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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Siarq digitalizará acervo que apoia memória da Unicamp

Publicado em 28 abril 2011

Manuel Alves Filho

O Arquivo Central do Sistema de Arquivos da Unicamp (Siarq) vai digitalizar o acervo documental que apoia a constituição da memória da Universidade. Os documentos, como textos, fotografias, filmes, mapas, cartazes, entre outros, integram 270 fundos ou grupos documentais, que perfazem cerca de 400 mil dossiês ou maços. Os recursos necessários ao trabalho, da ordem de R$ 775,5 mil, foram obtidos junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio da submissão de projeto a edital de financiamento na área de infraestrutura. Segundo Edgar De Decca, coordenador geral da Unicamp, o apoio da Fapesp é importante para a melhoria da infraestrutura do Siarq, que desde a década de 1980 tem se dedicado a preservar o acervo documental da Universidade, e consequentemente, apoiado a realização de estudos sobre as suas diversas áreas de atuação.

De acordo com Neire do Rossio Martins, coordenadora do Siarq, o dinheiro já está disponível e os trabalhos, em pleno andamento. "Estamos na fase de tomada de preços para a aquisição de materiais e equipamentos. Acreditamos que dentro de 12 meses estejamos com os documentos digitalizados", calcula. Ela explica que a iniciativa tem dois pontos importantes. O primeiro diz respeito à preservação dos originais, que poderão ser acondicionados e armazenados de forma adequada. O segundo refere-se à constituição de uma base de dados que facilitará o acesso dos interessados às informações disponíveis.

Silvia Figueiroa, diretora do Instituto de Geociências (IG) e presidente do Grupo de Trabalho (GT) instituído pela Reitoria para diagnosticar e propor ações e diretrizes para a gestão arquivística de documentos de interesse de pesquisa da ciência e das artes, destaca que o acervo do Siarq representa, junto com os das demais bibliotecas da Unicamp, um importante repositório do conhecimento produzido pela Universidade. "Essa documentação é reveladora da produção científica, tecnológica e artística da instituição. É preciso lembrar que essa produção não pode ser relatada ou compreendida em sua totalidade somente com base naquilo que foi publicado em periódicos científicos mas, também em correspondências, cadernos de campo e outros registros elaborados pelos cientistas durante as pesquisas", acrescenta.

Elaborados por professores, os dossiês que integram o acervo são reveladores, por exemplo, das políticas acadêmicas e ações administrativas adotadas pela instituição ao longo de sua história. Resgatam, ainda, informações preciosas sobre a criação ou extinção de unidades de ensino e pesquisa. "Para se ter uma ideia, no campo da pesquisa realizada na Universidade, os mais de 2 mil dossiês de docentes permitem identificar as áreas e temáticas trilhadas por eles. Em se tratando de extensão, os inúmeros processos de transferência de tecnologia e de convênios realizados dão uma boa visão do relacionamento que a Unicamp mantém como a sociedade", considera Neire.

Entre os documentos que ajudam a compor a memória da Unicamp, há arquivos pessoais de professores como Sérgio Porto, Sérgio Arouca, Zeferino Vaz [fundador da Universidade] e César Lattes, para ficar apenas em alguns exemplos. O arquivo mais recente a ser agregado ao acervo do Siarq pertencia ao professor Daniel Hogan, falecido em 27 de abril de 2010. Ele foi pró-reitor de Pós-Graduação e fundador do Núcleo de Estudo de População (Nepo) da Unicamp. Entre os objetos que estão sendo triados e devidamente embalados e arquivados, estão fotografias, cadernos de anotações e documentos referentes aos trabalhos de campo realizado pelo pesquisador.

De acordo com a professora Silvia Figueiroa, que coordena o projeto, os trabalhos em curso compreenderão a criação de uma infraestrutura para descrever e digitalizar a documentação, bem como para coletar depoimentos e outros tipos de documentos complementares. Os primeiros a serem digitalizados serão os dossiês dos professores pioneiros da Unicamp, que datam das décadas de 60 e 70. "Os documentos e os dados serão armazenados em repositório e sistema arquivístico, que estão sendo projetados pela equipe do Siarq. A perspectiva é de integrarmos essa base de dados com outras bases de arquivos e bibliotecas da Unicamp", acrescenta Neire.