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Site facilita pesquisa de documentos da ditadura militar no antigo Deops

Publicado em 22 janeiro 2009

Entrará no ar no próximo sábado, 24, o novo site do Projeto Integrado Arquivo Público do Estado e Universidade de São Paulo (Proin). A iniciativa facilitará as atividades de pesquisa do público na documentação do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (Deops), do período entre 1924 e 1983.

“Antes do trabalho realizado pelo Proin, para localizar algum prontuário era necessário pesquisar diretamente nas fichas microfilmadas. Após o encontro da ficha, era preciso anotar o número do prontuário e passar para o pessoal do arquivo encontrar o material. Agora, basta digitar o nome de uma pessoa ou de uma instituição para ter acesso à ficha policial e ao número do prontuário”, conta Luciana Cammarota, uma das pesquisadoras que atua no projeto e trabalha com prontuários de imigrantes italianos. Além dos prontuários (cerca de 150 mil), o arquivo conta aproximadamente 1,5 milhão de fichas policiais que remetem a cerca de 9 mil dossiês.

O site é composto por cinco categorias de pesquisa. Uma das categorias denomina-se Fichas Policiais. “Nessas fichas foi mantida a grafia original do documento policial”, afirma Adriana Ferreira, graduada em História que pesquisa os imigrantes, sobretudo os do Leste Europeu. A partir dessas fichas, o pesquisador terá acesso ao número do prontuário ou ao seu conteúdo sintetizado, disponível na categoria Cadastro Proin. Dos 150 mil prontuários, aproximadamente 3 mil já foram inventariados.

Outra categoria de busca será Impressos, base de dados que permite conhecer os impressos revolucionários (jornais, panfletos e livros) confiscados pelo Deops. Esse inventário deu origem ao catálogo Jornais Confiscados pelo Deops, 1924-1954, cujo segundo número está previsto para sair neste ano. Haverá ainda um link especial, dedicado aos Estrangeiros expulsos, idealizado pela historiadora Mariana Cardoso Ribeiro.

A coordenação do projeto é da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. O setor de iconografia é coordenado pelo professor Boris Kossoy, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, responsável pela elaboração de um banco de imagens, que também poderá ser consultado.

Iconografia – Outro acesso possível será Iconografia. As imagens são acompanhadas de ficha técnica idealizada pelo professor Kossoy, que vem sendo preenchida com base nas informações pesquisadas nos prontuários e nos dossiês policiais. De acordo com a pesquisadora Michele Celestino, o objetivo do banco iconográfico é mostrar, por meio de imagens, a história da repressão no Brasil. “Nos prontuários, encontramos diversificada tipologia de imagens, como as fotos confiscadas de álbuns particulares.

Além de ser necessário analisar o prontuário para entender o contexto histórico em que uma imagem foi produzida, é necessário também ‘ler’ as imagens sob o ponto de vista iconológico, de acordo com as propostas teóricas do professor Kossoy”, comenta. A ideia, segundo ela, é digitalizar todas as imagens que sejam representativas dos fundos Deops/SP e do Departamento de Imprensa e Propaganda (Deip). Atualmente, esse banco de dados dispõe de cerca de 300 imagens digitalizadas.

Inúmeras exposições iconográficas foram realizadas com base no material do arquivo. A próxima, Círculo Fechado: os Japoneses sob a mira do Deops, com curadoria de Kossoy e pesquisa de Márcia Yumi Takeuchi, será aberta no próprio dia 24, por ocasião da inauguração do Memorial da Resistência de São Paulo, no antigo prédio do Deops.

Sala funciona como oficina de História

O Projeto Integrado Arquivo Público do Estado e Universidade de São Paulo (Proin) foi criado em 1995. Em 2007, a iniciativa conseguiu aprovar, junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o segundo projeto temático Arquivos da Repressão e da Resistência: Mapeamento e Digitalização dos Fundos Deops e Deip. Os recursos permitiram a revitalização do Laboratório de informática Proin, com novos equipamentos, além da renovação da equipe de monitores.

Desde o início de suas atividades, a sala do Proin tem sido utilizada pelos professores envolvidos com o projeto como uma oficina de História. Nesse espaço, os estudantes de graduação da USP e de outras universidades entram em contato com a documentação. “A partir disso, vários alunos têm a oportunidade de criar projetos de iniciação científica e, posteriormente, pesquisas de mestrado e de doutorado”, destaca a pesquisadora Luciana Cammarota.

Valéria Dias - Da Agência USP de Notícias