Notícia

Portal R7

Site permite que moradores do litoral de SP saibam se "vai dar praia" uma hora antes de sair de casa

Publicado em 17 janeiro 2012

Monitorar em tempo real uma região para ver se haverá chuvas ou incidência de raios parece coisa de meteorologista. Mas não para moradores de cidades litorâneas e do interior de São Paulo, como Limeira, Campinas e Itu.

Com a instalação do projeto Chuva na região, eles podem checar na internet as condições do tempo antes de sair de casa, sabendo as condições climáticas minutos antes de acontecerem.

O site, um braço do SOS Vale do Paraíba, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), traz um sistema aberto onde é viável checar, entre outras coisas, a incidência dos raios que estão atingindo a terra a cada 12 minutos, além da previsão de chuvas imediatas em bairros e até na ruas.

O R7 conversou com Luiz Augusto Toledo Machado, coordenador do Projeto Chuva, sobre o projeto, que, de acordo com ele, representa um grande avanço no sentido de evitar que as pessoas fiquem vulneráveis às consequências da chuva.

Em quais regiões o sistema opera?

Luiz Augusto Toledo Machado: Todo o litoral de São Paulo e algumas cidades do interior, como Campinas, Itu e Limeira. No site é possível checar o raio de ação.

Qual importância deste projeto?

LATM: Temos de pensar em duas vertentes. A científica, que é fazer uma tomografia das nuvens para saber como é o interior delas em cada um dos locais onde há precipitação, ajudando a melhorar a previsão do tempo feita em escala de ruas e bairros. E a social, que ajudará a reduzir a vulnerabilidade da população, testando um sistema de informações em tempo real. Se alguém for viajar, por exemplo, pode olhar o site para saber se chove muito forte na estrada em que vai dirigir. Se vai andar de bicicleta, é possível saber se vai ter incidência de raios no bairro. Isso sem falar nas informações que podemos fornecer à Defesa Civil para que ela aja com antecedência em casos de tempestades.

Um garoto morreu e outras cinco pessoas foram feridas no Guarujá na sexta-feira (6) enquanto passeavam no calçadão da praia da Enseada. Casos como este poderiam ser evitados?

LATM: Com certeza. Se você consultar a página e souber que haverá descarga elétrica, não vai passear à beira-mar. Repito: trata-se basicamente de redução de vulnerabilidade da população.

A página do projeto tem quantos acessos por dia?

LATM: A média é de 1500 acessos por dia. Mas há picos. Já chegamos a 5.500. Acredito que os acessos não sejam só de quem trabalha com meteorologia. Certamente há acessos vindos da população, pois não há tantos profissionais na área assim.

Existe intenção de popularizar o projeto e torná-lo mais acessível?

LATM: Uma segunda fase [posterior à implantação] seria orientar a população, com textos, avisos na página e instrução de uso. Não há ainda esta preocupação por ser um projeto piloto.

A população brasileira está preparada para este tipo de serviço?

LATM: Estamos evoluindo. O brasileiro já tem o costume de buscar informação sobre a previsão de tempo. Mas este é diferente, pois dá uma previsão imediata. É algo novo, para reduzir riscos e retirar pessoas de locais perigosos. Não é um site de previsão de tempo.

Por quê?

LATM: Este é um serviço 24 horas. O país está começando a se estruturar, não existe este tipo de serviço aqui. Isso leva um certo tempo. Para se ter uma ideia, os EUA têm 250 radares instalados e todos integrados. No Brasil temos algo na ordem de 20 radares, que não trocam informações entre si e que não disponibilizam informação imediatamente. A meteorologia no Brasil tem centros regionais, estaduais, federais... É preciso harmonizar todos os setores em cima do desenvolvimento deste serviço, investindo sobretudo na aquisição de equipamentos.

Existe possibilidade de implementação e de expansão?

LATM: Este é um ponto importante. Trata-se de um projeto científico financiado pela Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo], que se propõe a estudar os principais regimes de precipitação no Brasil. Fomos a Alcântara, no Maranhão, Fortaleza, no Ceará, e Belém, no Pará. Depois vamos a Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Brasília e, em 2014, para Manaus, quando termina o projeto. Como estamos empregando um instrumento moderno, aproveitamos para colocar à disposição da população. É um projeto piloto, que mostra o que podemos ter em termos de prestação de serviço em épocas chuvosas. Para se chegar a este nível de tecnologia, foram mais dez anos de pesquisa.

Existe possibilidade de o sistema deixar de ser experimental?

LATM: Fortaleza, por exemplo, adquiriu um radar. Como o sistema já está disponível, pode-se usá-lo na próxima quadra chuvosa. Ele está aberto e estes locais [como Fortaleza e Belém] já o aprenderam. Fazemos um curso em cada um dos lugares em que vamos. O mais caro já foi feito, que foram todos os anos de pesquisa. Desde que se tenha um radar, o processo é rápido e barato.

Para finalizar, como as pessoas devem proceder em casos de raios?

LATM: Visualizou relâmpago e ouviu trovão? A primeira coisa é tentar se abrigar em um local coberto. Devem-se evitar descampados e praias, por exemplo. A mesma coisa na rua. Nunca se sabe se há prédios com para-raios no local. Se tiver em uma área aberta e não tiver o que fazer, fique em posição de cócoras e espere passar.

Para acessar o site: http://sigma.cptec.inpe.br/sosvale/