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Simpósio Eletromemória ressalta a correlação entre energia e desenvolvimento

Publicado em 10 fevereiro 2009

Fundação Energia e Saneamento e Departamento de História da USP discutem a importância do resgate histórico para o contínuo desenvolvimento sócio-econômico.

São Paulo – Reunindo as principais concessionárias de energia elétrica do Estado de São Paulo, a Fundação Energia e Saneamento e o Departamento de História da USP comandam um projeto de resgate da história do setor elétrico em São Paulo, o Eletromemória. O entendimento e a documentação serão disponibilizados em arquivos online para pesquisa e democratização da informação. Entre as atividades do projeto, o Simpósio Eletromemória, reuniu formadores de opinião para debaterem o tema na Universidade de São Paulo.

Segundo Ângelo José Húngaro, gerente de Logística da Duke Energy, é preciso cultivar a sabedoria, que é colocar a experiência a nosso favor. Ele comenta que a grandeza do projeto é que as empresas possam preservas a sua história e direcionar seus passos, suas mudanças, com a experiência do passado.

Carlos Ribeiro, gerente do Departamento de Operações da ISA CTEEP, relembrou os blecautes do sistema ocorridos em 84, 85, 96, 99 e no ano de 2002, ainda que já com sistema de redução de consumo. Para ele, manter a história é como um alerta, para que não se repita os erros do passado, olhando as deficiências de geração, transmissão e distribuição. “A importância das lições aprendidas e como podemos olhar para frente e garantir que o que deu errado não se repita, pois a energia precisa estar disponível em qualidade e quantidade para a evolução da economia”, argumenta.

José Fernando Braga Alves, gerente do Departamento de Administração de Serviços e Documentação da CESP, mostrou o grande trabalho que a empresa faz no sentido de preservação da história de todas as usinas.

A jornalista Maria Ângela Jabur, diretora de Comunicação e Responsabilidade Social da ABCE (Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica) e do SIESP (Sindicato da Indústria da Energia do Estado de São Paulo), comentou que a falta de preservação histórica do setor elétrico é um reflexo da pouca importância que a sociedade brasileira, em geral, dá para a história. “É preciso uma aproximação dos responsáveis pela preservação para que as empresas façam sua parte, assim como se preocupam com o lucro e em gerar resultados financeiros.” Ela comenta ainda que investir na preservação histórica passa pela responsabilidade social e ambiental e torna a empresa cidadã.

Demóstenes Barbosa, diretor de Gestão de Meio Ambiente e Créditos de Carbono da AES Eletropaulo, fez uma correlação entre a geração de energia e as Convenções Globais de Mudanças Climáticas e Biodiversidade, e que somente o entendimento histórico auxilia a gerir o papel que o Brasil terá nesse setor, inclusive, considerando as novas determinações e regras que estão em discussão.”Essas duas discussões são muito importantes e o envolvimento das empresas será obvio, uma vez que terá um impacto direto em nossos negócios.”

Outro alerta foi sobre a preservação da história de rios, uma vez que mais de 90% da energia utilizada no Brasil vem de rios. Barbosa comenta que com uma recente política de proteção da biodiversidade aquática e ambiental do Rio Tietê foi possível retomar a pesca, hoje resgatada por 150 famílias de baixa renda e que utilizam o rio como subsistência.

O professor Dr. Ildo Sauer, professor Titular do IEE (Instituto de Eletrotécnica e Energia) da USP, traçou um panorama histórico da energia que desencadeou o Big-ban, até a evolução da sociedade moderna, explicando o vínculo entre energia e sociedade, para ressaltar a importância do registro documental e de todos os aspectos relacionados com esta memória. “A energia é produzida para permitir na sua ponta a transformação direta do aumento da produtividade do trabalho e para que se satisfaçam as necessidades de consumo.”

Ele fez ainda um resgate da importância da primeira grande usina brasileira, que permitiu o desenvolvimento da maior metrópole do País, São Paulo, e que também e que contou com o apoio técnico da Escola Politécnica, pelo apoio que a universidade teve no processo de formação da mão de obra e desenvolvimento dos principais projetos de geração de energia do País.

Concluindo o debate, Márcia Cristina de Carvalho Pazin, Gerente de Documentação e Projetos da Fundação Energia e Saneamento, comentou sobre as dificuldades de fazer esse registro, uma vez que as empresas não separam o que é operacional e o que é história. Ressalta ainda que o registro material auxilia concretizar o entendimento para o leigo de todo o processo de geração e distribuição de energia.

O Projeto Eletromemória - O projeto Eletromemória tem o objetivo de reunir e mapear o patrimônio histórico do setor energético paulista, no período entre 1890 a 2005, e pretende ser o maior levantamento da memória histórica de energia elétrica do Estado de São Paulo . Além de estruturar a criação de um banco de dados de referência dos documentos existentes nas empresas e posteriormente, disponibilizar na Internet.

O estudo que nasceu em fevereiro de 2008 está dividido em quatro áreas de atuação: Arquivologia, Cultura Material, História e Documentação, e conta com pesquisadores das principais universidades de São Paulo, a USP, a UNESP e a Unicamp.

Cinco empresas estão sendo pesquisadas até o momento: AES Tietê, AES Eletropaulo, Duke-Energy, ISA CTEEP (Transmissão Paulista) e CESP (Companhia Energética de São Paulo), além do acervo da Fundação Energia e Saneamento. A CPFL, o Grupo Rede e a Elektro podem vir a fazer parte do Projeto, que é financiado pela FAPESP e tem o apoio do SIESP e da ABCE. A Coordenação Geral é do Prof. Dr. Gildo Magalhães (História/USP).

Perfil da Fundação Energia e Saneamento - Criada em 1998, a Fundação Energia e Saneamento pesquisa, preserva e divulga o patrimônio histórico e cultural do setor energético e de saneamento ambiental, atuando no Estado de São Paulo por meio de uma Rede de Museus da Energia e de um Núcleo de Documentação e Pesquisa, na capital e realizando ações culturais e educativas em favor do fortalecimento da cidadania e do uso responsável dos recursos naturais. Tem como mantenedores a AES Eletropaulo, a ISA CTEEP, a SABESP e a CESP- Companhia Energética de São Paulo.

A articulação entre esses temas teve início com o valioso e diversificado acervo que a Fundação reúne: arquivístico, bibliográfico, museológico e arquitetônico. Nele se destacam mais de 1.500 metros lineares de documentos técnicos e gerenciais, 250 mil documentos fotográficos, cerca de 4 mil objetos museológicos, 20 mil obras bibliográficas, além de documentos cartográficos, audiovisuais e sonoros, reunidos a partir de meados do século XIX.

Integram esse patrimônio quatro pequenas centrais hidrelétricas em fase de retomada de geração de energia (as usinas-parque em Salesópolis, Rio Claro, Brotas e Santa Rita do Passa-Quatro) e dois imóveis urbanos (os núcleos do Museu da Energia de Itu e Jundiaí). A partir da trajetória do setor energético, esse acervo oferece subsídios essenciais para a compreensão da história da urbanização e industrialização contemporâneas.