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Sistema criado na Unicamp reconhece legumes e frutas

Publicado em 18 julho 2010

O professor de ciência da computação Anderson de Rezende Rocha, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolveu uma solução para o problema: um sistema que identifica esses produtos por imagem. Basta uma câmera de vídeo acoplada ao caixa.

Rocha teve a ideia de criar o sistema ao enfrentar uma fila excessivamente demorada. Foi então que o pesquisador começou a pensar em uma forma de automatizar a identificação de frutas, legumes e verduras.

Ele faz parte do Laboratório de Inferência para Dados Complexos da universidade, onde são estudados problemas relacionados a aprendizado de máquinas e análise de padrões, duas técnicas de inteligência artificial.

Segundo o pesquisador, há sistemas similares fora do país. Um é o VeggieVision, desenvolvido pela IBM. Porém, Rocha afirma que a solução criada na Unicamp é mais precisa. Nos testes , ela obteve 99% de acertos.

"Desenvolvemos algoritmos que levavam em conta várias características como cor, textura e forma. A inovação foi estabelecer um jeito novo de combinar tais propriedades", afirma.

Aprendizado

O pesquisador explica que o sistema é capaz de distinguir produtos diferentes, como uma laranja de uma banana. Mas ainda não é tão preciso ao classificar diferentes tipos de um mesmo item, como espécies distintas de maçã.

Por isso, são apresentados os resultados mais prováveis, cabendo ao operador confirmar o adequado. O passo seguinte a ser feito é levar o sistema a aprender a reconhecer novos produtos diretamente no supermercado, durante a operação.

Atualmente, é preciso promover um treinamento antes de colocar o sistema em funcionamento. "No futuro, será possível optar ou não por salvar as imagens capturadas durante o uso para uma referência futura, melhorando assim o grau de aprendizagem", afirma Rocha. "Queremos que a cada confirmação o sistema se retroalimente."

O identificador foi desenvolvido como parte do doutorado de Rocha, que recebeu bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para realizar o estudo. O trabalho contou com a colaboração dos pesquisadores Daniel Hauagge, Jacques Wainer e Siome Goldenstein, todos da Unicamp.

Patente

O sistema originou um depósito internacional de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). No momento, o pesquisador negocia a continuidade do projeto com uma multinacional americana. Como as conversas ainda estão em curso, Rocha não revela o nome da empresa interessada.