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Jornal da USP online

Sistema de pesquisadores da USP mostra que há menos acidentes onde tem radar

Publicado em 28 novembro 2019

Por Pedro Ezequiel

Ferramenta foi criada e premiada durante maratona organizada pela Prefeitura de São Paulo que busca soluções para melhorar segurança viária

Existem na cidade de São Paulo cerca de 900 equipamentos de fiscalização eletrônica atuando nas ruas e avenidas. Eles registram inúmeros dados que podem ajudar no planejamento de políticas públicas de mobilidade urbana e segurança viária. A partir dessa base de informações, três pesquisadores da USP desenvolveram um sistema web para visualizar as posições de todos os radares da capital paulista e os acidentes ocorridos no mês fevereiro nos anos de 2016, 2017, 2018 e 2019.

“Analisamos a posição dos radares e confrontamos com a base de dados de acidentes reportados pela prefeitura. Em um raio de até 50 metros próximo ao radar, o número de acidentes é baixo. Se abre o raio, aumenta também a quantidade de acidentes”, explica Eduardo Santana, pesquisador do Instituto de Matemática e Estatísticas (IME) da USP, que criou o sistema juntamente com seus colegas de instituto Higor Amario e Éderson Cássio.

A ferramenta permite a filtragem dos acidentes por ano ou a exibição de todas as ocorrências. Ao clicar em um radar, o usuário ainda encontra dados como número de autuações e contagem de veículos registradas pelo equipamento.

A análise indicou que a presença de radares reduz a quantidade de acidentes que ocorrem nas proximidades onde o aparelho está instalado. Ou seja, mais radares tem o potencial de reduzir o número de acidentes, evitando também a ocorrência de mortes.

O grupo indicou que essa redução pode ter impacto nos gastos com saúde e que o estudo pode ajudar a conscientizar a população sobre a importância dos radares para a segurança viárias.

Gráfico mostra a relação entre os radares e os acidentes em diferentes distâncias – Foto: Radartona 2019 – InterSCity team / Divulgação

Os dados destacam que essa correlação entre acidente e radar em distritos da cidade devem ser melhor estudada.“Nas bordas da cidade, quase não tem radares e também infraestrutura. E lá tem muitos acidentes”, conta Eduardo.

Maratona sobre radares

O sistema foi criado durante uma hackathona do Radartona Mobiliza Mais SP realizada entre os dias 8 e 10 de novembro. O evento era uma maratona para buscar soluções inovadoras na utilização de informações da base de dados dos radares em funcionamento na cidade.

O Radartona é uma iniciativa é organizada pela Prefeitura de São Paulo, o Banco Mundial e a Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito, com apoio da Vital Strategies.

A competição foi dividida em duas áreas: uma para o desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica para disponibilização e acesso à base de dados dos radares e outra para soluções que demonstrem os potenciais de usos e análises destes dados para uma mobilidade mais inteligente e segura. Foi nessa segunda que o time de pesquisadores da USP e bolsistas da Fapesp e do CNPq se destacou.

Chamado de Concurso dos Seis Desafios, eles buscavam soluções para os temas de velocidade média, acurácia de radares, privacidade e abertura de dados, clima e trânsito, radar e ônibus, prevenção de acidentes. Neste último, o time de pesquisadores do IME ganhou o primeiro lugar com a relação entre o posicionamento dos radares e o número de acidentes de trânsito na cidade, usando a inovação e tecnologia da informação para construir a plataforma. A etapa era única e presencial.

Eduardo, Higor e Éderson ganharam o prêmio no valor de R$ 12.593,98. Segundo Eduardo, ainda não houve um parecer formal da Prefeitura sobre a utilização da plataforma criada no cotidiano das ruas e avenidas paulistanas. “Mas a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostrou interesse de uma parceria. Até porque eles tinham os dados, mas nunca colocaram no mapa dessa forma que fizemos.”

Experiência e parceria

O sistema que os três pesquisadores criaram para o Radartona é resultado da experiência do trabalho deles no projeto InTerSCity, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT). São diversos cientistas de diferentes universidades trazendo soluções envolvendo o uso de software para as cidades.

Uma dessas soluções é o Bike Science, desenvolvido pelo grupo vencedor da Radartona. Eduardo conta que esse projeto será utilizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo para pensar melhorias e implementações de ciclofaixas na cidade. “No InterSCity, já trabalhávamos com dados abertos e não abertos. Nesta pesquisa, montamos os dados com bicicletas, as regiões que têm infraestrutura, as que podem melhorar, entre outros pontos.”

Para visualizar o sistema criado durante o Radartona, acesse aqui.