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Secretaria de Ensino Superior (SP)

Sistema online ajuda no planejamento da mobilidade urbana

Publicado em 26 agosto 2008

AgênciaFAPESP

Tendo crescido sem um plano de mobilidade urbana, as grandes metrópoles sofrem hoje com o trânsito excessivo e com poucas alternativas de transporte público. Para evitar que as cidades médias tenham os mesmos problemas no futuro, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP) desenvolveram um sistema on-line que permite a participação da população no processo decisório de planejamento da mobilidade urbana.

O Sistema de Suporte à Decisão Espacial para o Planejamento Urbano e de Transportes Integrado e Sustentável (Planuts) é resultado da pesquisa de doutorado de Renata Cardoso Magagnin, professora do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Unesp, em Bauru (SP).

A tese foi defendida no Departamento de Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, com orientação de Antonio Nelson Rodrigues da Silva. O sistema, projetado para cidades de pequeno e médio porte, está sendo testado em Bauru (SP), que tem 350 mil habitantes.

"A idéia é fazer com que os processos decisórios fiquem mais próximos da realidade da população. Com a ferramenta, os planos de mobilidade poderão ser elaborados com base em avaliações feitas por especialistas e por moradores", disse Renata à Agência FAPESP.

O Planuts, segundo ela, poderá ser utilizado durante a fase de planejamento e desenvolvimento do plano diretor do município, servindo também, mais tarde, para a avaliação do plano implementado. A pesquisadora aponta que a ferramenta ajudará as cidades médias a se adequar à legislação.

"O Ministério das Cidades estabeleceu que todas as cidades com mais de 500 mil habitantes são obrigadas a ter um Plano Diretor de Mobilidade. E o Estatuto das Cidades também estimula a adoção de planos semelhantes por cidades com mais de 100 mil moradores", afirmou.

A ferramenta permite que os moradores e especialistas avaliem os problemas, necessidades e prioridades da cidade em termos de mobilidade urbana, gerando uma série de indicadores que podem ser usados pelos gestores para traçar o planejamento.

"O sistema tem quatro módulos de avaliação da mobilidade: avaliação de categorias, escolha de indicadores, definição das prioridades e escolha dos cenários. No primeiro módulo são consideradas cinco categorias ligadas ao transporte: meio ambiente, infra-estrutura, planejamento, gestão e aspectos socioeconômicos", disse Renata.

Planos diretores

A professora da Unesp explica que, para permitir a participação popular, o sistema foi construído com recursos de multimídia, incluindo textos, imagens e vídeos didáticos, que permitem a realização do processo de avaliação das categorias, temas e indicadores de forma bastante intuitiva.

"O sistema tem também caráter pedagógico, já que as pessoas muitas vezes não têm consciência de seus próprios problemas de mobilidade. As imagens e textos dão definições dos conceitos básicos e ajudam a relacionar problemas cotidianos ao planejamento público de mobilidade e transportes", explicou Renata.

O gerenciamento do sistema é feito por um administrador eleito pelos membros da comissão do plano diretor. Depois da avaliação de categorias do primeiro módulo, o administrador passa a organizar os indicadores.

"Cada avaliador pode escolher dois indicadores definidos no primeiro módulo. O Ministério das Cidades coloca a elaboração desses indicadores como norma para traçar o Plano Diretor de Mobilidade", disse.

Com os resultados desse módulo, passa-se à terceira etapa, que corresponde à definição das prioridades de ação para solucionar os problemas relacionados à mobilidade urbana. Os indicadores avaliados nesta etapa correspondem aos mais votados pela população no módulo anterior.

"Após a realização desse módulo, são necessárias algumas reuniões presenciais. Mas, com os indicadores em mãos, os gestores e especialistas podem reduzir o tempo das reuniões e agilizar o processo", disse.

No último módulo, a partir das prioridades estabelecidas pela avaliação popular, são gerados alguns cenários, que também podem ser avaliados. Atualmente, segundo Renata, o teste do sistema está nessa fase. O Plano Diretor de Bauru aguarda aprovação na Câmara Municipal.

"O município apresenta alguns problemas pontuais. Um deles é a infra-estrutura de pavimentos, que prejudica a mobilidade a pé. Outra questão é que, como a maioria das cidades médias, Bauru está, infelizmente, privilegiando os núcleos habitacionais distantes do centro. Os transportes coletivos são escassos e o número de automóveis já começa a crescer: temos um carro para cada 2,4 pessoas", disse.

As diretrizes recomendadas pelo Ministério das Cidades para a elaboração de Planos Diretores de Mobilidade incluem a diminuição do número de viagens motorizadas, a revisão do desenho urbano, o desenvolvimento de meios não motorizados de transporte, a priorização do transporte público coletivo e o investimento em calçadas.

Mais informações: http://www.planuts.com.br/