Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Simulação por computador reconta história do Universo

Publicado em 03 junho 2005

ASTRONOMIA — Trabalho gera 25 trilhões de bytes

A maior e mais completa simulação em computador já feita da história do Universo acaba de ser anunciada por um grupo internacional de cientistas. O consórcio Virgo divulgou os primeiros resultados de um trabalho que mostra a formação de galáxias e quasares com riqueza de detalhes inédita.
A iniciativa, denominada Millennium Run, conseguiu traçar a evolução da distribuição da matéria em uma região do Universo, separada pelos pesquisadores como se fosse um cubo com cerca de 2 bilhões de anos-luz em cada lado. A simulação foi feita na principal máquina do Centro de Supercomputação da Sociedade Max Planck, na Alemanha.
O processamento resultou na gigantesca quantidade de 25 trilhões de bytes de informação, o que torna possível aos cientistas recriar as histórias evolucionárias dos mais de 20 milhões de galáxias contidas na região analisada, além das origens de buracos negros supermassivos que se localizam nos centros de quasares.
Processos
O estudo, publicado na revista "Nature", mostra como a combinação dos dados obtidos por meio da simulação, com outros conseguidos a partir da observação, pode ajudar a explicar os processos por trás da formação do Universo.
Por meio da simulação, os cientistas do consórcio Virgo descobriram quasares muito distantes que aparentemente abrigaram buracos negros, cada um com massa pelo menos 1 bilhão de vezes maior do que a do Sol, num momento em que o Universo tinha um décimo de sua idade atual. Esse cenário, de buracos negros em tal local e tão cedo na história do Universo, vai contra o que se imaginava até então.
Apesar dos resultados instigantes, os pesquisadores acreditam que as melhores contribuições do mapa da história cósmica ainda estão por vir. "O Millennium Run é uma ferramenta única. Nosso principal desafio agora é fazer com que todo o potencial que foi aberto esteja disponível a astrônomos em todo o mundo, de modo que possam surgir muitas contribuições a respeito da origem de outras galáxias", disse Simon White, do Instituto de Astrofísica Max Planck, em comunicado da instituição.
Agência Fapesp