Notícia

Jornal Primeira Página

Síndrome está associada a baixos níveis educacionais

Publicado em 06 agosto 2011

Por ANNA PAULA CARVALHO

Um recente estudo realizado pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) mostrou que a síndrome metabólica, que é um conjunto de fatores de risco cardiovascular que inclui hiperglicemia - com ou sem diabetes-hipertensão arterial, obesidade e aumento da circunferência da cintura, tem altos índices entre a população da cidade. Além disso, a doença está ligada diretamente aos níveis educacionais da população, de acordo com estudo divulgado recentemente pela professora e endocrinologista Ângela Leal, ligada à universidade, e principal autora do estudo.

Em entrevista à reportagem do Primeira Página, Ângela Leal disse que o estudo de base populacional envolveu 1.116 indivíduos de 30 a 79 anos de idade. O trabalho foi elaborado também por docentes, e patrocinado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), e incluiu medição de peso e circunferência abdominal, coleta de sangue, avaliação da pressão arterial e, além da aplicação de questionários sobre condições de saúde e indicativos sócio-demográficos. A professora ainda disse que a análise dos dados mostrou que a prevalência da síndrome se apresentou com 36% entre os homens, e de 38% entre as mulheres, com o critério que inclui circunferência abdominal, a prevalência subiu para 45,3% entre os homens e para 45,5% entre as mulheres.

O estudo ainda citou resultados interessantes, e apontou uma associação do problema com a condição educacional dos entrevistados. "Quanto mais baixo o nível educacional, maior o risco de síndrome metabólica. Outros fatores como o aspecto financeiro, e fatores sociais também são dados que agravam os riscos da doença entre as pessoas", disse Ângela. Já em níveis menores, aspectos como associação do problema com a faixa etária, e o peso e a cor da pele, também foram associados à doença.

Ações que podem prevenir a doença, devem se dar através de políticas públicas de saúde, e principalmente educação, enfatizou Ângela. "O baixo nível educacional é um dos mais graves problemas e que aumenta os riscos da doença. Não será viável vislumbrar melhoras na saúde destes cidadãos, se não atentarmos também a educação deles" analisa Ângela.

Os dados para a realização da pesquisas foram colhidos no período de agosto de 2007 a junho de 2008.