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Sistema ajuda grupo de atendimento e otimiza uso de equipamento em UTI

Publicado em 03 março 2018

Desde julho de 2017, a empresa i-Healthsys Produtos Médicos, sediada em São Carlos, formou uma parceria com a Santa Casa de São Carlos para a instalação de um sistema de controle do atendimento ao paciente, que monitora procedimentos de assistência e de higienização das mãos, em dez leitos de UTI Adulto do SUS.

Todas as despesas inerentes à instalação do sistema, inclusive o álcool gel utilizado na UTI, são fornecidos ao hospital de forma gratuita pela empresa. Como resultado desse projeto, que tem apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, em cinco meses o número de casos de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV), uma das infecções que mais afetam pacientes em UTI no Brasil, caiu mais de 80%. Foi de 46 para 8,8 casos por mil pacientes em utilização de ventilação-dia. O consumo de álcool gel aumentou mais de 400% e, no período, não houve registro de infecção do trato urinário devido ao uso de sonda, por exemplo.

Menos tempo, mais leitos

Segundo o diretor da i-Healthsys, engenheiro Marcelo Prado, a disponibilidade de leitos na UTI da Santa Casa aumentou em torno de 40% comparado com o mesmo período de 2016. “A redução das taxas de infecção hospitalar trouxe uma vantagem adicional: a diminuição do tempo de permanência na UTI, possibilitando a admissão de mais pacientes no mesmo período. Do ponto de vista da gestão pública isso tem um impacto positivo enorme”, destaca Prado.

O pesquisador destaca ainda que o sistema da i-Healthsys é compatível com softwares de gestão já disponíveis no mercado, e tem um custo atraente. O principal diferencial em relação a outros produtos semelhantes é que o sistema foi projetado para se adaptar às necessidades da equipe, auxiliando na gestão da rotina dos profissionais envolvidos. “Nosso sistema tem uma interface que mostra, em tempo real, o que é preciso fazer em cada paciente, por meio de uma tela de 23 polegadas instalada no posto de enfermagem”, explica Prado.

Facilidade de acesso

Assim, além da higienização das mãos o monitoramento pode ser utilizado para fazer a gestão de vários procedimentos médicos, aumentando a segurança do paciente. O sistema também facilita o acesso à informação, permitindo a emissão de relatórios, complementa Prado. O sistema da i-Healthsys teve como início uma tecnologia desenvolvida em parceria com o hospital Albert Einstein, em 2013, que mesmo com índices muito baixos de infecção hospitalar, decidiu aperfeiçoar ainda mais a prevenção em UTI.

Parceria

O desenvolvimento do sistema enfrentou vários desafios, entre eles a não alteração da rotina da equipe. O engajamento de todos os profissionais envolvidos no atendimento de pacientes da UTI, um número significativo de pessoas, foi fundamental para o sucesso do projeto, ressaltou Prado. “Nosso sistema registra 92% de sucesso no controle dos procedimentos de higienização”, afirma o especialista.

Da parceria resultaram três artigos científicos publicados no exterior e o registro de patente conjunta nos Estados Unidos. “Empregamos uma tecnologia de transmissão de dados sem fios denominada ‘zigbee’, uma alternativa mais viável tecnicamente na instalação do que o wi-fi”, explica.

Os sensores ficam instalados nos crachás da equipe médica, nos leitos dos pacientes e nos dispensadores de álcool gel. No momento do atendimento do paciente, uma luz vermelha acende-se na cabeceira do leito, que é um lembrete para utilizar o álcool gel na higienização das mãos. Ao apertar o dispenser do álcool gel, a luz fica verde automaticamente.

O conhecimento sobre a rotina de assistência ao paciente em UTI adquirido no projeto com a equipe do Albert Einstein levou ao próximo passo: o desenvolvimento de um sistema de vigilância mais amplo de infecção hospitalar, abrangendo outros procedimentos assistenciais, aplicado em uma UTI que atende o SUS, mais comumente encontrada no Brasil. A partir daí, o projeto foi selecionado pelo PIPE em 2016, e o sistema passou a monitorar outros procedimentos como, por exemplo, a troca de dispositivos invasivos como sonda e catéteres por meio de uma tag (dispositivo de identificação) instalada na própria embalagem dos dispositivos.

A arquitetura do sistema permite também registrar informações importantes como por exemplo, quais os medicamentos ministrados, o número de vezes em que o paciente é movimentado na cama e até o tempo dedicado pelo profissional em cada leito. “Por meio das tags, pode-se, inclusive, fazer o rastreamento de pessoas e de equipamentos dentro do hospital. A solução não está somente no aumento de leitos na UTI, é preciso fazer mais com o que você já tem e a gestão é um dos caminhos para isso”, ressalta Prado.

Empresa

A i-HealthSys foi fundada em 2009 e faz parte de um grupo empresarial com 14 empresas, com gestão independente, com 120 colaboradores. Esse grupo de colaboradores reúne , pesquisadores em tempo integral nas áreas de engenharia, física e química, desenvolvendo soluções inovadoras no segmento de saúde.