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Brasil Econômico

Sistema leva dados dos pacientes para o celular

Publicado em 30 abril 2010

Por Carolina Pereira

O médico do Sistema Único de Saúde (SUS) chega à casa do paciente para fazer o atendimento em domicílio sem carregar nenhum prontuário. Para conhecer o histórico do paciente, acessa um aplicativo em seu smartphone e obtém todo o material necessário para efetuar a consulta. Ao voltar para o hospital, alimenta a central de dados atualizando o prontuário eletrônico por meio de uma conexão sem fio entre o telefone e os computadores da instituição. A cena descrita pode parecer futurista,mas já está emfase final de testes entre os pesquisadores do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP).

O projeto, batizado de Borboleta, foi iniciado em 2007 e, atualmente, tem patrocínio da Microsoft e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp. A equipe do IME, em conjunto com profissionais do Centro de Saúde-Escola Samuel Pessoa, da Faculdade de Medicina da USP, decidiu desenvolver a solução para melhorar o atendimento domiciliar feito pelo SUS, em especial o Projeto Saúde da Família, destinado a pacientes que não conseguem se locomover como vítimas de acidentes vasculares, recém-operados e idosos.

O sistema desenvolvido tem o objetivo de substituir a papelada necessária para efetuar o atendimento por arquivos eletrônicos carregados no celular para apoiar o trabalho dos profissionais de saúde. Para isso, a equipe coordenada pelo pesquisador Fabio Kon produziu um software voltado para celular capaz de armazenar informações multimídia, como dados numéricos, textos, fotos, áudio e vídeo. A agilidade no acesso às informações dos pacientes é a principal meta.

Segundo Rubens Kon, médico sanitarista do Centro de Saúde- Escola Samuel Pessoa e um dos responsáveis pelo projeto Borboleta, as informações necessárias para executar o atendimento em domicílio são hoje levadas em papel, e isso trás limitações. Operacionalmente, para os profissionais de saúde, é mais fácil acessar as informações no telefone, diz omédico.

Os primeiros testes foram feitos cerca de um ano atrás pelos profissionais do Centro de Saúde da USP que fazematendi mento em domicílio. Foi uma revolução na forma como médicos e enfermeiras gerenciam as informações nessas visitas, diz Kon. Os profissionais de saúde solicitaram uma interface gráfica mais fácil de solicitar e encontrar as informações nos menus e telas. As modificações foram feitas e o sistema está pronto para entrar na segunda fase de testes. A próxima atualização, ainda semprevisão de data, vai incluir o comando de voz: o médico vai dizer de qual informação precisa e ela serámostrada na tela do celular.

Teleconsulta Segundo omédico RubensKon, o próximo passo é utilizar o telefone para enviar fotos, por exemplo, de sintomas dermatológicos apresentados pelo paciente para que as imagens possam ser analisadas por especialistas emtempo real. De acordo com Kon, isso vem sendo feito dentro do Centro Médico da USP. Assim, a tendência é que o sistema feito pelo projeto Borboleta seja usado também como ferramenta de apoio remoto e não sóuma forma de acessar arquivos.