Notícia

Revista Hydro

Sistema inteligente “democratiza” detecção de vazamento

Publicado em 01 agosto 2017

Uma empresa startup com sede em Sorocaba, SP, a Stattus4, desenvolveu um sistema de detecção de vazamentos inovador, que independe de geofone e pode ser utilizado por qualquer leiturista ou pessoa sem formação técnica na área. A tecnologia baseada em software batizado de Fluid, de inteligência artificial e aprendizagem de máquina, tem sido aprimorada desde 2015, quando foram iniciadas as pesquisas, e deve ser comercialmente lançada no segundo semestre deste ano.

Para identificar o vazamento, segundo explica a sócia-diretora da Stattus4, Marília Lara, o sistema utiliza de duas formas para coleta de dados: o alicate ou o bracelete. O primeiro é um sensor móvel plugado ao encanamento do hidrômetro, cujos dados são enviados via bluetooth para o celular do usuário e o segundo, um produto fixo, acoplado ao hidrômetro para coleta diária de dados, enviados à nuvem e que podem ser acessados via aplicativo mobile ou plataforma web.

“Ao serem acoplados no cavalete d’água os sensores conseguem captar a vibração do encanamento – tal como o geofone faz”, explica Marília. O som coletado é enviado para o sistema de inteligência artificial do software, que extrai variáveis relevantes para serem analisadas. O sistema compara as variáveis com o banco de dados de aprendizagem e consegue identificar a probabilidade da vibração captada ser indicativo de vazamento ou não.

O algoritmo desenvolvido não é estático, o que significa que, quanto maior o banco de dados, mais preciso ele ficará. Esse processo de melhoria automática, conhecido como “Aprendizagem de Máquina”, fará o software melhorar, diariamente, sua capacidade de identificar um vazamento pelo som coletado. Isso ocorrerá, no cotidiano, pelo aplicativo do celular ou na web pelos responsáveis pelo controle de consumo, os leituristas principalmente.

O insight para a criação foi de um dos sócios da startup, Antônio Oliveira, que em 2015 trabalhava em uma empresa que desenvolveu um geofone tradicional para caça-vazamentos. Engenheiro eletrônico e matemático, ao testar o geofone identificou a oportunidade de construir um “ouvido biônico”, ou seja, um geofone sem a necessidade de especialista para ser operado. Junto com Marília Lara, administradora e mestre em marketing, entraram em contato com a Sabesp para investigar se o produto teria demanda em distribuição de água. A resposta positiva da companhia paulista fez ambos fundarem a Stattus4 e iniciar o projeto do software Fluid.

Com o convite aceito de um pós-doutorando de Ciência da Computação para entrar no projeto, o algoritmo e o sistema de inteligência artificial foram aprimorados e, na sequência, um investimento-anjo ajudou no desenvolvimento da tecnologia. No final de 2015, a empresa também se incubou no Cietec-USP e, com um apoio da Fapesp, a situação permitiu a formação de uma equipe técnica. Em março de 2016, transferiram a incubação para o Parque Tecnológico de Sorocaba.

No final de 2016, a Stattus4 conseguiu uma segunda rodada de investimento-anjo que permitiu a continuidade das pesquisas. Em fevereiro de 2017, foi possível firmar uma parceria com a Companhia Águas de Votorantim, o que possibilitou que a solução fosse testada na realidade do mercado. A expectativa é ainda no segundo semestre começar a vender o sistema completo, em modelo de negócio ainda a ser definido, com sensores fornecidos em comodato ou vendidos diretamente para as distribuidoras.

Stattus4 – Tel. (15) 3316-2323

Site: www.stattus4.com