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Silvicultura favorece regeneração da Mata Atlântica

Publicado em 15 maio 2019

Por Peter Moon  |  Agência FAPESP

Cultivo das plantas também pode gerar maior ganho de biomassa, destaca estudo

Um experimento realizado na Mata Atlântica sugere que a silvicultura intensiva – com uso de herbicida e maior quantidade de fertilizantes – é mais eficaz para promover a regeneração de florestas tropicais e o ganho de biomassa do que o método tradicional, baseado no controle do capim com roçada e menor adubação.

O estudo foi coordenado por Pedro Henrique Santin Brancalion, professor de Silvicultura de Espécies Nativas no Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), e teve apoio da FAPESP.

O trabalho contou com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Centro Francês de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento Internacional (Cirad). Os resultados foram publicados na revista Ecological Applications, da Ecological Society of America.

Como explicou Brancalion, atividades de reflorestamento são consideradas estratégicas para mitigar as mudanças climáticas, pois a vegetação sequestra carbono da atmosfera à medida que se desenvolve.

“Há programas promovidos por países como a Noruega para ajudar a neutralizar as emissões de gás carbônico de suas atividades econômicas. Há empresas que lançam editais de apoio a projetos de reflorestamento para neutralizar parte das emissões de suas fábricas e há inúmeras ONGs internacionais que captam recursos de empresas interessadas em investir nos projetos de reflorestamento de espécies nativas no Brasil”, disse.

Segundo o pesquisador, maximizar o acúmulo de biomassa lenhosa nas áreas reflorestadas, a fim de obter pagamentos antecipados pelo estoque de carbono, é essencial para a viabilidade financeira desses programas promovidos pelos esforços de mitigação climática.

A silvicultura intensiva, usada no cultivo comercial de eucalipto e pinus para aumentar a produtividade e o lucro, é defendida como uma abordagem promissora para aumentar o acúmulo de biomassa lenhosa em plantios de restauração. No entanto, explicou Brancalion, há quem questione se tal abordagem dificultaria a regeneração natural da floresta e a sucessão ecológica devido à alta competição entre plantas colonizadoras e árvores plantadas.