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Sintomas persistentes de Covid-19 alertam para possíveis sequelas da doença

Publicado em 22 outubro 2020

A morte do senador Arolde De Oliveira, após complicações no pós-covid, acendeu um alerta sobre a doença causada pelo coronavírus. Mesmo depois de um mês da fase aguda da Covid-19, parte dos pacientes que tiveram casos leves ainda relata sintomas persistentes, entre eles a dor de cabeça frequente, fadiga, sonolência, alteração de memória e perda de olfato.

Dados preliminares de um estudo em andamento na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) feito com 80 pessoas que já tiveram a doença – das quais apenas três precisaram de internação – mostra que cerca de 30% dos recuperados da Covid-19 ainda afirmam sentir fadiga e dor de cabeça frequente por um período que pode passar de dois meses após o diagnóstico da doença.

Desses ex-pacientes, aproximadamente 20% relataram alteração da memória e sonolência. Somente 25% dos participantes disseram estar com a saúde como era antes da infecção.

O estudo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia (BRAINN) conta com o apoio da Fapesp e a colaboração de um grupo multidisciplinar composto por neurologistas, psicólogos, enfermeiros, físicos, técnicos de radiologia e biólogos.

Os resultados iniciais apontam para os efeitos do novo coronavírus no sistema nervoso, desencadeando complicações neurológicas, segundo a neurologista Clarissa Lin Yasuda, professora na Unicamp que lidera a pesquisa.

A Covid-19 pode deixar consequências em diversas partes do organismo como pulmão, coração, vasos sanguíneos e rins. A perda de olfato, sintoma comum durante a doença, também pode durar por meses, e os especialistas não descartam perda definitiva da função, ainda que a possibilidade seja baixa. Como se trata de uma doença nova, não se sabe ao certo por quanto tempo esses efeitos podem permanecer.

Autópsias de pessoas mortas pela Covid-19 comprovam que o vírus é encontrado no cérebro. A principal hipótese dos especialistas é que o invasor entra nas células do sistema nervoso usando o receptor ECA2, ao qual se liga com a proteína em forma de espinho que possui; o receptor é abundante no sistema nervoso. Como as vias respiratórias são a principal entrada do patógeno no corpo, a proximidade do cérebro facilita a invasão do vírus, segundo Yasuda.

As dores de cabeça parecem ser o sintoma persistente mais comum entre os recuperados da Covid-19. Segundo Yasuda, pessoas que já tinham o problema relatam piora, e pessoas que não tinham as dores com frequência agora sofrem com os episódios mais numerosos.

O resultado este estudo da Unicamp deve ajudar em tratamentos mais efetivos de pacientes de covid-19 que apresentam sintomas neurológicos, como anosmia, confusão mental, convulsões e zumbido no ouvido.