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Correio da Paraíba

Sistema de reconhecimento digital brazuca é destaque

Publicado em 24 dezembro 2006

São Paulo — Fapesp
Controlar a entrada e a saída de funcionários na empresa, acessar caixas eletrônicos de bancos e proteger o computador doméstico ou profissional contra olhares indiscretos são algumas das aplicações de um software de reconhecimento de impressões digitais desenvolvido pela empresa Griaule, de Campinas, que já conquistou clientes nos Estados Unidos, México, Chile, Venezuela e Israel. Recentemente a tecnologia da empresa para a emissão de passaportes foi comprada pela Costa Rica, por meio da empresa francesa Oberthur, que produz esse tipo de documento para 80 países. Este ano a tecnologia da Griaule foi incorporada às 25 mil urnas eletrônicas com leitores de impressão digital entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela Procomp, uma das empresas parceiras, previstas para serem utilizadas nas próximas eleições.
O programa foi considerado o oitavo melhor do mundo em um teste de grande escala — 1 bilhão de comparações de impressões digitais — realizado em 2003 pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (Nist, na sigla em inglês), nos Estados Unidos. Uma posição invejável para uma pequena empresa que disputou com gigantes do setor como Motorola e NEC. Algumas grandes, como a Raytheon, ficaram atrás da Griaule, a única empresa do hemisfério Sul a participar do teste. Os participantes selecionados tinham 21 dias para completar a prova. A classificação foi feita com base na qualidade do reconhecimento da impressão digital. Em outubro deste ano a Griaule participou de um teste semelhante realizado pela Universidade de Bolonha, na Itália. Segundo os pesquisadores da empresa, o programa deve ficar em terceiro lugar.
No Brasil, o sistema de identificação digital está sendo utilizado pelas secretarias de Segurança Pública do Tocantins, Rondônia e Goiás para a emissão de carteiras de identidade e pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Pernambuco para evitar fraudes na emissão de carteiras de habilitação. O estado do Tocantins foi o primeiro cliente a adotar o software da empresa, quando a Secretaria de Segurança Pública decidiu substituir a tecnologia importada utilizada na identificação civil e criminal, por conta do alto custo para expandir e manter a base de dados.
O sistema utilizado atualmente captura eletronicamente as impressões digitais dos dez dedos, a foto e a assinatura de cada pessoa, ou permite a digitalização dessas informações colhidas em papel. Após a comparação no sistema da Griaule é emitida a carteira de identidade, processo que leva apenas dez minutos. Hoje já são cerca de 1 milhão de impressões digitais cadastradas no banco de dados da secretaria estadual. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também adotou o sistema de reconhecimento digital da empresa para verificar a identidade dos candidatos aos exames vestibulares, realizados duas vezes por ano pela instituição e com cerca de 50 mil concorrentes cada um.
A conquista de tantos nichos de mercado impressiona pelo pouco tempo de existência da empresa, criada em 2002. Ela foi uma das primeiras a ser abrigada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp). Antes disso, em 1999, os dois sócios da Griaule, o engenheiro eletricista Iron Calil Daher e o engenheiro de computação Alberto Fernandes Canedo, na época estudantes da Universidade Federal de Goiás, começaram a trabalhar juntos no desenvolvimento de componentes de software para reconhecimento digital, um dos métodos de identificação mais utilizados mundialmente nos sistemas biométricos, que substituem as tradicionais senhas pela análise de partes do corpo humano, como íris, face, mãos, voz e até assinatura.

Acesso liberado
A autenticação biométrica envolve duas fases. A primeira de registro da impressão digital, da imagem da íris ou da face, gravação de voz e outras particularidades pessoais. As características-chave são então convertidas por meio de algoritmos (conjunto de soluções e operações matemáticas construídas para resolver um problema) em um padrão único, armazenado como um dado numérico criptografado. Na prática isso significa que o sistema não grava a foto do rosto ou da impressão digital, mas o valor que representa a identidade biométrica do usuário. Na segunda fase, para poder ter o acesso liberado, o usuário deve apresentar ao sistema sua característica biométrica, que será comparada ao padrão registrado no banco de dados.