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Os pingos nos j's

Sinfônica Campinas faz concertos neste fim de semana no Castro Mendes

Publicado em 24 março 2017

Bach, Telemann e Bartholdy serão as obras apresentadas nos concertos da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, neste fim de semana, em homenagem aos 500 anos da Reforma Protestante, no Teatro Castro Mendes. No sábado, dia 25 de março, às 20h e no domingo, dia 26 às 11h. A novidade é que as apresentações aos domingospassam a ter o valor promocional de R$ 6,00.

Sob a batuta do maestro convidado Marcos Arakaki, o público terá oportunidade de apreciar, a sutileza da flauta doce, um instrumento que acompanha o curso da arte desde o século 13 com a mesma potência e importância. Para mostrar a versatilidade de timbres deste nobre instrumento, a Sinfônica receberá o solista Cesar Villavicencio, que, além de especialista na música da Idade Média, tem destacado a participação da flauta doce na produção contemporânea.

Os concertos deste final de semana homenageiam, ainda, os 500 anos da Reforma Protestante no Brasil. O repertório traz obras de J. S. Bach (Suíte para Orquestra em Dó Maior, BWV 1066), G. P. Telemann (Concerto para Flauta Doce em Fá Maior e Concerto para Flauta Doce em Dó maior) e F. Mendelsshn Bartholdy (Sinfonia 5, op. 107, Sinfonia da Reforma).

O solista

Formado pelo Conservatório Real de Haia, Holanda, Cesar Villavicencio é pesquisador e intérprete da música dos séculos XVI, XVII, XVIII, música contemporânea e improvisador. Possui doutorado em Música – University of East Anglia (2008), Inglaterra, com a tese “The Discourse of Free Improvisation". Realiza pesquisa em nível de pós-doutorado no Departamento de Música da ECA/USP (FAPESP) e foi professor convidado no Conservatório Real de Haia.

Desde 2003 é professor de flauta doce barroca na Oficina Internacional de Música de Curitiba. Durante este período, tem realizado um trabalho pedagógico que abrange o repertório antigo e contemporâneo para a flauta doce incluindo a área da improvisação contemporânea.

Villavicencio trabalhou em orquestras barrocas sob a direção de Ton Koopman e William Christie. Como improvisador, tocou com Evan Parker, Richard Barrett, e forma parte do conjunto MusicaFicata com Fernando Iazzetta e Rogério Costa. Possui graduação em Música pela Universidade São Judas Tadeu (1990), mestrado em Flauta doce – Conservatório Real de Haia, Holanda.

O maestro

Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais, Marcos Arakaki colabora com a Orquestra desde 2011. Sua trajetória artística é marcada por diversos prêmios, bem como pela atuação à frente de importantes orquestras do Brasil e do exterior. Bacharel em Música e Mestre em Regência Orquestral, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de concertos didáticos, bem como para a difusão da música de concerto através de turnês em mais de setenta cidades brasileiras. Atua, ainda, como coordenador pedagógico, professor e palestrante em diversos projetos culturais e instituições do país.

O repertório

Há quase 500 anos, no dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg suas 95 teses para debater com a comunidade acadêmica a respeito do posicionamento da igreja católica. Assim, a escolha do repertório da Sinfônica de Campinas teve como norteador compositores e obras significantes para a igreja reformada.

Um dos mais importantes músicos de sua época e também atualmente, J. S. Bach (1685-1750) veio de família de músicos e perpetuou essa tradição familiar ao proporcionar a oportunidade da vivência musical para seus filhos. Seu trabalho como músico é diversificado, tanto como compositor, regente e instrumentista, assim como em suas obras de estilos variados.

"Em suas Suítes, temos uma abertura que funciona como uma introdução ao ciclo de danças que seguem. Todas escritas em estilo francês. Observamos uma referência às festas da corte de Louis XIV e XV, que aconteciam na França. Acredita-se que obras foram escritas durante a estada de Bach em Köthen, na Alemanha, no período em que trabalhava para a corte do príncipe Leopold, amante da música", afirma o pesquisador Leonardo Augusto Cardoso de Oliveira.

O segundo autor do programa, Telemann (1681-1767), vem de família de pastores luteranos.Devido ao contato precoce do músico com os instrumentos da família das madeiras enquanto criança, o compositor podia escrever para esses instrumentos de forma íntima.

"De forma geral, os concertos apresentados possuem quatro movimentos que se estruturam com um padrão. Temos um primeiro movimento que traz o instrumento solista como o principal do grupo, ora com uma melodia envolvente e calorosa (Affetuoso), ora solene (Allegretto). Segue-se então um movimento andado, virtuosístico, também acompanhado pela orquestra, que se manifesta em alguns momentos com a melodia principal ou respondendo ao instrumento solo. Em outro momento, há um clima mais intimista e melancólico, para finalmente uma dança final, em que a flauta doce ora toca como tutti, ora como instrumento principal", comenta Cardoso de Oliveira.

Último compositor do repertório, Mendelssohn (1809-1847) vem de um contexto de família convertida ao cristianismo. Seu pai foi um abastado banqueiro judeu e, assim, pôde apoiar o filho a seguir seus estudos musicais. Desde muito novo, o sofisticado compositor possuía uma inclinação para a música.

A princípio, a Sinfonia da Reforma tinha como intuito ser apresentada em comemoração aos 300 anos da confissão de Ausburgo, momento importante para a ratificação da fé luterana. Entretanto, não ficou pronta no prazo necessário e teve sua estreia apenas dois anos após seu término, em 1832.

"Podemos afirmar que a Sinfonia é uma obra cíclica com elementos programáticos. Além de elementos que são reapresentados durante a obra em movimentos distintos, o compositor também utiliza temas externos da liturgia e cantos luteranos para compor os movimentos", conclui o musicólogo.

Programa

J. S. Bach: Suite para orquestra em dó maior, BWV 1066

G. Ph. Telemann: Concerto para flauta doce em fá maior, TWV 51:F1

G. Ph. Telemann: Concerto para flauta doce em dó maior, TWV 51:C1

F. Mendelssohn: Sinfonia 5, Op. 107 “Sinfonia da reforma”

Programe-se

Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas

(Homenagem aos 500 anos da Reforma Protestante)

Regente convidado: Marcos Arakaki (Brasil)

Solista convidado: Cesar Villavicencio (flauta doce)

Data: 25 de março (sábado), 20h; 26 de março (domingo), 11h

Local: Teatro Castro Mendes (Praça Corrêa de Lemos,s/n. Telefone 19 – 3272.9359. Vila Industrial. Campinas)

Ingressos: sábado - R$30,00 (inteira), R$ 15,00 (estudantes, aposentados), R$ 10,00 (professores das escolas públicas e privadas de Campinas e das cidades da Região Metropolitana, pessoas com mobilidade reduzida e portadores de deficiências), R$ 5,00 (estudantes das redes municipal e estadual).

Valor promocional aos domingos: R$ 6,00 (inteira), R$ 3,00 (meia entrada); R$ 2,00 (professores das escolas públicas e privadas de Campinas e das cidades da Região Metropolitana, pessoas com mobilidade reduzida e portadores de deficiências); R$ 1,00 (estudantes das redes municipal e estadual).

Haverá food trucks na Praça Corrêa de Lemos, em frente ao Teatro Castro Mendes.