Notícia

Gazeta Mercantil

Site promove leilão de endereços virtuais

Publicado em 29 fevereiro 2000

Por Ricardo Rievers* - de Belo Horizonte
O comércio de domínios virtuais, que nos Estados Unidos já movimenta negócios de milhões de dólares, começa a mostrar a cara na Internet brasileira. Em uma tacada pioneira, um grupo formado por nove alunos e dois professores dos cursos de graduação e pós-graduação em Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) promoveu, na semana passada, o lançamento oficial do site marcavirtual.com.br, o primeiro do País a operar exclusivamente com leilões de endereços eletrônicos. Mesmo com uma estratégia de lançamento acanhada, que incluiu apenas envio de e-mails para os detentores dos domínios nacionais - os .br - mais valorizados e também para os principais veículos de comunicação do País, o site recebeu 15 mil acessos em apenas três dias. A ação resultou na captação de 32 domínios que, na última sexta-feira, já estavam sendo leiloados. "Acreditamos que conseguimos ingressar em um mercado que, no Brasil, é cada vez mais promissor e, nos Estados Unidos, já é explorado por alguns sites que vendem os domínios.com", afirma Rodrigo Lopes Cançado Fonseca, aluno do último ano do curso de Ciência da Computação da UFMG e um dos integrantes da equipe que trabalhou no processo de elaboração do site. A idéia do site, conta Fonseca, surgiu a partir da percepção de que um número cada vez maior de pessoas está criando domínios com o objetivo único de vendê-los posteriormente. A avaliação considera os dados da Fundação de Apoio à Pesquisa (Fapesp), ligada ao governo de São Paulo (USP) e apontada pelo comitê gestor da Internet brasileira como responsável pelo registro de domínios no Brasil. De acordo com os últimos números divulgados pela Fapesp, apesar de já ter mais de 400 mil domínios registrados (.br), contra 24 milhões nos Estados Unidos (.com), o volume mensal de pedidos registros de endereços eletrônicos no Brasil vêm crescendo e já atingiu a casa de 14 mil. Os "cyber-squatters" - denominação para uma espécie de invasor do espaço virtual que está sendo utilizada nos Estados Unidos para identificar as pessoas que registram domínios apenas para comercializá-los posteriormente - não são, porém, os únicos responsáveis por essa explosão de demanda. Diante da necessidade de obter uma identificação na web que seja fácil de ser assimilada e guardada pelos internautas, muitas empresas não poupam esforços financeiros para garantir um domínio com essas características, tidas como essenciais para o sucesso dos negócios na rede. "Normalmente, o valor que uma empresa paga por um domínio já conhecido é menor que os gastos com publicidade na divulgação de um espaço virtual com um nome menos significativo", diz Fonseca. Ao fazer uma analogia com o mundo real, ele afirma que uma boa localização na web equivale a uma sala na avenida Paulista, em São Paulo, ou a um número de telefone de fácil memorização. Fonseca também cita como exemplo a recente operação financeira realizada por um consultor do Vale do Silício, na Califórnia (EUA), que vendeu o domínio Loans.com (equivalente a emprestimos.com.br) por US$ 3 milhões. O preço é o segundo maior já obtido por um domínio. O recorde pertence ao business.com, adquirido por US$ 7,5 milhões pela empresa californiana eCompanies. No Brasil, o comércio de domínios já nasce milionário, apesar de também apresentar preços para bolsos de diferentes tamanhos. Na última sexta-feira, a lista de ofertas no site marca virtual registrava domínios como o webanking.com.br, à venda por R$ 2 milhões, o ouro.com.br, avaliado em R$ 1,8 milhão e o brazilmarket.com.br, R$ 900 mil. Entre os endereços eletrônicos mais baratos à venda no site estavam, por exemplo, deixacomigo.com.br, por R$ 15 mil, e oclima.com.br, R$ 10 mil. A equipe de professores e alunos do curso de Ciência da Computação da UFMG, que será responsável apenas pela intermediação dos negócios, optou pelas vendas por intermédio de leilão por considerar que essa é a forma ideal para que o próprio mercado defina o valor dos domínios. "Se a oferta por um domínio estiver muito cara, ele não vai receber lances de compra e terá de baixar de preço." Ele lembra, ainda que o valor de um domínio geralmente depende do nome e da importância comercial do mesmo. Inicialmente, o site oferece a intermediação gratuita dos negócios. A idéia dos donos é, no futuro, cobrar uma comissão sobre o valor de venda dos domínios, que ainda não está definida, mas deve oscilar entre 5% e 10%. Para dar credibilidade ao site, o grupo de alunos e professores da UFMG desenvolveu um sistema automático de pesquisa baseado nos bancos de dados da Fapesp, para checar se o domínio ofertado pertence realmente ao vendedor. * da GZM Minas Gerais