Notícia

Inovação Tecnológica

Sistema mais simples para extração de petróleo em terra firme

Publicado em 27 março 2006

Por Aline Moraes
Agenusp

Um motor com menos de 15 centímetros de diâmetro poderá substituir a pesada maquinaria da altura de um prédio de quatro andares utilizada na extração de petróleo em terra firme. No Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado (Lmag) do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas (PEA) da Escola Politécnica (Poli) da USP, as pesquisas com o novo equipamento vêm sendo desenvolvidas desde 2000, sob a coordenação dos professores Ivan Chabu e José Roberto Cardoso. Além da significativa redução do tamanho do aparato, a nova tecnologia apresenta alternativas para problemas enfrentados pelo sistema convencional.
O sistema utilizado atualmente constitui-se de um equipamento externo de grandes dimensões - conhecido como "cavalo de pau". A estrutura é ligada a uma bomba, localizada no fundo do poço de extração da formação, por um grupo de hastes metálicas de até 1.000 metros de comprimento. O movimento de vai-e-vem do equipamento externo movimenta as hastes e, assim, aciona a bomba que leva o petróleo à superfície.
"Esse mesmo movimento causa os problemas que muitas vezes inviabilizam o sistema", informa o professor Chabu. Ele explica que o atrito entre a parede do tubo de revestimento do poço e as hastes de metal acaba causando, com freqüência elevada, o desgaste e ruptura desses componentes. "Isso gera um alto custo de manutenção e acaba prejudicando a produção, pois ela tem de ser interrompida para que o conserto seja feito."
Buscando uma alternativa para esse problema com base no motor linear(que funciona com movimentos longitudinais, ao invés da rotação), a Petrobrás procurou o Departamento em 1998. "Eles queriam um produto pronto pra ser implantado, mas nós não tínhamos. Então, foi proposto um estudo, tomando como base a tecnologia do motor linear, que comporia o doutorado do aluno Bernardo Alvarenga", conta Chabu.
Ao final de dois anos e com apoio da FAPESP, os estudos resultaram num protótipo experimental, "cujas peculiaridades são a sua pequena dimensão, que lhe permite ficar dentro de um tubo de 15 centímetros de diâmetro, e a sua grande densidade de força para elevar o petróleo", detalha o professor.
"Dessa forma, o motor inserido no fundo do poço elimina o 'cavalo-de-pau' e as hastes, resultando num aparato mais simples, que necessita de menos manutenção. Conseqüentemente, tem custo menor e mais produtividade". Outra característica do motor é a sua construção em módulos. A idéia é permitir sua adaptação em poços de diferentes profundidades, associando o número adequado de módulos.
Terminada a primeira fase, os estudos prosseguiram e, com o apoio da Petrobrás, resultaram na construção de um novo protótipo, que está sendo analisado dentro de condições experimentais do ambiente de uso e já sofreu otimizações, como a redução de suas dimensões.
Imerso em óleo, o motor tem sua resposta monitorada por sensores. Esse estudo de controle do processo é realizado para que sejam feitos ajustes, visando a terceira e última fase do trabalho: a aplicação do motor em um poço piloto da Petrobrás.
A tecnologia do motor linear não é novidade. Contudo, as intervenções que foram feitas para torná-la viável ao tipo de uso buscado constituem uma inovação. "Não há sinais de aplicação efetiva desse tipo em outras partes do mundo. Os resultados a que chegamos representam uma inovação", afirma o pesquisador. Produtores de petróleo do Oriente Médio já mostraram interesse na tecnologia. Eles ainda utilizam sistemas convencionas com tecnologia inglesa e norte-americana.
Ainda faltam mais testes para certificar o produto e as perspectivas são de que ele deverá ser finalizado em três anos. Mas, apesar dos bons resultados e da repercussão positiva, a nova tecnologia produzida pelos pesquisadores da Poli devem contar com uma barreira secular. "Estamos lidando com uma tecnologia tradicional, estabelecida há mais de 100 anos e utilizada em praticamente todo o mundo. Mesmo com as vantagens de custo, implantação e produção, existe essa barreira contra a mudança".
Fonte: Agenusp