Notícia

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Sinfônica toca "Simetria" às 12h30, na FCM

Publicado em 18 novembro 2010

O concerto "Simetrias" será apresentado pela Orquestra Sinfônica da Unicamp nesta sexta-feira (19), às 12h30, no Auditório V da Faculdade de Ciências Médicas. O evento é uma realização do Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural da Unicamp (Ciddic), do Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (Nics) e da Comissão de Ação Cultural da Reitoria.

O concerto SimetriaS propõe a organização de estruturas musicais com suporte visual para integrar o som da orquestra com imagens projetadas e articular através delas um diálogo entre a orquestra e os solistas.

Em Curto Circuito II (2010), peça virtuosística para multi-percussão solista, a sonoridade das cordas tratada de forma percussiva gera informação para processamento computacional de imagens geradas em tempo real. O vídeo interativo faz uma analogia à cauda dos Dragões Chineses e transporta o conceito de simetria para o elo entre os movimentos repetitivos do solista, os pulsos rítmicos da orquestra e as oscilações na imagem. Esses elementos que desafiam a nossa capacidade perceptiva de diferenciar sons e imagens, provocado pela observação de padrões geométricos intrincados.

Cadência Textural I (2010) foi composta como uma aproximação gradual do padrão rítmico da obra "Clapping Music" (1972) de Steve Reich. O processo de repetição é utilizado como uma forma de produzir convergência ou cadência. Os padrões rítmicos e visuais são entrelaçados utilizando-se a série numérica de Fibonacci. A cada passo da trajetória musical, a orquestra se aproxima da própria citação da figura rítmica utilizada na obra de Reich. A convergência se dá justamente no último compasso da obra onde todos os instrumentos se aproximam da sonoridade dos instrumentos de percussão. Os dois percussionistas, ao executar o bongô e as congas com as mãos, reiteram pequenas variações rítmicas que se acumulam gradualmente. O vídeo interativo espelha este desenvolvimento sonoro também num processo similar.

A versão orquestral de duas das Gymnopédies de Eric Satie foi realizada por Claude Debussy em 1896. Ela transporta a mesma ambiência calma e elegante da versão original para piano. Embora construída sobre padrões de grande simplicidade, a obra foi inovadora em sua linguagem harmônica e na quebra da retórica romântica, com sua economia de sons e desconstrução de uma linha dramática.

O título original de The Unanswered Question (1906) de Charles Ives era, traduzido, "A Contemplação de um tema sério" ou "A pergunta perene não respondida". Ela pode ser escutada como uma colagem de três camadas sonoras, interpretadas por um quarteto de cordas, um quarteto de sopro e um trompete solo, cada camada com um andamento e tonalidade diferente, Ives descreveu a obra como uma "paisagem cósmica" na qual as cordas representam "o silêncio dos Druidas - que nada sabem, veêm ou escutam". O trompete faz então "a perene pergunta sobre a existência". Os sopros buscam então "a resposta invisível", mas abandonam essa busca em frustração, restando apenas o silêncio.

Re-cercar: quatro variações brincantes sobre tema da oferenda (2010) toma como ponto de partida o tema da Oferenda Musical de J. S. Bach. No lugar de pensar essa sequência de forma melódica, as notas são tomadas como entidades abstratas dentro de uma ordem. Desta forma a concepção de variação vai muito além da variação melódica ou estrutural da música tradicional para brincar com diferentes estilos da música contemporânea, começando com uma textura spectral e terminando com rastros da música repetitiva. No meio, cercados por essas variações, estão montados em canon stretto os sete sujeitos do Ricercar da Oferenda, na orquestração concebida por Anton Webern.

A obra Perfis (2010) encerra o concerto apresentando um diálogo textural entre a orquestra e solistas. Obra dividida em três movimentos ou diagramas, faz uma analogia à percepção visual. Quando se observa um objeto é possível criar um diagrama para sintetizar as suas linhas principais e traçar perfis que descrevem a sua forma. A obra se baseia na construção de texturas a partir da superposição de perfis rítmicos ancorados em três processos harmônicos diferentes. No decorrer da obra regularidades constroem processos de acumulação que são posteriormente dissipados ou rarefeitos. O diálogo entre orquestra e solistas produz uma condução textural vigorosa. A diversidade de blocos sonoros alternados entre orquestração e instrumentos solistas constrói direcionalidade em alguns momentos e massas sonoras em outros, simultaneidades que persistem na construção de (des)similaridades.

Programa

Parte I: Orquestra de câmara, percussão e audiovisual interativo

Jônatas Manzolli - Curto Circuito II (2010) *

Solista: César Traldi (percussão)

Jônatas Manzolli - Cadência Textural I (2010) *

Solistas: César Traldi e Fernanda Vanessa Vieira (percussão)

Parte II: Orquestra e Solistas

Eric Satie (orquestração Claude Debussy) - Gymnopedie III e I (1888)

Charles Ives - The Unanswered Question (1906)

Denise Garcia - Re-cercar: Quatro Variações Brincantes sobre o tema da oferenda (2010) *

Solistas: Maria José Carrasqueira (piano) e César Traldi (vibrafone)

Jônatas Manzolli - Perfis (2010) *

Solistas: Maria José Carrasqueira (piano) e César Traldi (vibrafone e xilofone)

Orquestra Sinfônica da Unicamp

Regência: Simone Menezes

QUEM É QUEM

César Traldi (percussão): Bacharel em percussão e doutor em música pela Unicamp. Sua pesquisa foca o estudo do processo interacional do intérprete com meios tecnológicos em tempo real. Atualmente, é professor de percussão e chefe do Departamento de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Uberlândia.

Denise Garcia (composição): Estudou composição com Willy Corrêa de Oliveira (USP 1974-79), Giselher Klebe e Willhelm Killmeyer (Alemanha 1979-84). Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com estágio no INA/GRM sob orientação de Daniel Teruggi. Professora na Unicamp desde 1985, atualmente é diretora associada do Ciddic. Suas pesquisas acadêmicas se voltam para a análise da música eletroacústica brasileira.Jônatas Manzolli (composição e direção artística): Doutorado em Composição Musical pela University of Nottingham, Livre Docente do Instituto de Artes da Unicamp e coordenador adjunto do Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (Nics). A interação entre computação musical e processos criativos musicais é o seu interesse de pesquisa, estuda o entrelaçamento entre modelos computacionais, interatividade e composição contemporânea.

Maria José Carrasqueira (piano): Intérprete destacada no cenário brasileiro e internacional, doutora em Artes, é docente de Piano e Música de Câmara do Departamento de Música da Unicamp. Sua pesquisa foca a História do Piano no Brasil e técnicas interpretativas, priorizando o contexto da Música Brasileira.

Simone Menezes (regência): Graduou-se na Unicamp e pós-graduou-se em Regência na École de Musique de Paris. Estudou ainda com Colin Metters (prof. da Royal Academy of Music of London). Especializou-se em regência de música Contemporânea com bolsa Fapesp, trabalhando como residente junto a diversos ensembles na Europa. Atualmente é regente do Ciddic e atua junto à Orquestra Sinfônica da Unicamp.