Notícia

Gazeta Mercantil

Sírio-Libanês investe em educação e pesquisa

Publicado em 01 março 2005

Nove cursos de pós-graduação formarão a base de conhecimento para o desenvolvimento de novos projetos. O Hospital Sírio-Libanês (HSL) decidiu sistematizar o conhecimento gerado dentro de suas instalações e está investindo, este ano, R$ 9 milhões no Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP), afirma o diretor-executivo dr. Roberto de Queiroz Padilha. "A intenção é incorporar, cada vez mais, o ensino e a investigação científica à rotina da assistência hospitalar." Mais US$ 1 milhão serão aplicados este ano em pesquisa científica e inovação no desenvolvimento de novas técnicas nas áreas de microcirurgia e cirurgia minimamente invasiva.
A grade de 2005 conta com 30 cursos de curta duração, nove cursos de pós-graduação em diferentes especializações e um MBA de Gestão em Saúde. O IEP é uma evolução do Centro de Estudos e Pesquisas (CEPE), existente desde 1978, e foi inaugurado no final de 2003 depois de um investimento de R$ 20 milhões em um prédio com instalações que incorporam o uso de avançadas tecnologias de aprendizagem, como centros para cirurgias minimamente invasivas e centros de microcirurgia para ouvido, olhos e mão.
Os cursos de especialização têm carga horária entre 396 a 436 horas e abrangem diferentes áreas como Fisioterapia Hospitalar, Enfermagem Oncológica, Enfermagem em UTI, Saúde Baseada em Evidência, Manejo do Paciente com Dor, Cuidado ao Paciente Crítico, Cirurgia Vídeo Assistida, Ginecologia Minimamente Invasiva e Trombose. O MBA Gestão em Saúde foi desenvolvido em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os preços variam de R$ 12 mil, no caso do MBA, a R$ 18 mil, no de Cirurgia Vídeo Assistida.
Além do corpo profissional do hospital, que já tem ligações com universidades aqui e no exterior e disseminam seu conhecimento nesses cursos, o instituto traz especialistas de fora.
O IEP tem firmado parcerias com diferentes universidades, como a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (com foco específico em dor e imagem) e com a Escola Paulista de Medicina (ginecologia e saúde baseada em evidências).
Com o Ipen - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, tem acordo na área de medicina e laser, com a perspectiva de montar um mestrado profissionalizante nessa área. Estão sendo negociadas também algumas parcerias com escolas privadas, diz Padilha. 
O compromisso, segundo ele, é com a constante melhoria da qualidade. "Está dentro da nossa missão", afirma o diretor-executivo. Padilha explica que a receita gerada com os cursos este ano está prevista em R$ 5 milhões, abaixo do valor investido, de R$ 9 milhões. A diferença será coberta pela Sociedade Beneficente de Senhoras, mantenedora do hospital e do IEP, além das ações efetuadas na área de responsabilidade social.
Os cursos de especialização deste ano foram gestados durante 2004 com o foco da multiprofissionalidade. Câncer, trombose, dor e pacientes em estado crítico exigem essa abordagem multiprofissional. "Cuidar de pacientes com dor, por exemplo, envolve interdisciplinaridade e multiprofissionalismo e é necessário desenvolver outros profissionais que não são médicos para complementar o atendimento."
A metodologia de ensino é baseada no sistema PBL (Problem Based Learning), cuja proposta é dar oportunidade ao aluno de desenvolver habilidades e conhecimentos por meio de situações reais, vivenciando o cotidiano dos centros hospitalares e desenvolvendo o interesse constante pela busca de soluções. O processo facilita a aprendizagem, afirma Padilha. As turmas, com capacidade máxima de 50 profissionais, são subdivididas em pequenos grupos, de sete a dez alunos.

Estudos de caso
São realizados diversos estudos de casos, de uma situação clínica, de situações reais. "Um simulador pode provocar uma arritmia cardíaca e a equipe decide como tratar, o que leva também a uma discussão mais ética de respeito ao cidadão, ao paciente."
Em algumas situações, atores treinados podem simular um paciente difícil, com um quadro psicótico. Câmeras registram a reação da equipe que está sendo treinada, que será depois discutida em grupo. "O processo de aprendizagem é bem ativo e tem de ser desencadeado a partir do aprendiz. Esta é a marca da montagem desses cursos."
Além da direção executiva, Padilha é o coordenador do curso de pós-graduação em Saúde Baseada em Evidências, metodologia que permite uma análise crítica do conhecimento clínico, de como ele é produzido. "É uma soma das experiências isoladas desenvolvidas dentro de consultórios."
Os participantes dos cursos de especialização têm de apresentar projetos de pesquisa como trabalho final, que poderão ser depois desenvolvidos dentro da própria instituição. "A idéia é que esses cursos produzam massa crítica e se transformem em mestrados com linha de pesquisa, produção de conhecimento, publicações."
Além de recursos próprios, o IEP vai trabalhar com projetos com financiadores na área da indústria e às agências de fomento à pesquisa. Atualmente, o instituto já dispõe de verbas da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Formado há 25 anos na Faculdade de Medicina de Marília, Padilha tem especialização em administração hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), é mestre em saúde pública com concentração na Área de Administração em Saúde pela Universidade de São Paulo (USP) e doutor em medicina interna e terapêutica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).