras são familiares. Por isso, e importante saber que a busca de aporte de capital em um fundo dessa natureza representa diminuição da autonomia na condução dos negócios. Logo, desaconselhável para quem prefere ser o próprio administrador de seu empreendimento.

Incubadoras

Muitas empresas médias e pequenas que sc destacam nos seus segmentos nasceram em incubadoras. A PV Inova, por exemplo, criada há três anos no Instituto Génesis, incubadora da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), lançou o Télo, telefone público veicular para os passageiros sc comunicaram de dentro do ônibus, trens ou metrô, e o Télo Track, sistema automatizado de gestão de frotas de ônibus públicos. Segundo André Averbug, um dos sócios, os primeiros recursos vieram de um "investidor anjo" (pessoa que aplica recursos em um negócio promissor). O dinheiro foi importante para que se chegasse ao protótipo do Télo. Um ano depois, um grupo de oito investidores injetou mais recursos e recentemente uma pessoa do ramo imobiliário resolveu apostar no início da operação. "Os recursos atingiram U$ 700 mil reais”, disse Averbug. Lembrou também que a empresa contou com empréstimos c cartão do BNDES, além de ter sido aprovada em edital de subvenção econômica da Finep de R$ 800 milhões, a serem aplicados em pesquisa e desenvolvimento.

A negociação com um fundo de venturo capital costuma ser longa c burocrática. A maioria procura investir em empresas que apresentam faturamentos consolidados, mesmo que pequenos. Daí ser fundamental contar com a participação de investidores pessoas físicas, principalmente no estágio inicial, para que oportunidades não sejam perdidas enquanto o dinheiro não vem. Foi o que aconteceu com a PV Inova, que cm julho lançou oficialmente o Télo, em Porto Alegre, em parceria com a Brasil Telecom, A novidade será instalada em uma frota de ônibus da cidade. "Chegamos onde estamos com o aporte de pessoas físicas. Agora, buscamos parceiros de grande porte e fundos de venture capital para continuar crescendo" afirmou Averbug,

O Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), da Universidade de São Paulo, viu nascer em 2001 a Adespec, fabricante de colas e adesivos. A exposição aos vapores de solvente provocou problemas de saúde à sua fundadora, Wang Shu Chen. O falo a levou a se dedicar ao estudo de alternativas às colas e selantes que não agredissem a saúde nem contaminassem o meio ambiente. A empresa, que nasceu com um investimento inicial de R$ 60 mil, consumiu recursos de sócios e verbas da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O grande salto, no entanto, deu-se no ano passado, quando passou a receber investimentos do Fundo de Investimentos Investech II, administrado pela Rio Bravo, gestora que mantém o foco em pequenas e médias empresas. Com base nos investimentos do fundo, que estão sendo destinados à ampliação e melhoria da infra-estrutura da unidade fabril, a Adespec espera elevar o faturamento para R$ 50 milhões até 2012, Ou 25 vezes a mais do que faturou no ano passado. Como se vê, o capital de risco está atento às idéias pouco tradicionais.