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ABC - Academia Brasileira de Ciências

Simpósio sobre Excelência em Educação Superior Fapesp-ABC

Publicado em 26 janeiro 2014

Por Elisa Oswaldo-Cruz

Nos dias 23 e 24 de janeiro, a Academia Brasileira de Ciências (ABC), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), promoveu o Simpósio sobre Excelência em Educação Superior, reunindo alguns dos maiores especialistas em educação superior para debater rumos e formas de melhorar a qualidade das universidades e instituições de ensino e pesquisa no Brasil.

Harvard: 300 anos à frente

Pensando nessa perspectiva, o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC) e Acadêmico

Jorge Almeida Guimarães contextualizou nossa condição histórica, destacando que o fato de o Brasil ter sido colônia por 322 anos ainda se reflete na nossa cultura de muitas formas e acentua a necessidade de se fazer avanços. "A partir de 1808, com a chegada da família real ao Brasil, o país começou a mudar, mas o ciclo de commodities permaneceu até os anos 50 e persiste, em menor escala, até hoje", destacou Guimarães. Embora já houvessem cursos superiores isolados, a primeira universidade fundada no país, de acordo com o palestrante, foi a Universidade de São Paulo (USP), criada em 1934 - 300 anos depois de Harvard. A institucionalização do ensino superior se deu em 1951, caracterizada pela criação da Capes e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "Mas a institucionalização da pesquisa só se deu a partir dos anos 80", ressaltou o palestrante.

Avanços significativos em áreas prioritárias

Hoje o sistema universitário brasileiro conta com 2.377 instituições de ensino superior (IES) que graduam um milhão de estudantes por ano. A proporção entre as áreas, no entanto, é baixa nas ciências exatas e engenharias, o que caracteriza uma carência de profissionais no país. No nível de pós-graduação, são formados 47 mil mestres e 14 mil doutores por ano - o que, segundo Guimarães, embora represente um crescimento expressivo está longe de corresponder às necessidades do país.

A formação superior, de acordo com ele, vem sendo fortalecida em algumas áreas onde há grande carência no país, como as licenciaturas. Desde que assumiu em 2008 a qualificação de pessoal para a educação básica também, já que muitas das dificuldades enfrentadas no ensino superior estão relacionadas ao baixo nível da formação oferecida no segmento anterior, a Capes vem investindo na formação desses professores. Foi criado o Programa de Iniciação à Docência (Pibid), que começou em 2008 com 13 mil bolsistas - e tem 90 mil atualmente. "São estudantes de licenciatura sendo formados com a mão na massa, para reposição de professores que se aposentam e buscando suprir as necessidades pré-existentes nas escolas do país". Guimarães explicou que 84% dos recursos da Capes são para bolsas de estudos.

Outra iniciativa bem sucedida da Capes no sentido da qualificação de professores é o mestrado profissional em matemática (Profmat), que oferece bolsas para formação continuada stricto sensu, com tecnologias de educação à distância (EaD), para docentes de matemática de redes públicas da educação básica. Esse programa, coordenado pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), é o maior do país em nível de pós-graduação. "Ele vem sendo ministrado em diversas IES integrantes do sistema da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Já temos cursos correlatos em física e história, estamos encaminhando outros em química e biologia", relatou Guimarães.

Essas ações integram a segunda edição do Plano Nacional de Pós-Graduação, versão 2011-2020, que sucedeu ao PNPG 2005-2010. Esse plano, segundo Guimarães, visa a expansão do sistema nacional de pós-graduação, a criação de uma agenda nacional de pesquisa, o aperfeiçoamento do sistema de avaliação, o incentivo da interdisciplinaridade e o apoio ao ensino médio.

Guimarães destacou as ações induzidas relacionadas à agenda nacional de pesquisa, que vêm sendo conduzidas em parceria com outros ministérios e diversos organismos, como os institutos de pesquisa e todas as fundações estaduais. Alguns exemplos de prioridades nacionais, segundo o presidente da Capes, são as áreas de pesquisa médica, nanobiotecnologia, parasitologia básica, biologia computacional, toxicologia, botânica, Amazônia, ciências do mar e a identificação de jovens talentos, inclusive nas ciências humanas e sociais.

Universidades de classe mundial: desafios para o Brasil

Para alcançar o padrão de excelência internacional, Jorge Guimarães levantou os desafios que ele considera os mais importantes a serem enfrentados pelas universidades brasileiras. A lista envolve a internacionalização do ensino e da pesquisa; a redução do ensino voltado para a informação, com aumento de atividades formativas; a adoção de currículos internacionais; a oferta de cursos ministrados em inglês e em outras línguas; o investimento efetivo em colaboração internacional, inclusive no nível de publicações; o estímulo à mobilidade internacional dos estudantes e da equipe científica; a atração de estudantes e pesquisadores estrangeiros de alto nível; a oferta de residência nos campi.

O presidente da Capes acredita que o programa Ciência sem Fronteiras pode ter um papel importante na evolução desse quadro. O Programa CSF hoje, de acordo com os dados apresentados por Guimarães, tem a grande maioria dos seus bolsistas nos EUA, nas engenharias. "O programa foi desenhado para isso", ressaltou.

(Para Notícias da ABC)