Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Simuladores analisam energia e esgoto

Publicado em 21 março 2005

A perda de energia ainda é uma grande 'dor de cabeça' para o Brasil. O País desperdiça 15% do total da energia consumida, o equivalente a 45 bilhões de quilowatt/hora (kw/h), quantidade suficiente para abastecer toda a região Nordeste durante um ano.
A informação é do coordenador de Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa.
Segundo ele, o maior responsável pelo desperdício é o setor industrial, que consome 45% de toda energia gerada no País e que ainda convive com essa margem de perda constatada especialmente nos motores das empresas.
Mas esse não é o único calcanhar de Aquiles do sistema. As linhas de transmissão também são obsoletas. Nos países do Terceiro Mundo, estima-se que o problema acarrete uma perda da ordem de 20% do total gerado. No Brasil, esse volume corresponde a cerca de 12 GW (gigawatt, ou um bilhão de watts), praticamente o que gera uma usina como a de Itaipu, no Paraná, que sozinha disponibiliza 25% de toda a energia elétrica consumida pelo brasileiros.
Para diminuir esse enorme desperdício, especialistas do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP), criaram um novo software capaz de reduzir em até 40% as perdas em sistemas de distribuição.
De acordo com o professor Alexandre Cláudio Botazzo Delbem, coordenador da pesquisa, as linhas de distribuição obsoletas também causam sobrecarga na rede. Estas, por sua vez, levam ao aquecimento dos cabos e o calor gerado acaba consumindo parte da energia distribuída.
O novo software deve chegar ao mercado no segundo semestre deste ano. No momento, a equipe da USP está concluindo os testes referentes à interface com o usuário. "Em junho estaremos com esse trabalho concluído", diz Delbem.

Esgoto
Enquanto o software paulista entra na sua fase final de ajustes, no Rio de Janeiro pesquisadores já estão testando uma outra ferramenta virtual. Desta feita, o objetivo é melhorar o sistema de coleta de esgoto, cujas falhas no tratamento são tidas como os maiores vilãs da poluição ambiental no País.
Segundo Cynara Cunha, do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp), em entrevista à Agência FAPESP, o novo software realiza uma série de simulações que podem indicar quais os caminhos percorridos pela poluição, a partir de análises laboratoriais de amostras de água coletadas no campo.
Com esse novo software, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz já estão avaliando os impactos ambientais dos efluentes sanitários na Baía de Guanabara.
O objetivo é, a partir da carga dos poluentes dos rios que desembocam no local, calcular, com simulações computacionais, a concentração que determinado poluente vai ter em todas as regiões da Baía, e das áreas vizinhas.
Com isso, o dinheiro do contribuinte ou a verba obtida por meio de empréstimos externos para saneamento básico poderá ser melhor aproveitada, pois o programa indica com alto grau de exatidão, as áreas com maior necessidade de intervenção. Economia e qualidade de vida, on line.