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Jornal da Unicamp online

Simtec promove encontro histórico entre reitores

Publicado em 03 outubro 2016

Por Manuel Alves Filho

Um encontro histórico entre seis reitores de diferentes períodos da Unicamp marcou a cerimônia de abertura do VI Simpósio de Profissionais da Unicamp (Simtec), ocorrida na noite do último dia 26, no Centro de Convenções da Universidade. Participaram da solenidade o atual reitor José Tadeu Jorge e os reitores Carlos Vogt (1990-1994), José Martins Filho (1994-1998), Hermano Tavares (1998-2002), Carlos Henrique de Brito Cruz (2002-2005) e Fernando Costa (2009-2013). Eles deram depoimentos sobre a história da instituição, a partir do tema “Unicamp 50 anos – Memórias, experiências e trajetórias profissionais”.

Além de falarem sobre vários episódios que marcaram a história da Unicamp e de suas gestões, os reitores também destacaram a importância da universidade pública, gratuita e de qualidade para o desenvolvimento do Brasil. No caso específico da Unicamp, pontuaram, a excelência que caracteriza as atividades de ensino, pesquisa e extensão da Universidade somente foi alcançada graças à qualidade e ao empenho de funcionários, professores e estudantes.

Os reitores enfatizaram, ainda, a importância do Simtec, evento que congrega os funcionários do quadro técnico-administrativo e que divulga os projetos que eles concebem e executam para aperfeiçoar as atividades da instituição. “A qualidade que a Unicamp ostenta hoje foi construída com base nas pessoas: professores, funcionários e estudantes. Para construir a melhor universidade do Brasil é preciso contar com os melhores quadros nesses segmentos”, afirmou o reitor José Tadeu Jorge. De acordo com ele, o Simtec, que é organizado por funcionários, é representativo da qualidade desse segmento.

Tadeu Jorge se considerou um felizardo por ter vivenciado 45 dos 50 anos da Unicamp, primeiro como estudante e depois como docente. “Inúmeros episódios que marcam minha vida têm estreita relação com a trajetória da Universidade. Eu me sinto parte da comemoração e me sinto representado em boa parte dessas memórias. Que possamos usar as estruturas que construímos até aqui para ancorar os projetos de qualidade que a Unicamp terá que executar pelos próximos 50 anos ou mais”.

Reitor da Unicamp no período de 1990 a 1994, Carlos Vogt disse que o quadro técnico-administrativo da Universidade sempre desempenhou um papel chave no desenvolvimento da instituição. “Na minha gestão, quando implantei as carreiras, foi justamente pensando na importância dessas atividades para o cumprimento das missões da Unicamp, que é ensinar, pesquisar e fazer extensão”. Outro ponto destacado por Vogt foi o estabelecimento, durante sua gestão como reitor, das bases para a institucionalização da Universidade, projeto que ganhou solidez com o advento da autonomia universitária, conquistada em 1989.

José Martins Filho, reitor entre 1994 e 1998, observou que teve algumas atitudes à frente da Administração Central que foram fundamentais para valorizar os funcionários. “Foi na nossa gestão que criamos, por exemplo, o CAF [Centro de Apoio aos Funcionários]. A Unicamp é formada por um conjunto de pessoas. Sem funcionários qualificados não conseguiríamos atingir nossos objetivos de ensinar, de pesquisar e de produzir conhecimento. Os servidores não docentes constituem parcela importante para a concretização dessas missões”, reforçou.

Hermano Tavares, que ocupou a Reitoria nos anos de 1998 a 2002, declarou que a universidade é capital para o desenvolvimento de um país. “Infelizmente, aqui no Brasil nós iniciamos um movimento de educação em geral e educação superior em particular muito tarde. A Unicamp é uma das universidades brasileiras que têm resultados importantes a exibir, embora seja jovem. Isso não foi feito pela ação de uma ou outra pessoa isoladamente, mas de um conjunto formado por servidores docentes, servidores não docentes e estudantes”.

Na visão de Hermano Tavares, a despeito de o Brasil e da Unicamp terem atravessado tempos difíceis recentemente, há espaço para que a Universidade continue avançando e contribua para oferecer um futuro melhor ao país. “É impossível prever como a Unicamp será daqui a 50 anos. Mas penso que devemos ter sempre a capacidade de estar na vanguarda ou pelo menos acompanhar a vanguarda. Estrutura e recursos humanos para isso nós temos”.

Atual diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, reitor no período de 2002 a 2005, lembrou que a Unicamp é um dos grandes exemplos disponíveis para a defesa da universidade pública e gratuita no Brasil. “A Unicamp tem cumprido uma trajetória muito especial, baseada no fato de a sua comunidade valorizar muito o mérito, as qualidades acadêmicas e as relações com a sociedade. Toda a comunidade é muito importante para o desenvolvimento da Universidade. Em particular, os funcionários não docentes têm sido essenciais ao desenvolvimento da instituição. O Simtec é uma iniciativa importante porque possibilita a discussão de temas relevantes para o segmento e para a Universidade de modo geral”, afirmou.

Fernando Costa, reitor entre os anos de 2009 a 2013, considerou igualmente que o Simtec é revelador da importância dos funcionários para o desenvolvimento da Unicamp. “E a Unicamp é fundamental ao desenvolvimento do país. A Universidade somente conseguiu chegar ao patamar onde se encontra porque sempre primou por selecionar os melhores docentes, os melhores funcionários e os melhores alunos. Somos uma Universidade jovem. Entre as universidades jovens, nós nos destacamos tanto no plano nacional quanto internacional. Penso que a Unicamp só tem a crescer daqui para frente”.

Para o atual coordenador-geral da Unicamp, Alvaro Crósta, a história de sucesso da Universidade deve muito ao seu corpo de funcionários. Uma universidade de ponta como a Unicamp, segundo ele, não poderia atingir o status atual se não fosse o comprometimento de toda a sua comunidade interna. “O Simtec é uma forma de valorizar e dar o devido crédito àqueles que trabalham com o desenvolvimento técnico e científico da Universidade, tanto em atividades de apoio quanto nas atividades fim. Desde os primórdios da história, a Unicamp soube selecionar muito bem seus funcionários, docentes e alunos”, pontuou.

Presidente da Comissão Unicamp ano 50, a professora Itala Maria Loffredo D’Ottaviano disse que a inclusão do VI Simtec nas ações em comemoração ao cinquentenário da Universidade estava prevista desde o início, por causa da relevância do evento para a instituição. “O Simtec nasceu como um evento original e importante para a Universidade. É uma iniciativa que tem característica especial, visto que conta com a apresentação de trabalhos com muita originalidade e qualidade científica. São trabalhos importantes porque contribuem para o aperfeiçoamento das atividades de vários setores da Unicamp. Não conheço outra universidade que tenha um evento com essas características”.

Coordenador do Grupo Gestor de Benefícios Sociais e também do Simtec, Edison Lins classificou a cerimônia de abertura do simpósio como um momento histórico, por reunir seis reitores de diferentes períodos. “É um momento que marca o reconhecimento ao Simtec. Trata-se de uma importante validação institucional. Sem dúvida, os funcionários têm cada vez mais importância estratégica dentro dos destinos da Universidade. Aliás, este entendimento foi que norteou a criação do simpósio, em 1997”.