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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Sistema planeja a mobilidade urbana

Publicado em 07 setembro 2008

Agência Fapesp

Por terem crescido sem um plano de mobilidade urbana, as grandes metrópoles sofrem, atualmente, com trânsito excessivo e poucas alternativas de transporte público. Para evitar que cidades médias tenham os mesmos problemas no futuro, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um sistema online que permite a participação da população no processo de planejamento da mobilidade urbana.

Mobilidade urbana é o resultado da interação dos deslocamentos. Segundo o Ministério das Cidades, o conceito vai além do tráfego de veículos ou do conjunto de serviços implantados para esses deslocamentos.

“Engloba também a questão do sistema viário, de aspectos socioeconômicos, planejamento de transportes públicos, fatores que podem evitar acidentes, ruído provocado pelo tráfego, poluição ambiental”, cita Renata Cardoso Magagnin, professora do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Unesp de Bauru.

O Sistema de Suporte à Decisão Espacial para o Planejamento Urbano e de Transportes Integrado e Sustentável (Planuts) é resultado de sua pesquisa de doutorado. A tese foi defendida em fevereiro deste ano, no Departamento de Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, com orientação de Antonio Nelson Rodrigues da Silva. Projetado para cidades de pequeno e médio porte, foi testado em Bauru.

Em Bauru

De acordo com Renata Magagnin, a prefeitura demonstrou interesse em implementar o sistema, mas aguardava a aprovação no Plano Diretor, sancionado pelo chefe do Executivo, Tuga Angerami, há duas semanas.

“Depois de aprovado, tem um ano para começar o plano diretor de mobilidade. A idéia é fazer com que os processos decisórios fiquem mais próximos da realidade da população. Com a ferramenta, os planos de mobilidade poderão ser elaborados com base em avaliações feitas por especialistas e por moradores”, explica a pesquisadora.

A professora da Unesp ressalta ainda que o Planuts também serve para a avaliação do plano implementado e ajudará os municípios médios a se adequarem à legislação.

“O Ministério das Cidades estabeleceu que todas as que tiverem mais de 500 mil habitantes são obrigadas a ter um Plano Diretor de Mobilidade. O Estatuto das Cidades também estimula a adoção de planos semelhantes por cidades com mais de 100 mil moradores”, afirma.

A ferramenta permite que os moradores e especialistas avaliem os problemas, necessidades e prioridades em termos de mobilidade urbana, o que gera uma série de indicadores que podem ser usados para traçar o planejamento.

Sistema em módulos

O Planuts tem quatro módulos de análise da mobilidade: avaliação de categorias, escolha de indicadores, definição das prioridades e escolha dos cenários. No primeiro módulo, são consideradas cinco categorias ligadas ao transporte (meio ambiente, infra-estrutura, planejamento, gestão e aspectos socioeconômicos).

Renata Magagnin explica que, para permitir a participação popular, o sistema foi construído com recursos de multimídia, incluindo textos, imagens e vídeos didáticos. “Se a pessoa não entender pela definição, entende pela imagem, pelo vídeo. Tem caráter pedagógico, já que as pessoas muitas vezes não têm consciência de seus próprios problemas de mobilidade”, acrescenta.

O gerenciamento do sistema é feito por um corpo técnico. “Seria interessante ser instalado na Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) ou na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Foram os técnicos desses dois locais que fizeram a avaliação”, informa.

Caso decidam adotá-lo terão apenas de providenciar um servidor (computador) e disponibilizar a página na Internet para ser acessada. Mais informações: www.planuts.com.br