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Jornal do Commercio (RJ) online

Simulador

Publicado em 07 julho 2005

Software

Os jogadores brasileiros já podem comemorar a criação do primeiro videogame com tecnologia 100% nacional. Uma parceria entre a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e a empresa Matic Entretenimentos deu origem ao jogo GP Brasil, um simulador de corrida produzido com base em software livre e bibliotecas abertas.

A Matic ficou responsável pela fabricação do gabinete do simulador e os projetistas do Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC) pela criação do software e hardware necessários para o jogo.

"É o primeiro simulador de grande complexidade tecnológica desenvolvido inteiramente por pesquisadores brasileiros e com recursos nacionais", explica Irene Ficheman, pesquisadora responsável pelo projeto. O trabalho contou com a coordenação científica da professora Roseli de Deus Lopes.

Os técnicos do LSI-TEC criaram toda a parte de interação do jogo com o usuário, como a simulação física do carro, os controles de resistência do volante de acordo com colisões da corrida, a parte gráfica para geração de imagens e a manipulação de efeitos sonoros de imersão.

"Nós criamos também todas as interfaces competitivas que permitem a realização de uma corrida entre vários jogadores em rede, além de dispositivos de inteligência artificial que simulam a atuação de jogadores virtuais", conta Irene. O GP Brasil oferece três opções de pistas ao jogador: os autódromos de Interlagos, em São Paulo, e o Internacional de Curitiba, este com versões de pista mista e oval.

A pesquisadora explica que o software modelo, desenvolvido com base no sistema operacional Linux, foi adquirido em bibliotecas abertas na internet. "Tudo começou com o download de ferramentas de simulação na web para, a partir daí, podermos modelar todas as características específicas do jogo. As bibliotecas nos deram os caminhos para a idealização do produto final."

Os pesquisadores do LSI-TEC pretendem em breve montar uma biblioteca que será disponibilizada na internet. "A idéia é reunir todas as bibliotecas abertas já utilizadas pelo laboratório. Assim, outras pessoas poderão utilizar essas ferramentas de códigos abertos para a criação de novos games", afirma Irene.

Agência Fapesp